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Aplicativos e ferramentas podem auxiliar eleitor na hora de votar

Detector de Ficha de Político e Vigie Aqui são ferramentas que mostram o histórico judicial dos políticos

Felipe Alves
Florianópolis
11/06/2018 às 12H17

A poucos toques no celular ou no computador, a tecnologia pode ser uma aliada na hora de pesquisar um político para definir o voto nas eleições. Em tempos de escândalos de corrupção, políticos presos e figurando na Lei da Ficha Limpa, informar-se sobre o histórico dos candidatos é cada vez mais essencial. Este ano, foi lançado o aplicativo para celulares Detector de Ficha de Político que, com reconhecimento facial, gera a ficha completa judicial dos políticos. No computador, outra possibilidade é a instalação de um plugin (o Vigie Aqui) que grifa com a cor roxa os nomes de políticos condenados, processados ou investigados.

WhatsApp ainda é o pior local para controle das fake news - Marcos Santos/USP Imagens
Aplicativo permite que o eleitor tenho acesso a informações sobre os candidatos - Marcos Santos/USP Imagens


O aplicativo e o plugin são iniciativas do Instituto Reclame Aqui como forma de combate à corrupção. A proposta do app Detector de Ficha de Político é que o eleitor identifique em qualquer lugar e em poucos segundos se o político que está a sua frente tem processos de corrupção ou improbidade administrativa correndo na Justiça.

Em um debate, comício, em foto de santinho ou em imagens da TV, jornal ou site, o aplicativo reconhece a face do político e lista todos os processos que há contra ele. Serve tanto para políticos que ocupam ou ocuparam, nos últimos oito anos, os cargos de presidente, vice-presidente, senador, deputado federal e governador, quanto para pré-candidatos à presidênica e governador em 2018.

O plugin Vigie Aqui tem função semelhante. Em poucos cliques no computador, a ferramenta destaca os políticos enrolados com a Justiça.

Para o sociólogo e mestre em sociologia política Sandro Sell, a tecnologia pode ser uma aliada para o eleitor decidir seu voto, mas é preciso que cada cidadão cumpra seu papel de pesquisar a fundo a vida, as propostas e a linha de votações feitas em caso de políticos que já atuam. “Nenhum aplicativo vai tirar do eleitor a responsabilidade de fazer sua própria pesquisa. Não existe um critério isolado para se observar. O melhor é o cruzamento de vários fatores. Ser cidadão dá trabalho. É preciso uma multiplicidade de fontes”, diz.

É preciso levar em conta diversos fatores na hora de votar

Em meio a um mar de informações na internet (incluindo as notícias e informações falsas) saber identificar quais dados são confiáveis é um dos desafios deste ano para as eleições de outubro. Para Sandro Sell, a internet tem uma facilidade de apresentar versões parciais como se fossem verdades universais. “Até mesmo nos sites de buscas o ideal é procurar não somente pelo nome do candidato, mas os projetos e as posições desse político. Isso é possível conseguir também nos sites oficiais da Câmara ou do Senado”, afirma.

A Lei da Ficha Limpa, que surgiu em 2010 como forma de combater a corrupção, é um fator relevante a ser considerado pelo eleitor na hora de votar, mas não deve ser o único. “Serve como filtro mínimo de seriedade que se pode exigir de um ocupante ao cargo. É um elemento também a ser considerado”, diz o sociólogo. 

 

Detector de Ficha de Político

 - Abra o aplicativo e aponte a câmera para o rosto de um político (ele deve estar sempre de frente na área demarcada)

- Pode ser ao vivo, em fotos, na televisão ou na internet. O app usa tecnologia de reconhecimento facial para identificar a imagem e revelar os dados existentes sobre o político na base de dados do aplicativo.

- Ao reconhecer o político, o sistema listará todas as informações oficiais encontradas em diversas instâncias da Justiça, como STF (Supremo Tribunal Federal), STJ (Superior Tribunal de Justiça), tribunais de Justiça estaduais e os tribunais regionais federais.

- No banco de dados do detector constam os políticos que ocuparam os cargos de presidente, vice-presidente, senador, deputado federal e governador em um período de oito anos. Também é possível identificar os pré-candidatos à presidência e aos governos estaduais das eleições deste ano (com base no Datafolha e Ibope).

 - Também é possível pesquisar o político pelo nome no campo de busca ou filtrar a lista de políticos no aplicativo, separados por Estados e cargos.

- Disponível para Android e iOS.

 

Vigie Aqui

- Baixe e instale o plugin no navegador Google Chrome pelo site www.vigieaqui.com.br

- Ao navegar pelos sites, o nome de políticos condenados, processados ou investigados aparecerão grifados em roxo

- Ao passar o mouse no nome grifado, o plugin mostra a ficha judicial do político

- Estão no banco de dados do plugin mais de 600 políticos que ocupam ou ocuparam cargos eletivos, além de ministros de Estado, com pendências na Justiça.

- As informações oficiais são de diversas instâncias da Justiça, como como STF (Supremo Tribunal Federal), STJ (Superior Tribunal de Justiça), tribunais de Justiça estaduais e os tribunais regionais federais.

 

O que é a Lei da Ficha Limpa

- A Lei Complementar nº 135, de 2010, chamada de Lei da Ficha Limpa, regulamenta restrições à elegibilidade de candidatos. Foi fruto de um projeto de lei de iniciativa popular, encabeçado por entidades que fazem parte do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), e mobilizou vários setores da sociedade brasileira, entre eles, a Abramppe (Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), organizações não-governamentais, sindicatos, associações e confederações de diversas categorias. Foram obtidas mais de 1,6 milhão de assinaturas em apoio.

- De acordo com a lei não poderão se eleger os políticos que: renunciam ao seu cargo a fim de não mais serem processados ou para fugir de condenação; foram condenados por crimes como improbidade administrativa, crimes contra o patrimônio público, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, abuso de autoridade, entre outros; foram condenados por má prática relativa ao seu serviço no governo; perderam seus cargos por alguma infração que cometeram durante os mandatos; tenham processos em andamento (que já foram aprovados) na Justiça Eleitoral.

- Este ano o STF reafirmou que é válido o prazo de oito anos de inelegibilidade aos condenados por abuso do poder econômico ou político anteriormente à edição da Lei da Ficha Limpa, em 2010.

 

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