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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Aeroporto de Joinville testa falcão-robô para evitar acidentes

Modelo deve sobrevoar a pista para espantar quero-queros e outras aves menores, que podem colidir com aviões

Cláudio Fernandes
Joinville
Carlos Junior/ND
Modelo do falcão-robô que será testado pelo Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola

Parece de brinquedo, mas a função dele é séria e tem o objetivo de evitar acidentes aéreos. O falcão-robô, que fez ontem seu primeiro voo no Aeroporto de Joinville Lauro Carneiro de Loyola, deve auxiliar o terminal na redução de colisões entre aves e aviões. No formato de um falcão verdadeiro, o robô sobrevoa as redondezas do aeroporto para afastar aves menores, como quero-queros, garças, carcarás, urubus e fragatas. Aves de rapina, os falcões são predadores temidos por aves de menor porte, que evitam locais habitados por eles.

A ação se justifica por causa do relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes) sobre este tipo de ocorrências. Em 2010, o aeroporto joinvilense foi o campeão em risco proporcional ao número de operações. Para cada 10 mil pousos e decolagens, a média é de 19,3 colisões com aves. Em segundo, vem o Aeroporto de Navegantes, que teve média de 17,3. Nesses acidentes, as aves colidem com as turbinas, com as asas dos aviões e até com as cabines dos comandantes, podendo derrubar as aeronaves.

Tamanho risco levou os dois terminais catarinenses a testar a nova arma. Ainda em fase experimental, a iniciativa pode se tornar permanente. São 50 dias de estudos e dez de testes com o robô.

Os trabalhos são acompanhados pelo biólogo Luiz Gustavo Trainini, da empresa Hayabusa Falcoaria e Consultoria Ambiental. Segundo ele, mesmo sendo um procedimento experimental, apresenta resultados imediatos. "Nos primeiros dias, as aves voltam porque acham que o falcão não vai ficar, mas no final desses dez dias já será possível ver o temor das aves em voltar", explica. "Mas para resolver mesmo, o trabalho precisa ser contínuo", completa Trainini.

Se isso ocorrer, um falcão de verdade deve ser usado para captura das aves mais insistentes, com o complemento do robô. Um contrato único para os aeroportos de Joinville, Navegantes e Florianópolis está sendo estudado pela Infraero. O custo mensal médio para os três terminais ficaria em torno de R$ 22 mil, de acordo com Trainini.

O falcão robô já foi utilizado no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Já o Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre (RS), utiliza falcões verdadeiros para afastar as aves menores.

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