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A arte do picadeiro e a vida dentro e fora dos espetáculos circenses

O Notícias do Dia foi até o Circo Maximus para ver o que rola dentro e fora da grande lona da magia, e conhecer as histórias de vida de quem faz o espetáculo acontecer

Windson Prado
Joinville
10/12/2016 às 14H58

A arte é milenar, surgiu na época do povo romano e até hoje se mantém bastante viva, mesmo em tempos de entretenimento à la carte, como a internet, Netflix, Youtube, redes sociais, televisões e canais a cabo. A arte circense segue pulsante,tanto nos corações dos artistas, quanto no do público, e neste tempo todo, sem perder a sua essência: a de despertar suspiros, emoções e risos na plateia.

O Circo Maximus, que se apresenta em Joinville, é uma franquia do ator Marcos Frota - Carlos Junior/ND
O Circo Maximus, que se apresenta em Joinville, é uma franquia do ator Marcos Frota - Carlos Junior/ND



Mas para continuar atraindo espectadores, o mundo do picadeiro precisa se reinventar, a cada geração. Hoje, os espetáculos são muito diferentes dos vistos pelos seus paise avós, por exemplo. Muitas vezes é a tecnologia quem dá o toque final inovador às apresentações que encantam tanta gente.

Há 15 dias, uma trupe com mais de 65 pessoas, entre eles 32 artistas, está em Joinville. Trata-se do Circo Maximus, instalado na rua Inácio Bastos,no bairro Bucarein, para uma temporada. A equipe de reportagem do Notícias do Dia foi até lá, para conferir o que rola dentro e fora da grande lona da magia e conhecer as histórias de vida de quem faz o espetáculo acontecer. Confira!

O Circo Maximus

O Maximus que está em Joinville é um circo de Maringá (PR) e pertence à família Maximus. Está na segunda geração e faz parte da franquia da rede Marcos Frota de Circo.A família Máximos também tem outra lona, atualmente instalada na cidade mineira de Pouso Alegre (MG). O produtor e artista circense Atila Pena, 47 anos, é quem abriu as portas do circo que está em Joinville.

Atila é do Estado de São Paulo e nasceu no mundo do circo. Hoje, vive no Maximus com a mulher e a filha. “Nasci no circo e desde pequeno aprendi a amar esta vida. Já fui palhaço, malabarista e fiz globo da morte, mas hoje minha arte está na produção e divulgação dos espetáculos. Deixei os picadeiros para os mais novos, como a minha filha Lorena. No circo é assim: a arte é transmitida a cada geração”, explica Pena.

Para ele, é isso que faz com que a essência do mundo do circo seja preservada. “O circo surgiu há muito tempo, sempre com objetivo de entreter. Da época de Roma até hoje, muita coisa mudou. O circo foi arena de gladiadores, palco de rodeio, duplas sertanejas, apresentações com números de animais e de artistas. Mas se tem uma coisa que vem sendo preservada neste tempo todo é a função do circo: levar alegria, diversão ao público. É isso que transmitimos às futuras gerações”, comenta o produtor.

Hoje, o Maximus conta com 64 pessoas, destas 32 são artistas. No palco, a presença dos mais novos é bastante nítida durante o espetáculo de quase duas horas. Nos números, é comum ver um pai ou uma mãe auxiliando os artistas. É o que destaca a filha de Átila, a contorcionista Lorena Beatriz Pena, 22. “Os mais velhos formam os mais novos, compartilhando técnicas e experiências. Eu e os artistas que conheço não acreditamos nesta história de que o circo está envelhecendo. Temos visto uma nova geração, que tem carinho e devoção muito grande em manter esta tradição”, acredita ela.

O Maximus também conta com artistas e auxiliares joinvilenses. “Todas as vezes que chegamos a uma cidade contratamos pessoas daquele local para nos auxiliar. Desta vez, há bailarinas e auxiliares da cidade trabalhando com a gente”, comenta o pai de Lorena.

 

Rotina, lazer e trabalho

Pode parecer que não, mas o dia a dia de quem mora e trabalha no circo não é muito diferente daqueles que têm uma vida, digamos, mais tradicional. A maioria dos que vivem no circo tem uma casa fixa, onde algumas vezes ao ano podem voltar para descansar e rever familiares. Quando estão em cartaz, rodando o país, a casa é sobre duas rodas. Trailers equipados que dão conforto e qualidade de vida. “Alguns, geralmente quem tem família no circo, têm trailer próprio. A rotina é quase igual a de quem não vive no circo. Acordamos, tomamos café, vamos conferir nosso material de trabalho, ensaiamos, vamos à academia, fazemos as atividades do dia a dia, descansamos e só duas horas antes do espetáculo começam os preparativos para entrar em cena. É como qualquer um”, explica a artista circense Lorena Beatriz Pena.

Lorena acrescenta que quando o artista é solteiro, ele acaba ficando em um trailer-caminhão, que é uma espécie de quitinete. “Cada um tem seu quartinho e banheiro, mas as refeições são feitas de forma coletiva”, conta. “Nossa rotina só é alterada quando precisamos desmontar a estrutura, viajar e montar tudo de novo em outra cidade. Isso é o que mais me encanta, a possibilidade de conhecer novas pessoas, novas culturas e levar meu trabalho a uma nova plateia”, diz Lorena, que nasceu no circo já protagonizou números circenses em diversas categorias, como tecido, trapézio e acrobacia aérea. Hoje faz apresentações com bambolês e lira. O trabalho no circo rende em média um salário mínimo por semana para a artista.

 

Um caso de amor, embaixo de duas lonas

Até o começo do ano,a acrobata Lorena Beatriz Pena morava no circo da família,o Circo Khronos, mas o destino e a paixão fizeram com que ela e a família fossem integrar a equipe doMaximus. “A gente estava em uma temporada em Goiânia, onde coincidentemente o Maximus também estava instalado. Decidi assistir e conheci Terry Velazque. Sabe quando a gente olha e se apaixona?Foi assim. Trocamos telefones e por um bom tempo nos conhecemos à distância. Mas teve uma época que não deu maispara superar os quilômetros longee desde setembro vim morar com a família no Maximus para ficar perto de Terry. E o relacionamento vai de vento em popa”, comenta Lorena.

Terry é peruano, tem 33 anos e é especialista em malabares, tanto aéreo quanto invertido. “Minha mãe nasceu no circo. Eu também. Viver esta vidaé uma entrega. É uma paixão, que só quem faz parte deste universo sabe definir. Deu trabalho para conquistar a Lorena, mas não desisto fácil. Hoje estamos namorando, felizes, um relacionamento que só podia começar no circo”, brinca o artista, que já se apresentou em circos renomados como o de Soleil.

Pequenos artistas, grandes talentos

Também no Maximus encontramos uma dupla de irmãos que é sinônimo de alegria para adultos e crianças, os palhaços Chorizito e Panchito. As personagens são vividas pelos artistas Pablo Fuentes, 22, e Paulo Estevan, 26. Eles são pequeninos, um tem 1m30 de altura, o outro 1m35. Só a baixa estrutura já é um convite a mais ao riso, arte em quea dupla se torna gigante.

Os irmãos pequenos que se transformaram nos palhaços Chorizito e Panchito - Carlos Junior/ND
Os irmãos pequenos que se transformaram nos palhaços Chorizito e Panchito - Carlos Junior/ND



Os dois nasceram no circo. “Eles (os pais) também são pequenos. Meu pai ficou 30 anos no picadeiro, dando vida ao palhaço Tico. Ele conheceu minha mãe em uma apresentação, quando o circo onde trabalhava estava em Buenos Aires. No fim da temporada, minha mãe resolveu “fugir” com o namorado que fez no circo. A união ganhou também o palco. Hoje, eles vivem em Maringá, onde trabalham com animação de festas e eventos, e nós estamos em turnê no Maximus”, conta Pablo.

“Estar no circo é maravilhoso. Entrar no picadeiro para despertar o riso é sempre uma coisa muito gratificante. É uma emoção que faz nossa trajetória enquanto artista valer a pena”, comenta Fuentes. O jovem fala também da diferença entre ele e seu palhaço, que surge quando ele termina a maquiagem e carimba o rosto com o tradicional nariz vermelho. “Sou muito tímido. Meu palhaço é o oposto. Basta eu colocar o nariz vermelho e tudo se transforma. Panchito floresce para levar seu humor simples e singelo”, descreve o artista que dá vida a Panchito. Ele e o irmão há oito anos encantam plateias de circos por todo o Brasil.

 

“O circo é isso. É uma vida um pouco diferente, mas cheia de desafios e novidades. Levar a alegria ao público, estar conhecendo cidades e culturas diferentes é que nos motiva e faz driblar os desafios do dia a dia que existem sim, para continuar a propagar a magia e o encanto do circo.”

Pablo Fuentes, palhaço

 

Apresentações

 O Circo Maximus está armado na rua Inácio Bastos, em frente ao supermercado Giassi. Os espetáculos são realizados de segunda a sexta às 20h30, e no fim de semana às 16h, 18h, e 20h30. Os valores das entradas variam de R$20 a R$40. Assinantes do Jornal Notícias do Dia, que integram o Clube ND têm benefícios e ganham 50% de descontos na hora da compra dos tíquetes. A temporada na cidade termina no dia 18.

Números

Equipe de 64 pessoas, sendo 32 artistas

Mais de 5 mil joinvilenses já assistiram ao espetáculo

Por ano, o circo passou por 12 cidades e atraiu mais de 120 mil espectadores

O espetáculo que está em cartaz, em Joinville tem quase duas horas de duração

 

Serviço

O quê: Espetáculo do Circo Maximus em Joinville

Quando: de segunda à sexta, às 20h30. Sábados e domingos, às 16h, 18 e 20h30

Onde: rua Inácio Bastos, em frente ao Supermercado Giassi

Quanto: ingressos a partir de R$ 20, integrantes do Clube ND têm 50% de desconto

Informações:https://www.facebook.com/circomaximusbrasil

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