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Trabalho anônimo dos analistas de desempenho do Avaí até a Granja Comary, em Teresópolis

Eles não balançam as redes, não realizam defesas e não são reconhecidos pelos torcedores, mas podem influenciar no resultado de uma partida com informações para os treinadores e os atletas

Michael Gonçalves
Florianópolis
04/06/2018 às 15H35

Por trás de uma defesa de um goleiro, pode existir a informação de um analista de desempenho. Eles não balançam as redes, não realizam defesas e não são reconhecidos pelos torcedores, mas podem influenciar no resultado de uma partida com informações para os treinadores e os jogadores no futebol brasileiro. Há 14 anos, o carioca Ricardo Henry, 53, fundou com outros dois colegas a Soccer Mídia, empresa que produzia conteúdo estatístico para os 20 clubes da Série B do Brasileirão e para outras sete equipes da elite a época. O projeto resultou na contratação do analista de desempenho pelo Avaí, em 2011.

 Analistas de desempenho do Avaí  - Marco Santigo/ND
Matheus (à esq.), Gabriel, Ricardo e Vinícius formam o quarteto das informações- Marco Santigo/ND



Desde a temporada passada, Ricardo e sua equipe de três estagiários também prestam serviço para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) observando a Costa Rica, adversária do Brasil na Copa do Mundo da Rússia. Em função dessa missão, Ricardo e o estagiário Vinícius Frasson, 33, passaram uma semana na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), no início da preparação da seleção brasileira.

A experiência rendeu um contato mais íntimo com o técnico Tite. “Tivemos uma reunião de quatro horas com o Tite e os seus auxiliares. Eles perguntaram de tudo sobre a Costa Rica. Desde a forma de jogar em diferentes partidas ao rendimento de cada atleta. Foi uma experiência incrível, com os profissionais mais renomados do futebol brasileiro”, comentou.

Em 2017, o analista chefe da CBF, Fernando Lázaro, lançou o projeto de que cada um dos núcleos de inteligência dos clubes da Série A seria responsável por seleções classificadas para a Copa do Mundo. Teve analista de desempenho responsável por mais de uma seleção.

“Por sorte nossa, a Costa Rica foi sorteada para o grupo do Brasil e o nossa material será aproveitado na íntegra. Recebemos muitos elogios nos quatro relatórios entregues, sendo um de cada partida analisada, além da apresentação final. O momento engraçado foi quando passávamos algumas informações citando nomes de alguns atletas da Costa Rica e o técnico Tite pediu para parar. Como é impossível conhecer todos os jogadores, ele pediu apenas para citar o desempenho pelas suas funções”, afirmou o analista de desempenho do Avaí.

Mesmo com a missão cumprida, Ricardo e a sua equipe continuam monitorando a Costa Rica a distância em mais três amistosos antes da copa. O primeiro foi nesse domingo (3) contra a Irlanda do Norte, depois será diante da Inglaterra (7) e perante a Bélgica (11).

 

Analistas Avaí  - Marco Santiago/ND
Eles não balançam as redes, não realizam defesas e não são reconhecidos pelos torcedore- Marco Santiago/ND



Geninho fez pedidos especiais ao NIF

Formado em comunicação social, o carioca Ricardo Henry comanda o NIF (Núcleo de Inteligência do Futebol) do Avaí. Ele trabalha com três estudantes de educação física da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina): Vinícius Frasson, Gabriel Dutra e Matheus Frigo. Além de produzir vídeo e relatório sobre o desempenho dos adversários, eles avaliam o rendimento da equipe e dos atletas do Leão da Ilha. O trabalho é focado na orientação de cada treinador e Geninho, por exemplo, fez mais pedidos do que os ex-técnico Claudinei Oliveira.

Para atender a demanda, eles trabalham com a produção de material com duas rodadas de antecedência. “Temos um trabalho padrão que reúne seis fatores que devem ser analisados: organização ofensiva e defensiva, transição ofensiva e defensiva, além da bola parada ofensiva e defensiva. Independente disso, os treinadores também orientam as informações que mais lhe interessam. O Geninho, por exemplo, gosta de saber as substituições que o adversário costuma fazer”, exemplificou Ricardo.

O NIF do Avaí foi estruturado pelo gerente de futebol Agnello Gonçalves. O clube da Ressacada foi a primeira equipe catarinense a possuir um banco de imagens. Logo após, a equipe com os três estagiários foi montada para dar conta de todo o conteúdo a ser produzido.

No dia de cada partida, cada um desenvolve uma função. “O Vinícius faz o mapa do jogo, o Gabriel fica responsável pela marcação da posse ofensiva das equipes, o Matheus faz a filmagem e sou responsável pelo corte de imagens. Assim, no intervalo, o técnico já tem um material em vídeo para utilizar sobre alguns lances do primeiro tempo”, explicou o analista chefe do Avaí.

 

Software permite contato do observador com o banco de reservas

Na Copa do Mundo da Rússia, a Fifa vai permitir o contato dos analistas de desempenho com os técnicos no banco de reservas. Um software será disponibilizado para todas as seleções, com o objetivo de que todas tenham acesso a mesma tecnologia. Para sair na frente no futebol brasileiro e, enquanto aguarda a liberação da CBF, o Avaí fechou uma parceria com a empresa que tem um software com este serviço.

Atualmente, o Avaí já trabalha com as estatísticas de três softwares, que são os responsáveis pelas estatísticas básicas. “Trabalhamos com o italiano Wyscout, com o russo Instat Scout - do Denis Kunvev, com o Tactital Pad e, agora, acabamos de fechar uma parceria com a TOTVS, para a aquisição do software Dartfish, que permitirá dar um passo a frente com a possibilidade de poder falar com o banco de reservas”, observou o analista de desempenho Ricardo Henry.

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