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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Técnica de Tamiris de Liz volta a Joinville após mundial

Atletismo. Margit Weise fala sobre o futuro da atleta, Olimpíada, assédio de grandes marcas e o que sentiu ao ver Tamiris no pódio

Cláudio Fernandes
Joinville

 

Luciano Moraes/ND
Marit Weise retrornou a Joinville e trabalhou normalmente com atletas na pista da Univille

 

     Quando o telão do Estádio Olímpico de Montjuic, em Barcelona, na Espanha, apontou o nome Tamiris de Liz como a terceira colocada na prova dos 100 metros rasos no Mundial Junior de Atletismo, dando a ela a medalha de bronze, a técnica da jovem velocista de apenas 16 anos, Margit Weise, não acreditava no que estava vendo, apesar de saber da capacidade de sua instruída. “Eu revi o vídeo dela correndo em câmera lenta no telão e tudo era perfeito. Cada movimento, cada passo. Na hora percebi que aquilo também tinha um dedo meu”, constata.

     De volta à Joinville, Margit retomou os treinos com seus alunos na pista de atletismo da Univille, mas mantém contato diário com Tamiris, que seguiu para Londres, onde disputará os Jogos Olímpicos, integrando a equipe brasileira do revezamento 4x100.

     Na mala, Margit trouxe ainda a consagração de ter sido também a técnica da equipe juvenil feminina, que ganhou o bronze no revezamento 4x100, com uma ajudinha de Tamiris, integrante do quarteto que disputou a prova.

     Na despedida de Tamiris, Margit deixou conselhos não só de técnica, mas de amiga e mãe. “Falei pra ela segurar a euforia e a saudade. Essa fase será curta e ela precisa aproveitar o máximo que puder. Depois ela poderá curtir com a família os frutos dos sacrifícios”, avalia a treinadora.

     Margit tem um perfil de quem cobra os resultados e o esforço antes das provas, mas também de quem sabe consolar e dar uma palavra de apoio quando precisar. No ano passado, durante o Jasc (Jogos Abertos de Santa Catarina), a treinadora protagonizou uma cena emocionante com a atleta Gabriela Brandalise de Lima, que chorava um resultado ruim no salto. “Todo atleta passa por altos e baixos, isso é normal no esporte. Por isso costumo preparar não só o físico, mas também o emocional, o psicológico”, destaca Margit.

    Depois do Jasc, ainda em 2011, Gabriela acabou sendo campeã brasileira juvenil no salto triplo e 3ª colocada no salto triplo no sul-americano juvenil de atletismo. Hoje, ela treina em São Paulo, com o técnico Nélio Afrânio de Moura, que treina também a campeã olímpica no salto em distância Maurren Maggi.

 

Divulgação/ND
Margit ao lado de Tamiris de Liz, após conquista do bronze no mundial da Espanha

 

Entrevista

Veja o que disse Margit Weise em tópicos:

Tamiris:
- Ela é sem dúvida a primeira e única atleta de ponta que treinei até hoje e que chegou tão longe e com tão pouca idade. O que a destaca é que ela ainda continua treinando em Joinville, longe dos centros de ponta. Ela é uma atleta muito acima da média e está entre os poucos que se destacam.

Descoberta:
- Quando vi a Tamiris pela primeira vez, ela tinha dez anos, corria com os pés descalços e machucados. Foi nos jogos escolares de Joinville, na Univille. Apesar do tamanho e de não usar nenhum calçado nos pés, ela parecia um foguetinho, corria muito rápido. Logo percebi que ela chegaria longe e fiz o convite no mesmo dia para vir treinar conosco. Dois meses depois, o pai dela me ligou e hoje ela está em Londres.

Mundial Juvenil:
- A Tamiris levou dois bronzes, mas podia muito mais. Ela pode e conquistará muito mais. Nos 200 metros, ela poderia pelo menos ter se classificado para as finais, mas se conteve para evitar lesão, o que a tiraria de Londres. A euforia do primeiro bronze nos 100 metros e o excesso de provas em curto período acabaram desgastando e atrapalhando. No revezamento, ela já estava mais descansada e foi bem.

Jogos Olímpicos:
- Apesar de estar relacionada como reserva, tenho certeza que a Tamiris disputará o revezamento como titular. A quarta atleta, a Franciela Krasucki, ainda não está bem recuperada e a Tamiris tem o apoio da equipe para correr. O técnico Katsuhico Nakaya deve escolher por ela.

Assédio:
- Ao final da final dos 100 metros, duas universidades americanas convidaram a Tamiris para correr por elas, treinando e estudando lá. Outros clubes de atletismo do próprio Brasil também estão interessados. Nike e Oakley são apenas alguns exemplos de marcas que manifestaram interesse em patrocinar, fornecer material. Neste momento, o que tenho feito é conversar com ela. Tentamos de alguma forma blindar ela de todo esse assédio recente para não atrapalhar em seu rendimento. Mas ela corre porque gosta e só sairá de Joinville se for para conseguir algo muito melhor.

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