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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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JASC tem mais de cinco décadas de história

Rubens Facchini, braço direito de Arthur Schlösser, fundador dos Jogos, conta detalhes sobre o surgimento da competição

Redação ND
Joinville

Ele prefere apenas ser chamado de “o office boy do seu Arthur”, mas na verdade, foi peça fundamental na criação dos Jogos Abertos de Santa Catarina, em 1960 na cidade de Brusque. Rubens Facchini, um simpático senhor de 74 anos, esconde na voz trêmula e chorosa as saudades do tempo em que percorria o Estado difundindo os Jogos, a mando de Arthur Schlösser, empresário brusquense apaixonado por esporte. “Eu me emociono sempre quando falo dele. Foi uma pessoa boníssima, extraordinária”, diz.

Rodrigo Santos/Divulgação/ND
Rubens Fachinni, na cerimônia do cinquentenário dos Jogos, em 2010

 

Os dois se conheceram por meio de uma relação de trabalho. O pai de Rubens prestava serviços de transporte à Schlösser, empresa de tecidos de Arthur. A amizade começou a surgir a partir desta convivência e se fortaleceu anos depois, na Sociedade Desportiva Bandeirante, onde eles praticavam algumas modalidades.

:: Morre Rubens Facchini, um dos criadores dos JASC

Na proximidade dos cem anos de Brusque, Arthur integrou a comissão do centenário, e foi designado a organizar uma competição esportiva que envolvesse a cidade. Mas a paixão pelo esporte o permitiu ir além. A exemplo dos Jogos do Interior de São Paulo, Arthur queria uma disputa que mobilizasse atletas de todo o Estado. Fiel amigo e companheiro, atribuiu a Rubens a missão de lhe entregar um relatório com os detalhes da organização dos jogos de São Paulo, para que tivesse embasamento na criação dos JASC.

Em 1957, quando ainda era permitido que cidades de outros Estados também competissem nos Jogos Abertos do interior de São Paulo, Arthur enviou uma delegação de vôlei feminino, basquete masculino e xadrez para a disputa. Junto com ela foi Rubens, certo da missão que tinha, mas sem qualquer previsão de que aquela viagem mudaria a história do esporte em Santa Catarina.

De forma tímida, foi até a Comissão Organizadora em São Carlos, município sede daquele ano. Encontrou no local Baby Barione, ex-atleta que fundou os jogos paulistas. Com o receio de que Baby se incomodasse por achar que queriam uma cópia de sua criação, Rubens foi com calma nas palavras. “Queremos saber como funcionam os jogos”. Muito solícito, Baby explicou e Rubens se sentiu à vontade para revelar a real pretensão. Baby então mostrou o regulamento e mostrou o caminho das pedras para a criação de uma grande competição esportiva.

De volta a Brusque e com o relatório em mãos, Rubens entregou para Arthur os detalhes da disputa. Baseado no documento, em 1958 foi criada a primeira comissão organizadora dos JASC. Integrante da comissão, Rubens recebeu a ordem de viajar por Santa Catarina contatando prefeituras e apresentando a novidade. “Ganhei de seu Arthur um fusca, um envelope com dinheiro e fui”, lembra.Todas as cidades que visitou o receberam bem e o trabalho deu certo. Em 1960, na primeira competição, foram 13 municípios e 444 atletas para a competição. “Isso foi extraordinário. Nunca havia se reunido tantos esportistas em Santa Catarina”, destaca Rubens.

No lugar da piscina, um rio

Se neste ano a cidade de Caçador não tem piscina adequada para as provas da natação, na quinta edição dos JASC da história, em Porto União, a situação foi ainda mais constrangedora. “Também não havia piscina. Os atletas competiram no rio Porto União.” Mesmo com recordações de momentos ainda mais difíceis, Rubens se entristece ao lembrar que quase 50 anos depois a história se repete. “Arthur sempre dizia pra incentivar a ida dos jogos ao interior do Estado. Mas, infelizmente, poucas cidades têm estrutura para atender aos sonhos dele”, lamenta.

Arquivo pessoal/Divulgação/ND
1960. Abertura oficial da primeira edição dos JASC, na cidade de Brusque

 

Xuxa, o filhote dos JASC, sugere mais investimentos

Para Rubens, os Jogos Abertos de Santa Catarina são o grande incentivo para a formação de talentos catarinenses de renome internacional. “Os JASC criaram vários filhotes, como Guga Kuerten, Murilo Fischer e Fernando Scherer. Ainda tem a Tamiris de Liz. Essa menina será um fenômeno”, disse.

Dentre estes “filhotes” citados por Rubens, o nadador Fernando Scherer, o “Xuxa”, ainda guarda lembranças das competições que o iniciaram como atleta. Com três olimpíadas na bagagem (Atlanta 1996, Sidney 2000 e Atenas 2004), e duas medalhas de bronze resultantes destas participações, Xuxa confessa que os Jogos Abertos de Santa Catarina serviram como uma escola. “Para ser medalhista em uma Olimpíada eu precisei dar o primeiro passo. E a participação nos JASC foi este primeiro passo. Faz parte da minha história, da minha caminhada como atleta”, relembrou.Confiante que Santa Catarina ainda pode trazer mais surpresas positivas para o esporte brasileiro, Xuxa sugere também que haja mais investimento no esporte de base para incentivar mais atletas. “Nosso Estado é um celeiro de atletas.

As grandes empresas devem apoiar os atletas e as federações de cada modalidade para consagrar campeões no futuro. É necessário investir. E não só quatro anos antes da Olimpíada”, alertou, com o conhecimento de quem tem experiência e conhecimento para aconselhar.

Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
Arthur Schlösser, fundador dos Jogos Abertos de Santa Catarina

 

Contratações desagradam

Rubens hoje se impressiona com a grandeza do investimento daqueles que, juntos, lutaram pela fundação dos JASC, mas lamenta que os Jogos não mais invistam na formação dos catarinenses. “São lamentáveis estas contratações de fora. Era contra o que Arthur pregava”, indigna-se. Ele pondera que as contratações podem ser positivas desde que o atleta venha para ficar e não apenas dispute e vá embora. “Isso não acrescenta em nada”, disse. Mesmo assim, Rubens acredita que o Arthur, se ainda estivesse vivo, iria se orgulhar do seu trabalho. “Mas ele já está feliz lá no céu”.

Curiosidade

Nos primeiros Jogos Abertos, em 1960, a pista de atletismo não tinha 100 metros, e sim 96. “Isso só foi descoberto cinco anos depois, quando medimos”, disse Rubens, com bom humor. “Quem bateu o recorde dos 100m, na verdade, bateu 96", brinca.

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