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Esportes menos badalados também trazem bons resultados para Joinville

Jasc.Atletas mostram força, mas o reconhecimento ainda é abaixo do merecido

Redação ND
Joinville
Carlos Jr./ND
Rosane Ewald é campeã sul-americana e favoria ao ouro nos Jasc 2012

 

Nos fundos da Sociedade Desportiva Cultural Cruzeiro Joinvilense, depois de já passar por um grande salão onde debutam moças e casam muitas mulheres, há um lance estreito de escada.  Por ela sobem, todos os dias, atletas que treinam no esconderijo das carabinas apontadas para alvos. Na solidão, cada qual com sua arma e seus pensamentos, grandes nomes do tiro brasileiro desafiam os próprios limites e miram em direção a um sentido: a 52 edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina.

Desde 2010 a equipe de atiradores de Joinville se consolida como favorita ao título nos Jogos. No ano passado foram dois troféus: um na modalidade armas longas e outro no tiro ao prato. Nesta edição, a possibilidade de repetir o desempenho é grande, tanto que o técnico Richard Ewald se arrisca em dizer que o grupo intimida os adversários. “O problema deles é vencer Joinville’’, garantiu.

Ao todo, a equipe da cidade é formada por 30 atletas, grande parte deles são prata da casa. É o caso de Rosane Ewald, atiradora de renome internacional. Bicampeã sulamericana e com participação em um panamericano, ela vai para os quartos JASC de sua carreira com a confiança de que conquistará mais um título. “Eu tenho grandes chances na prova individual da modalidade carabina de ar deitado, que é também o que me garantiu o troféu no sulamericano”, disse.

Experiência como arma principal

Outro atleta que representa Joinville nos 52 JASC é Elio da Silva. Na precisão dos tiros, carrega a experiência de quem já participou de 23 edições dos jogos. Na segurança com que fala do esporte, esconde a solidão que gosta de cultivar posicionado com uma carabina de ar. Já perdeu as contas de quantos títulos conquistou, mas nunca esqueceu do primeiro em 1989 na cidade de Joaçaba, quando conseguiu uma medalha de bronze por equipe. O ouro veio logo depois, em 1992. Desde então, usa a experiência para garantir mais troféus, e ajudar a firmar o favoritismo de Joinville.

Das outras edições, Elio guarda as melhores lembranças possíveis. “Participar do JASC é uma grande motivação para o esporte’’. Para o atleta, o tiro ainda tem um estímulo pessoal. “É o maior desafio do ser humano. Não tem adversário, é você contra você”, afirmou.

Apesar de o experiente atirador confiar no grupo que vai para a competição deste ano, o título não depende apenas da qualidade dos atletas, mas também dos instrumentos utilizados no esporte. Segundo ele, Joinville não consegue importar munição, e a nacional deixa a desejar. “Com os nossos atiradores temos condições de ganhar, só falta munição”, lamentou.

 

Um arremesso para o título

 

Carlos Jr./ND
Bolão 16 joinvilense também é favorito para troféu em Caçador

 

A cancha da Sociedade Guaricás, em Timbó, não é apenas mais um ginásio em que a destemida equipe do Bolão 16 joinvilense disputou um título. O local traz à memória dos antigos bolonistas os tempos em que competiram em uma cidade cuja tradição na modalidade fez lotar as arquibancadas. O atleta Fabrício Alexandre Lutke, com 19 Jasc na bagagem, estava presente na disputa. A inquietação do corpo e das mãos ao falar do momento não esconde as saudades que sente daquele ano. “A polícia teve até que abrir caminho para os atletas passarem, de tanta gente que tinha”.

Mas não foi apenas pela lotação do ginásio em 2005 que Fabrício relembra o momento com saudosismo. Além de sentirem na pele o estrelismo que apenas modalidades mais tradicionais proporcionam – como o futebol, por exemplo – os bolonistas joinvilenses venceram a forte equipe de Timbó na casa dela. Diante da façanha coletiva, o técnico e atleta Valdir Niehues ainda comemorou uma conquista individual. “Eu abri com 27 pinos em cima do primeiro jogador e a diferença se manteve até o final do jogo. Isso contribuiu com a vitória”, orgulha-se.

Nos últimos dois anos Joinville repetiu o feito, e venceu em Brusque e Criciúma, nos anos de 2010 e 2011 respectivamente. Para esta edição dos Jasc, a expectativa é de fazer mais um arremesso em direção ao título, embora Valdir veja dificuldade nesta tentativa. “O time da casa (Caçador) é forte. A vantagem se reverte a eles”, confessa. Além disso, o técnico também revela que as diferenças da cancha e da maneira como lustram o material podem dificultar a vida de Joinville. “Aqui nós jogamos com cera. Lá eles passam óleo e vaselina, e a bola escorrega. É vantagem deles porque eles estão acostumados a jogar assim”.

Além de Caçador, Itajaí e Blumenau também oferecem riscos a Joinville no Bolão 16 masculino. Mas Valdir pondera que a equipe está preparada. Dos nove atletas que competem, oito são pratas da casa, e outro é o contratado Rogério Arkiê, do clube de Pinheiros – SP. “É o melhor jogador brasileiro”, diz o técnico. Da equipe, o mais novo boleiro tem 28 anos, e o mais velho, 62. Para o atleta Fabrício, a diferença de idade traz vantagens. “A experiência com a juventude não deixa o esporte cair em Joinville”, afirma.

Não é só para jogar Bolão que a equipe de Joinville se reúne. O local do treino mais parece, na realidade, um encontro de amigos. Conversas, petiscos e a alegria de se praticar um esporte que já traz, praticamente nas regras, fortes amizades. “Aqui somos uma família. Saímos para jantar, fazemos churrasco”, diz Fabrício. Para Valdir, a leveza e a vivacidade com que treinam podem ser consideradas uma das receitas para os títulos e conquistas desta unida equipe. “Aqui não tem profissional, é tudo amador. Ninguém ganha nada financeiramente. É só pela emoção de jogar”.

Quase no fim do treino Valdir fez um pedido especial. “Dá pra colocar que precisamos de novos atletas?”, perguntou, na intenção de fazer uma chamada para descobrir mais talentos joinvilenses. A equipe de Bolão 16 treina pelas segundas e quartas-feiras das 19h30 às 22h na Sociedade Alvorada. Qualquer pessoa com no mínimo 12 anos de idade pode comparecer. “Hoje em dia o garoto tem namorada, internet, e esquece do esporte”, lamenta. “Isso aqui é igual futebol, de 50, se aproveitam dois. Por isso precisamos de mais procura”, disse Valdir. O convite está feito.

 

Eles lutam por Joinville

Carlos Jr./ND
Cratecas em busca de mais espaço

Os golpes certeiros e o grito proferido na aplicação de cada um deles – chamado de kiai no caratê -  consomem a atenção da atleta Jeanis Colsoni, 27 anos, durante os treinos. Já durante as lutas, eles são praticamente apenas um ritual que a jovem mantém antes de subir ao pódio. É que a vitória, para Jeanis, já é quase lugar comum após as disputas. Desde os 18 anos ele compete nos Jasc, e foi campeã em todas as edições. Subir ao pódio já não mais causa vertigem na atleta, tão acostumada a grandes alturas.

Mesmo sendo uma das favoritas ao título, a carateca confessa ainda sentir frio na barriga durante os dias que antecedem os Jogos Abertos. A responsabilidade de representar a cidade e a maneira como toma a competição para si colaboram com a inquietude. “Quando chegam os Jasc vou ficando nervosa, porque é a minha competição. É a meta para mim”, diz. Uma das maiores gratificações para a atleta é vencer concorrentes que vieram de fora do estado, apenas para a disputa. “Eu me sinto honrada em desbancar contratados e de ser prata da casa. Luto pelo meu município”.

Nesta edição dos Jasc, os grandes adversários de Joinville são Florianópolis e Blumenau. O técnico Hortulano Belli inclusive já arrisca um campeão. “Quem vai levar é a capital, tanto no masculino quanto no feminino. Eles contrataram medalhas garantidas de fora”. Já na equipe de Joinville, dos 19 atletas que vão aos Jasc, tantos os homens quanto as mulheres são formados no município. A expectativa de Hortulano é fortalecer estes atletas para o ano que vem, quando a disputa será feita aqui. Por ora, ele apenas lamenta que não tenha contratado. “Quando há categorias em que o adversário é muito forte, eu também tenho que contratar. Mas sem apoio não consegui.”

Procura é menor para modalidade não olímpica

A ausência de uma grande quantidade de atletas, suficiente para levar uma forte equipe aos Jasc, é justificada por Hortulano pela falta de mídia do esporte. Por não ser modalidade olímpica, muitos atletas desistem antes dos 18 anos, e não recebem incentivo para continuar. “Não tem empresa que patrocina. Nossa briga é para que o caratê seja ao menos demonstração em 2016”. Ele também ressalta a importância do reconhecimento. “A primeira vez que apareci no jornal me empolguei e comecei a treinar mais.”

União que faz a diferença

Hortulano afirma que, se há algo que possa fazer a diferença nos 52 Jasc, é a união da equipe de Joinville. “Professores e técnicos estão todos convergindo e falando a mesma língua, para desenvolver o caratê na cidade”. Para ele, atualmente a modalidade em Joinville é bastante forte, e foram necessários oito anos para chegar a este patamar.

Páreo duro para o tênis de mesa

 

Carlos Jr./ND
Mesatenistas revezam função de técnicos e atletas na modalidade

 

Os Jogos Estudantis de 2001 deram novos rumos à vida de Janaína Peters. Nesta ocasião, a atleta joinvilense conheceu o técnico do tênis de mesa Celso Toshimi, que confiante no talento da garota, a convidou para treinar na equipe de base. Em 2003 a mesatenista participou do primeiro Jasc da carreira, como reserva. Desde então, competiu em quase todos, mas sem títulos.

Além de atleta, desde 2010 Janaína também é técnica na modalidade. A união de funções é o que garante maior retorno financeiro no esporte. Quem enfrenta a mesma realidade é Bruno Costa. Também atleta e técnico, ele vai para os Jasc com a consciência de não ter treinado o suficiente para a competição. “Nos preparamos apenas 3 meses para os Jogos, treinamos pouco, porque temos que conciliar funções”, afirmou.

Ao todo, dos nove mesatenistas que vão disputar os Jasc, tanto na equipe masculina quanto da feminina, cinco aliam os dois cargos. Além de Janaína e Bruno, o próprio Celso Toshimi , mesatenista de renome nacional, também vai para a competição. Apesar das dificuldades, ele reconhece que são os atletas mais bem preparados de Joinville para encarar os adversários. “São atletas de ponta na nossa cidade”.

Dividir tarefas não é o único contratempo enfrentado pela equipe de tênis de mesa de Joinville. O pódio torna-se uma realidade ainda mais distante principalmente porque o objetivo do esporte na cidade não é competir, e sim formar atletas. O único problema é que, para os adversários, a filosofia é outra. Segundo Toshimi, as contratações de fora dos rivais dificultam medalhas para as pratas da casa de Joinville. “Isso é um desestímulo para nossos atletas da cidade”, garantiu.

De tradicional a apenas mais uma equipe

Em meio à Associação Joinvilense de Tênis de Mesa, onde pratica e treina alunos, Celso Toshimi relembra dos bons tempos em que o esporte da cidade tinha reconhecimento no estado. Para ele, nos últimos dez anos, a tradição vem se dissolvendo. O principal motivo é justamente a desigualdade ao enviar atletas para os Jogos. Enquanto que em Joinville há apenas mesatenistas formados na cidade, os adversários contratam até mesmo atletas de nível olímpico para a competição.

É o caso de Itajaí. Lívia Gomes, campeã juvenil e sexta colocada no ranking nacional,é um nome de peso na equipe. Diante destas condições, Janaína Peters não está tão confiante no pódio. “Joinville terá que jogar muito bem para conseguir medalha”, lamentou, com os olhos fixos no bate e volta das tacadas em uma mesa.

Toshimi não esconde no rosto a falta de motivação para os Jogos deste ano. Para ele, terminar entre os seis primeiros já é uma conquista. “Até alguns anos atrás eu gostava de disputar os Jasc. Hoje, com tantos atletas paraquedistas nas outras equipes, estou desmotivado”, confessou. Mesmo assim, o técnico não deixa de acreditar na força dos atletas de Joinville. “Se a competição fosse apenas entre profissionais formados na casa, Joinville seria campeã”, acredita.

 

Pratas da casa que se vão

Todos os anos o judô de Joinville briga por títulos nos Jasc. Mas, segundo o técnico Paulo Sergio da Silva, nesta edição o cenário será outro. A equipe é toda formada por atletas dos Joguinhos. “Sem desmerecer estes jovens, mas os Jasc são uma competição adulta, e não temos atletas pra isso”, disse. Paulo considera positiva a grande participação de pratas da casa, apenas lamenta que muitos deles tenham saído para competir em outras cidades. Três atletas do masculino e dois do feminino, que disputaram os Joguinhos por Joinville, foram para outras cidades. “Os outros municípios fornecem mais dinheiro. Acabamos perdendo nossos pratas da casa”, lamenta.

Vitor Bindemann é um destes atletas que quase foi. No início do ano, foi convidado a competir por Biguaçu, mas preferiu permanecer na cidade de nascença pela emoção de disputar por Joinville. A paixão pelo esporte é tanta, que no ano passado competiu sem cobrar nada. “O atleta titular se machucou e eu fui chamado às pressas. Achei que não estava preparado e não cobrei. Acabei terminando em quinto lugar e ajudando Joinville a pontuar”, diz.

Para o ano que vem, Paulo quer resgatar parte dessa equipe que se foi. “Ano passado fomos campeões no feminino. Neste ano não vamos chegar nem no quinto”, arrisca. O baixo rendimento da modalidade está associada ao ano tumultuado, segundo o técnico. “O ano foi ruim para montar o trabalho, não tem incentivo”, disse. Fora isso, ele ainda diz que o judô não é visado como os outros esportes. “Enfiam dinheiro no futebol, mas e nas outras modalidades?”, questiona. 

 

 

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