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Há três anos, grupo “aluga” goleiros para disputa de partidas na Grande Florianópolis

Participam do projeto cerca de 25 atletas, que podem ser convocados para jogar em peladas nas mais diferentes quadras e campos da região

Diogo de Souza
Florianópolis
30/03/2018 às 21H22

Poucas funções no futebol encurtam a distância entre o céu e o inferno como a de um goleiro. É uma espécie de "abismo" com 2,44 metros de altura por 7,32 metros de largura, no caso do futebol de campo. Um passo, um milésimo de segundo ou até mesmo a ponta de um dedo envoltos em pitadas de sorte mudam a história de um confronto seja para a glória ou para a mais profunda escuridão povoada por almas penadas.

Lucas (à esq.) vive como goleiro de aluguel e Gustavo reforça o orçamento com os jogos de futebol - Marco Santiago/ND
Lucas (à esq.) vive como goleiro de aluguel e Gustavo reforça o orçamento com os jogos de futebol - Marco Santiago/ND


Também por isso o futebol é tão apaixonante. Ao passo que o seleto mundo milionário da bola se restringe a uma camada ínfima – se comparada ao número de sonhadores e praticantes – o esporte mais popular do mundo é sinônimo de saúde, paixão, terapia e dinheiro. Isso mesmo, dinheiro.

Um grupo denominado Aluguel de Goleiros Floripa, na Capital, disponibiliza dezenas de atletas nessa crucificada, rara e necessária função para peladas nas mais diferentes quadras e campos da Grande Florianópolis. Lucas Barbosa, 29, que responde pelo codinome Mineiro, revela o orgulho em sobreviver com o aluguel do seu passe, em média, cinco dias por semana. “Eu jogo dois, três jogos por dia, toda semana. Vivo 100% como goleiro de aluguel há dois anos, mais ou menos”, revela.

Por trás desse desafogo financeiro está Cayan Pasquini, 33, que é corretor de imóveis e hoje gerencia um grupo com aproximadamente 25 goleiros distribuídos em vários pontos da região. Cayan conta que o grupo começou há três anos com cinco goleiros que faziam treinamento com Anderson Moreira – atual treinador de goleiros do sub-20 do Avaí. “Aos poucos o pessoal foi desistindo por vários motivos e, assim, fui colocando novos goleiros. Uns eu conhecia, outros alguns clientes me indicaram, outros me procuraram no Facebook”, conta.

Como todo e concorrido meio do futebol, é preciso disciplina, compromisso e um teste para que a qualidade do “cardápio” seja a mais alta possível. “A gente precisa manter a qualidade, não adianta chegar lá, dizer ‘eu sou goleiro’ e deu, não corresponder. Querendo ou não, o pessoal está pagando e, assim, quer qualidade, né?!”, avisa.

Lucas Barbosa tem 29 anos e joga cinco vezes por semana como goleiro de aluguel - Marco Santiago/ND
Lucas Barbosa tem 29 anos e joga cinco vezes por semana como goleiro de aluguel - Marco Santiago/ND

Entre o sonho realizado e a esperança da profissionalização

Em meio ao grupo de Cayan tem quem almeje o profissional. É o caso de Gustavo Albino, 18, natural de Florianópolis sonhador confesso e apontado pelos colegas como pontencial atleta. Gustavo revelou que joga desde criança e está no grupo há cerca de um ano e meio.

“Primeira coisa que faço quando acordo é ver se já tem e onde há jogos confirmados. […] Estou tentando ainda ser profissional, treino todos os dias e busco testes para fazer”, garantiu Gustavo, ainda meio tímido.

Em meio a esse cardápio tem ainda Arthur Rodrigues Melzer, com 23 anos. Arthur jogou em categorias de base, entre elas, no Brusque, no Atlético de Ibirama e até internacionalmente no Talleres da Argentina. A partir das exigências do mundo, da idade e a frustração com o lado obscuro do futebol, abandonou os gramados até se mudar para Florianópolis sob a promessa de nunca mais jogar futebol, nem sequer peladas.

“Eu perdi o tesão pelo futebol. Vim para Floripa e logo conheci o Cayan que viu umas fotos no meu Facebook da época em que jogava. Ali que ele me perguntou, me fez uma proposta e tudo meio que recomeçou pra mim”, relembra.

Ao contrário de Mineiro, Arthur joga pelos campos da Capital em busca de um reforço nas finanças já que tem outros dois empregos para se dividir durante o dia. “Eu trabalho com exames de manhã, à tarde trabalho em um clube como preparador de goleiros e uso o aluguel como um reforço no orçamento. Ajuda muito”, garantiu.

Entre os adversários, jogadores consagrados no futebol catarinense

Em meio à surpresa natural na hora da contratação e à correria de toda a semana, os goleiros contratados se deparam com os mais variados tipos de peladas e confrontos. Rafael Silva, 35, natural de Florianópolis, lembrou de jogos com o meia Fernandes, ex-jogador, ídolo e atual gerente de futebol do Figueirense.

O antigo camisa 10 alvinegro tem uma quadra de futebol society onde joga regularmente e teve a oportunidade de enfrentar Rafael sob a trave. Outra experiência foi com Emerson José Lobo, o Jacaré, ex-jogador e atacante do Avaí no final da década de 1990 início dos anos 2000.

“É incrível como eles são diferenciados. Não à toa, foram profissionais. Até no bater na bola, eles não batem para machucar o goleiro ou dar pancada. Não, eles colocam a bola, parece que com a mão”, elogiou. 

Interessados devem entrar em contato com Cayan Pasquini (48) 98463-6480

Valores:

Futebol society: R$40,00

Futebol campo: R$60,00

Hora adicional: R$15,00

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