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Wanda Piazera Jahn atravessava a cidade de bicicleta para lecionar em Pirabeiraba

Professora, que irá completar 93 anos de vida, morava no bairro Floresta e usa a bicicleta para dar aula no Rio Bonito

Roberto Szabunia, especial para o ND
Joinville
07/11/2016 às 15H19

Wanda Piazera Jahn não era ciclista de competição. Longe disso. Nem mesmo técnica de alguma equipe de ciclismo. Mas experiência sobre o selim não lhe faltou. “Durante dois anos vinha de bicicleta todos os dias para dar aulas”, conta ela, revivendo o tempo em que foi professora do ensino primário na antiga Escola Isolada da Estrada do Oeste, hoje Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt. E o que tem de mais em ir pro trabalho pedalando? “Eu morava no bairro Floresta”, justifica a professora. Calcule o leitor a distância e a precariedade das vias, nos anos 60 do século passado, para pedalar do Floresta ao Rio Bonito.

Wanda Piazera Jahn morava no bairro Floresta e lecionava na atual hoje Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt - Fabrício Porto/ND
Wanda Piazera Jahn morava no bairro Floresta e lecionava na atual hoje Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt - Fabrício Porto/ND



Esse capítulo é um dos destaques na carreira de Wanda, que no próximo dia 8 de dezembro comemora 93 anos de vida. Neta de Ângelo Piazera, empresário italiano atuante no início da história de Jaraguá do Sul, Wanda nasceu no Hospital Dona Helena e se criou nas proximidades do colégio Rui Barbosa, onde hoje é o Bucarein. Terceira de uma prole de dezoito, desde criança sonhava ser professora. “Eu brincava de dar aula, e meus alunos eram gravetos de lenha, que eu adorava deixar de castigo”, relembra.

O primeiro colégio de Wanda era uma sala cedida pela empresa Linhas Corrente, na rua Inácio Bastos. “Entre minhas primeiras professoras estavam Rosa Alves e Antônia Alpaídes. Depois fui para o Rui Barbosa, o Conselheiro Mafra e o Santos Anjos, onde cursei o Normal e já comecei a dar aulas, no jardim de infância.” O início da carreira deu-se aos 16 anos.

 

Formada cinquentona

Do Santos Anjos, Wanda mudou-se para Blumenau, onde moravam parentes, e entrou para o corpo docente do colégio Santos Dumont. “Só fiquei dois anos em Blumenau, pois sempre pegava malária”, conta, justificando nova mudança, para a localidade de Brüderthal, em Guaramirim. Ali, além de consolidar a opção pelo magistério, Wanda acrescentou o Jahn ao sobrenome, ao casar-se em 1948 com Marcos, motorista da tradicional fabricante de conservas Roja (do primo Rodolfo Jahn).

No início dos anos 60, o casal optou por morar no Rio Bonito, e Wanda foi dar aulas na Escola Estadual de Três Barras, município de Garuva. Acompanhou a mudança para a Escola Isolada Estrada D’Oeste, em seguida denominada Escola Reunida Estrada D’Oeste (a história completa do que hoje é a Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt foi contada na edição de fim de semana, na série Memória da Escola).

“Era uma sala só para todas as turmas de 1ª a 4ª série. E não havia serventes, as professoras precisavam fazer de tudo um pouco, da limpeza à conservação, com a ajuda dos pais”, relembra. Três dos oito filhos foram seus alunos (duas filhas seguiram a carreira da mãe e se aposentaram como professoras). Foi nessa época que a família se instalou no Floresta, obrigando a professora Wanda a se exercitar diariamente na bicicleta. Além da escola do Rio Bonito, dava aulas de Educação Física no colégio Olavo Bilac, no Centro de Pirabeiraba.

Em 1974, aos 49 anos, formou-se em Pedagogia pela ACE. Aprovada em concurso, conseguiu vaga no corpo docente do colégio Dom Pio de Freitas, enfim pertinho de casa no Floresta. Aposentou-se em 1980, como professora no Gustavo Augusto Gonzaga.

Além dos oito filhos, Wanda viu a descendência aumentar em dezesseis netos e vinte bisnetos. “Hoje tenho netos e bisnetos morando nos Estados Unidos, no Panamá e até no Japão!”, conclui a eterna professora.

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