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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Uma vida em harmonia

Amor e saúde.Casal Quandt utiliza receitas simples para ter bem-estar.

Roberto Szabunia
Joinville
Fabrício Porto

 

União. Aos 80 anos, Wigand ainda exerce a profissão de garçom no 25 de Agosto; em casa, cultiva horta, sempre na companhia da sua Lika

 

Ele nasceu na Estrada Quiriri; ela, na Estrada do Pico, ambos no distrito de Pirabeiraba. Foram criados no árduo trabalho do campo, plantando e cuidando dos animais. Casaram-se, foram para a cidade, constituíram família e hoje colhem os frutos do amor e da dedicação. Literalmente, pois muito do que levam à mesa vem da horta que o casal mantém no quintal, no lar construído no bairro Saguaçu.

Wigand Quandt foi o primeiro a nascer, em julho de 1932. “Fui criado no meio de caboclos, mas não aprendi falar português antes de ir para a escola”, diz, ainda guardando a mistura de sotaques alemão e campesino. Frequentar as aulas, por sinal, era uma tarefa tão árdua para os sete irmãos quanto a lida no campo: “Não havia pontes, não ganhávamos material escolar e o único par de Conga era guardado para o desfile de 7 de setembro”. Na volta para casa, almoço e nova jornada no campo, plantando e colhendo aipim e araruta, entre outras variedades de hortaliças, tirando leite das vacas e buscando ração em outra propriedade da família. “Pelo menos conseguimos convencer meu pai a deixar de buscar ração aos domingos.” Para a missa no Rio da Prata, o trajeto era feito de carroça, “puxada por cavalos brancos”. Quando terminava o pão feito em casa, pirão d´água ou paçoca de farinha com bacon resolviam, até uma nova fornada. O leite fornecido pela criação era vendido para uma usina que existia em Pirabeiraba. “Levávamos os latões de leite de carroça, pegando também a produção da vizinhança. Melhorou tudo quando a usina comprou um caminhão”, acrescenta.

Angelina Voigt, quatro anos mais nova, teve uma infância e adolescência parecidas com a de Wigand. “Éramos quatro irmãs, e eu comecei a trabalhar cedo, na Tecelagem Pirabeiraba”, conta Angelina, conhecida como Lika. O casal se conheceu num baile no antigo salão Bigode Branco. Casaram-se em 1956, mas seis anos depois trocaram Pirabeiraba pelo Bom Retiro. “Todo ano enfrentávamos enchentes dos rios Cubatão e Seco. A água entrava em casa e também afetava a plantação. Cansamos de tanto prejuízo.”

 

 

Fotos: arquivo pessoal/ND
De ontem. O casamento, em 1956...

 

 

 

... Wigand, na Wetzel em 1962, ao lado do Gordini, um dos carros que ele dirigia na empresa

 

“Todo ano enfrentávamos enchentes dos rios Cubatão e Seco. A água entrava em casa e também afetava a plantação. Cansamos de tanto prejuízo.” Angelina Voigt

 

 

Vida na cidade

Em 1962, Wigand empregou-se na empresa Kupsch, na rua Jaguaruna. Ficou pouco tempo, até quebrar a perna e permanecer afastado. Recuperado, trabalhou durante oito anos na Cia. Wetzel, como motorista, entregando encomendas de velas e sabão nas cidades da região. “A empresa fazia questão que os motoristas almoçassem nos melhores restaurantes”, destaca.

Mais tarde, Wigand comprou seu próprio caminhão e passou a fazer fretes. Até hoje mantém esse serviço, numa fiel Kombi. Também pode ser encontrado no 25 de Agosto, onde é garçom, profissão exercida desde 1965. Nas horas vagas, cuida da horta onde planta aipim, cará, mamão e outras variedades, garantindo alimentos frescos e livres de agrotóxicos na mesa. Nos anos 70, Wigand foi presidente da Sociedade União Mildau.

Pais de Loni, 55 anos, Norberto, 54, e Adilson, 47, Wigand e Lika têm quatro netos e três bisnetos. Para não ficar parados em casa, freqüentam os clubes da terceira idade Nova Esperança, de sua Pirabeiraba natal, e o Centro Urbano do Costa e Silva.

Outra diversão de Wigand é pescar em Barra do Sul, onde a família tem casa. “O importante – conclui Wigand Quandt do alto de sua experiência de quase 80 anos e vitalidade para dar e vender – é ter saúde. Sem isso, as opções são ficar na cama ou no boteco enchendo a cara. Prefiro cuidar da horta e pescar.”

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