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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Um estilista feito sob medida para fazer brilhar nos salões de Joinville

Há 30 anos, Eluiz mudou o rumo de sua trajetória profissional e descobriu sua verdadeira vocação: a moda

Maria Cristina Dias
Joinville
FABRÍCIO PORTO/ND
Eluiz está reunindo suas criações de diferentes décadas para exposição e série de eventos que vão marcar seus 30 anos de profissão

 

O destino do jovem Edson Luiz Gonçalves parecia ser a indústria metalúrgica. Mas por volta dos 30 anos, ele decidiu mudar sua trajetória. Investiu em uma nova profissão, desbravou o mercado de alta costura em Joinville e gravou seu nome, Eluiz, na história da moda na cidade.

Nascido há 59 anos, em Joinville, e criado no bairro Boa Vista, seus pais tinham um pequeno bar e depois restaurante ao lado da Fundição Tupy. Adolescente, ajudava a servir os funcionários da empresa e pensava no que iria ser quando crescesse. A vontade era explorar a criatividade e estudar artes dramáticas em São Paulo – um sonho que acabou quando ele e o pai foram ao local e colocaram na ponta do lápis o custo dessa formação. “Olhamos daqui, olhamos de lá, calculamos... e voltamos. Não era viável”, recorda. O pai buscava uma profissão segura para o filho e acenou com a possibilidade de carreira militar, na Aeronáutica. “Eu disse não!” O jeito foi seguir o caminho que parecia desenhado para ele desde menino: a Escola Técnica Tupy.

Com isso, a vida parecia encaminhada. Se formou em técnico em metalurgia e, aos 20 anos começou a trabalhar na Tupy, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento. Foram seis anos. Depois, foi para o Rio de Janeiro, voltou para a empresa, começou as faculdades de direito e de matemática, conheceu a ex-mulher e casou no início dos anos 1980.

Porém, faltava algo na vida profissional. A moda sempre esteve presente em sua vida, de uma forma ou de outra. Desde cedo, costumava criar as suas próprias roupas. Fazia os croquis e levava para uma costureira executar os projetos. Mas ainda era pouco.

 

Ex-sogra deu o empurrão que faltava

O empurrão que faltava para se dedicar a isso veio da própria família. Conta que a sogra, Gerda Schmalz, era modista, dona da tradicional Casa Margarida, na rua 15 de Novembro, e excelente costureira.”Descobri que ela tinha feito um curso na escola de Belas Artes de Monique. Tinha os livros de alfaiataria, de corte e costura... e eu, com a ajuda dela, comecei a estudar nesses livros”.

Daí a começar a desenvolver os primeiros modelos e oferecer para os conhecidos foi um passo. Mas a entrada no mundo da alta costura em Joinville ocorreu mesmo quando seu trabalho chegou à Harmonia-Lyra que, na época, sob comando de Elisa Rück, abrigava as grandes festas na cidade. “Ela abriu as portas da Lyra, da casa dela”, recorda. Assim, na metade da década de 80, um desfile na tradicional sociedade de Joinville apresentou a primeira coleção prêt-à-porter (pronto para vestir) do estilista, que passou a assinar como Eluiz - e marcou o início oficial de uma carreira repleta de brilho que completa 30 anos.

Na época, quem desejava um vestido exclusivo para brilhar precisava buscar em Curitiba, Florianópolis, São Paulo ou no exterior. “O campo estava livre em Joinville”, recorda ele, que abriu um atelier na rua Princesa Isabel, na antiga casa da sogra, e se dedicou a fazer vestidos de festa, com a ajuda de modistas – chegou a ter 12 pessoas trabalhando no local. Ao mesmo tempo, buscou especialização em cursos como o “Esmod Paris”, um local de formação em alta costura que foi precursor das faculdades de moda que surgiram nas décadas seguintes.

 

Uma parceria de 25 anos

Para criar, Eluiz ia para a São Paulo e percorria as lojas de tecido e armarinhos em busca de novidades em materiais. Na época, quem desenhava era a ex-esposa Carla, que também atendia os clientes no atelier – uma parceria de 25 anos. “Ela passava minha ideia para o papel”, explica ele, lembrando que o auge desse movimento foi dos anos 1980 a 2000. “Tinha muita festa na cidade.”

Exclusivos e artesanais, os vestidos eram bordados a mão e podiam levar meses para ficar prontos. Um deles chegou a levar oito meses. Hoje, os grandes eventos sociais já não são tão comuns e a procura de trajes é maior para casamentos.

Para marcar estes 30 anos de alta costura em Joinville, Eluiz voltou às clientes antigas e reuniu dezenas de vestidos que marcaram a vida social na cidade. E prepara exposição no Museu de Arte de Joinville para expor os trajes e contar esta história. A alta costura continua uma paixão. “Amo fazer isso. É paixão pela moda, pelo novo, pela criação”, define.

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