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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Susana Vargas usa a pintura em tecido na decoração dos vestidos das rainhas das festas de região

Com muita criatividade, ela mantém a tradição, aliando-a com os bordados, em busca de mais beleza e leveza

Maria Cristina Dias
Joinville
Rogério Souza Jr./ND
Susana realiza na atividade todos os sonhos de menina, quando dava vazão à criatividade pintando os objetos da casa

 

A artesã Susana Vargas brinca com as tintas desde menina. Mas há cerca de seis anos, resolveu levar suas técnicas e pincéis para uma nova “tela”: os vestidos das rainhas das festas típicas da região. Antes confeccionados em tecidos encorpados e bordados à mão, eles ganharam leveza e um colorido especial com os ramos de flores - e ficaram mais acessíveis às jovens que sonham em participar de concursos e festas das sociedades regionais. Com isto, ela dá sua contribuição para que a tradição seja mantida, e, ao mesmo tempo, renovada.

Susana conta que a mãe já pintava panos de prato e ela, com cinco anos, queria pintar também. Um dia, ganhou um cachorrinho de louça, que a cada dia ganhava uma nova cor. “Foi verde, azul... pintava com guache, lavava e pintava de novo”, comenta ela, que aos nove anos fez o primeiro curso de pintura em tecido. “E me deixaram pintar de verdade”, brinca.

Em 1991, aos 14 anos, um fato marcou definitivamente a sua vida: foi eleita a Rainha da Festa do Colono, da Sociedade Rio da Prata. Na época, não tinha vestido para alugar, como ocorre hoje. O jeito foi buscar a ajuda de uma costureira para fazer o traje sob medida e depois levá-lo a São Bento do Sul, para ser bordado à mão. De veludo preto e ornamentado com flores bordadas, o vestido era lindo, mas pesado, quente - e caro. “Ainda bem que era julho”, lembra ela, que ainda conserva o traje.

A partir daí, Susana não se desligou mais da Sociedade Rio da Prata. Hoje, participa do grupo de Atiradores e coordena o concurso da Festa do Colono, um dos pontos altos do tradicional evento. Além disso, é secretária do Sindicato Rural, atua nos grupos de Desenvolvimento da Mulher Rural e é presidente do grupo da Casa Krüger, que reúne cerca de dez mulheres da área rural que comercializam seus produtos. Neste caso, os vestidos são deixados de lado e entram em cena panos de prato, caminhos de mesa, camisetas e enxovais para bebês.

Unir à pintura aos trajes das rainhas e princesas é algo mais recente. Há anos Susana conhece Carmen Gehrmann, referência na confecção deste tipo de vestimenta. Mas só há cerca de seis anos é que a pintura começou a dividir espaço com os bordados.

A adoção da técnica trouxe mudanças às roupas. Para começar, os tecidos já não precisavam mais ser tão encorpados – ganharam leveza e ficaram mais frescos. O tempo de confecção diminuiu. Um vestido pode levar até três meses para ser bordado. Para ser pintado, até duas semanas. “Ficou mais acessível”, garante a artesã, que faz de quatro ou cinco vestidos novos por ano, principalmente para a Festa do Colono e para a Festa da Colheita, da Sociedade Dona Francisca. A quantidade pequena de novos vestidos tem uma explicação: embora o uso seja maior, a maioria das meninas prefere alugar os trajes.

As pinturas também podem ser observadas na Festa das Flores, que a contrata para ornamentar os vestidos. “As rainhas das Festas das Flores têm dois jogos: um pintado e um bordado”, conta, revelando as que as faixas da “realeza” já usam o recurso da pintura há mais tempo.

Para ela, mais que uma atividade profissional, ornamentar os vestidos é um grande prazer e uma forma de contribuir para a realização dos sonhos de muitas jovens “É uma realização ver eles 'dançando'. As meninas curtem e a gente também”, revela.

Para o futuro, a meta é continuar envolvida nas atividades do Sindicato Rural, onde é responsável pela divulgação e organização de diversos cursos de profissionalização. Um deles, em parceria com a Fundação 25 de Julho, ocorrerá em 5 de março na Sociedade Rio da Prata e será uma feira de produtos coloniais e artesanais, todos produzidos na área rural de Joinville. “Posso dizer que estou mais focada em incentivar e divulgar esse tipo de trabalho... Ajudar mais pessoas a se profissionalizar e gerar renda através de suas possibilidades aqui mesmo na nossa região”, afirma.

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