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SC-401 em números: a rodovia de Florianópolis é a líder em mortes e acidentes

De 2001 a agosto de 2017 a estrada estadual mais perigosa de Santa Catarina registrou mais da metade de mortes do que as outras seis rodovias de Florianópolis juntas

Felipe Alves
Florianópolis
07/09/2017 às 11H43

Não é à toa que a SC-401, que tem um trecho no Sul da Ilha e se estende principalmente ao Norte da Ilha, ganhou a fama de rodovia da morte. De 2001 a 17 de agosto de 2017, pelo menos 206 pessoas morreram ao longo dos 25 quilômetros da rodovia. Ciclistas, motoristas, motociclistas e pedestres engrossam um número que não para de crescer. Comparando as sete rodovias estaduais de Florianópolis, em todos os cenários a SC-401 lidera: é a campeã do número de mortes, tem o maior número de acidentes com vítimas e mais feridos em acidentes.

Pedestre pula a mureta que separa as pistas da SC-401 e atravessa a rodovia em meio aos veículos - Flávio Tin/ND
Pedestre pula a mureta que separa as pistas da SC-401 e atravessa a rodovia em meio aos veículos - Flávio Tin/ND



Nos últimos 17 anos, 351 pessoas perderam a vida nas sete rodovias estaduais da Capital. Somadas as mortes nas outras seis estradas, o número (145) não chega perto das 206 pessoas que morreram somente na SC-401. A segunda rodovia com mais mortes é a SC-406, que liga o Norte ao Leste da Ilha, com 67 vítimas fatais nos últimos 16 anos. Somente este ano, dos dez mortos em rodovias estaduais na Capital, oito foram na SC-401.

Quando se analisa o número de feridos em acidentes por ano, a SC-401 também lidera. Das 12.808 pessoas que ficaram feridas nos últimos 16 anos nas sete rodovias da Capital, 40% (5.053 pessoas) tiveram algum tipo de ferimento somente nesta estrada.

Em uma proporção entre mortos por acidentes com vítimas, a rodovia também se mostra a mais mortal: a cada 100 acidentes com vítimas cinco pessoas perdem a vida na SC-401. Ao separar a SC-401 em seus dois trechos (19 quilômetros no Norte e seis quilômetros no Sul), o trecho Norte lidera os números de mortes e acidentes com vítimas não só em números absolutos, mas proporcionalmente também.

Gráfico1 - Gráfico
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 Tragédias nos fins de semana

As estatísticas detalhadas de acidentes do trecho Norte da SC-401 corroboram uma realidade sentida diariamente por muitos: é nos fins de semana e durante a madruga e a noite que acontecem o maior número de acidentes e mortes. De 2011 a 2017, das 56 mortes na SC-401 exatamente a metade aconteceu entre sábado e domingo. Se a sexta-feira for incluída são 38 mortes neste período, ou seja, 67% das vítimas fatais perderam a vida entre sexta e domingo.

O horário também diz muito sobre o padrão de acidentes e mortes na rodovia. As 36 mortes ocorridas durante a madrugada e a noite nestes sete anos no trecho Norte representam 64% do total de 56 mortes. Comparativamente, terça, quarta e quinta-feira são os dias com menores índices de mortes (foram oito no total) e o período da tarde também registra o menor número de vítimas fatais (também oito).

“O que era pra ser exceção está virando regra”

O grande nível de urbanização da SC-401 aliado à imprudência constante são os principais fatores que levam aos altos números de mortes e acidentes na rodovia, de acordo com o tenente-coronel Fábio Martins, da PMRv (Polícia Militar Rodoviária). Ao analisar os dados, Martins lembra que é preciso levar em consideração a extensão da 401 (25 quilômetros) e seu volume médio diário de veículos, mais de 60 mil por dia.

“É uma rodovia extremamente urbanizada, com muitas saídas e entradas, empreendimentos ao longo da estrada e bairros numerosos. Aliado a isso temos a imprudência dos condutores”, afirma. O tenente-coronel cita a recorrência de graves infrações que levam a trágicos acidentes, como excesso de velocidade, ultrapassagem forçada e consumo de bebidas alcoólicas.

Nas madrugadas e nos fins de semana a imprudência é maior. Diante do último acidente com duas mortes na SC-401, em 13 de agosto, a PMRv anunciou a intensificação de blitze na região, que tem grande número de casas noturnas. De acordo com Martins, as estatísticas da SC-401 têm relação direta com essas festas e eventos. “A embriaguez potencializa os acidentes. Os de natureza leve se tornam graves ou gravíssimos porque o motorista está com a percepção alterada, em excesso de velocidade e força a ultrapassagem”, diz.

Com seis policiais por escala, o efetivo da PMRv não é suficiente para dar conta de todas as rodovias. Para Martins, a saída seria outros mecanismos como equipamentos de controle de velocidade fixos e um esforço coletivo para conscientizar as pessoas. “A fiscalização teria que coibir as exceções. O problema é que o que era pra ser exceção está virando regra. É muita gente imprudente, bebendo e dirigindo”, afirma.

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