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Porto de Imbituba entra na rota de navios de longo curso

A partir de setembro, terminal de Imbituba será incluído nas linhas que atingem a Ásia

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
01/11/2017 às 11H40

O dia 1º de setembro marcará a entrada do porto de Imbituba na rota das linhas de longo curso, que incluem países da Ásia e América do Sul. O navio Cap. San Juan, de Hamburg Süd, virá de Montevidéu para embarcar contêineres, seguindo depois para outros portos do litoral catarinense, Santos e daí para a China, Japão e Indonésia. “Esta linha é resultado de um trabalho de longo prazo que incluiu, entre outras providências, o aumento da capacidade do berço para 15 metros, agora o mais profundo do Brasil”, diz o superintendente do porto, Luis Rogério Pupo Gonçalves. Investimentos superiores a R$ 5,2 milhões foram realizados nos últimos meses para aumentar a infraestrutura e melhorar as condições de operação do terminal.

Melhorias realizadas aumentaram o calado e a capacidade do terminal - Divulgação/ND
Melhorias realizadas aumentaram o calado e a capacidade do terminal - Divulgação/ND



O calado maior permitirá a atracação de grandes navios e o uso da capacidade total de carga, o que representa um importante diferencial de competitividade. “Estamos trabalhando na prospecção de novas linhas, abrindo caminho para o transporte de mais cargas para os países sul-americanos e os Estados Unidos”, informa o superintendente. Imbituba é o destino final da ferrovia que traz produtos minerais e carne de frango de abatedores do Sul do Estado. Com maior capacidade, Pupo Gonçalves estima que empresas da serra gaúcha e do Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul optem por exportar pelo terminal catarinense. Também houve investimentos na melhoria do acesso da BR-101 até o porto.

O superintendente destaca ainda que a iniciativa privada investiu R$ 100 milhões de um ano para cá, mesmo com a retração da economia, o que indica a confiança nas potencialidades do porto. O aumento da capacidade do terminal terá fortes reflexos na cidade e região. Vultosos recursos vêm sendo aplicados em novos armazéns e em empreendimentos que possam aproveitar o incremento dos negócios. A Santos Brasil, maior operadora da América Latina, participou dos investimentos para a ampliação e construção de um novo berço.

Outro fator positivo é a retroárea, que foi expandida e conta hoje com 800 mil metros quadrados, podendo ser ampliada para 1,5 milhão de metros quadrados. Operando há 100 anos, o porto de Imbituba sempre foi o terminal de exportação do carvão extraído no Sul catarinense, mas agora já existem sete plantas de produção de proteína animal na região. Também a produção de indústrias metalmecânicas de alguns municípios de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul (sobretudo Caxias do Sul, importante polo industrial) podem fazer uso do porto. “Temos tarifas competitivas e boa estrutura para atrair mais cargas para o terminal”, diz o superintendente Luis Pupo Gonçalves.

A conclusão da pavimentação da BR-285, que vai de Araranguá a São Borja, na fronteira com a Argentina, e que tem um trecho inconcluso entre Timbé do Sul (SC) e São José dos Ausentes (RS), pode facilitar a concretização dos planos do superintendente. “Com a obra pronta, a distância entre a serra gaúcha e o porto ficará em apenas 300 quilômetros, permitindo a ida e a volta à origem no mesmo dia”, afirma.

Movimento de cargas em elevação

Em 2016, o porto de Imbituba movimentou 4,8 milhões de toneladas de carga, o que representou um aumento de 140% em relação a 2012 (ano em que Pupo Gonçalves assumiu o cargo), quando o volume chegou a 2 milhões de toneladas. Para 2017, a previsão é de um incremento de 10% em relação ao ano passado. A movimentação de contêineres, próxima de 60 mil TUs, ainda é pequena, mas deve crescer 100% na comparação com 2016, estima o superintendente.

O movimento de cargas teve um acréscimo importante nos últimos meses. Em janeiro, foi de 235,6 mil toneladas, subindo para 465,4 mil toneladas em maio. Nas primeiras semanas de agosto, superou as 242 mil toneladas, atestando que o crescimento é permanente e seguro. O recorde foi batido em junho, com a movimentação de 490,5 mil toneladas de cargas.

Este mês, a ressaca que atingiu todo o litoral catarinense forçou o fechamento do porto durante vários dias. A retomada das atividades foi na última quarta-feira, dia 16, com a melhora das condições climáticas. No período mais crítico, quatro navios tiveram que esperar pelo fim da agitação do mar e pela redução da velocidade dos ventos na área de fundeio.

 

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