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Otorrinolaringologista de Joinville completa seis décadas de uma vida dedicada à medicina

Udelson Rezende Duarte, 86 anos, foi o primeiro especialista da área a trabalhar na maior cidade de Santa Catarina

R. Szabunia, Especial ND
Joinville
26/12/2016 às 11H09

Em seu currículo, já encadernado e a caminho de virar livro, o médico Udelson Rezende Duarte enfatiza a expressão “uma existência devotada à medicina”. Nada mais certo, pois dos seus 86 anos de vida, 60 foram dedicados à profissão. Primeiro otorrinolaringologista de Joinville, o doutor Udelson fechou no ano passado a clínica no tradicional endereço na esquina das ruas Rio Branco e das Palmeiras e encerrou seu ciclo no Hospital Dona Helena, ganhando uma justa homenagem na comemoração do centenário da instituição.

“Minha profissão, Joinville e minha mulher são o que há de mais importante. O balanço que faço da vida é o mais positivo possível”, diz o médico, ainda em sua mesa de trabalho, na clínica transformada em escritório.

Udelson Rezende Duarte no antigo consultório, onde ainda mantém escritório - Carlos Junior/ND
Udelson Rezende Duarte no antigo consultório, onde ainda mantém escritório - Carlos Junior/ND


Mineiro de Frutal, Udelson Rezende Duarte comemora o aniversário junto com Jesus, no dia 25 de dezembro. Mas nasceu antes: “Naquele tempo, numa cidade pequena, as pessoas demoravam para registrar os filhos, pois precisavam ir a outra comarca. Na verdade, nasci no dia 25 de novembro de 1930”.

Penúltimo de meia dúzia de filhos, foi batizado segundo uma tradição familiar de nomear os filhos com a mesma inicial. “Meus irmãos ganharam os nomes Umbelina, Urandi, Ubiraci, Ubiriana e Ulisses”, enumera Udelson.

Dada à proximidade com o Estado de São Paulo, os estudos iniciados na cidade-natal foram concluídos nas paulistas Barretos, Bebedouro, Oswaldo Cruz e na capital. Até chegar ao ensino médio, sua opção profissional passava longe da medicina: “Queria ser arquiteto, mas um fato me fez mudar de foco. Em 1947 estudava num colégio de alto gabarito, como interno. Um dia, chegando em casa para as férias, minha mãe me contou, entre lágrimas, que meu pai tivera um grande prejuízo na pecuária, impedindo que eu continuasse no caro colégio. E também me falou que seu maior desejo era que eu me formasse médico. Fui então para São Paulo, onde concluí os estudos e trabalhei como bibliotecário. Aí um colega me arranjou emprego em Curitiba, e lá mesmo fiz o vestibular. Fui da primeira turma federalizada da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná”.

 

Pioneiro em Joinville

Enquanto estudava, já tendo optado pela especialidade de otorrinolaringologia, Udelson ocupava as folgas e os fins de semana trabalhando no Serviço de Atendimento Médico Domiciliar de Urgência e Ambulatorial (precursor do atual Samu). Formado em 1955, no final daquele ano se mudava mais para o Sul: estabeleceu-se em Joinville, atendendo convite do colega de faculdade Aldo Urban, nativo da cidade. “Abrimos a Clínica de Olhos, Ouvidos, Nariz e Garganta. Ficamos juntos dois anos, até cada um montar clínica em sua especialidade. Em 1956, ambos fomos admitidos nos corpos clínicos dos hospitais São José e Dona Helena.”

Primeiro em sua especialidade em Joinville, Udelson precisou se desdobrar nos primeiros anos, até mesmo atendendo em outras áreas da medicina. “Aí vi como foi importante o trabalho no Samdu em Curitiba”, reconhece. Também precisou aprender o alemão, idioma comum na cidade. Sempre antenado no avanço tecnológico, já em 1958 Udelson trouxe a Joinville o primeiro equipamento para realizar microcirurgias (o microscópio, assim como outros aparelhos e livros, foram doados ao Hospital são José, ao Centrinho e à Univille quando o médico se aposentou).

Ainda em seu primeiro ano em Joinville, certo dia Udelson atendeu ao convite do amigo Aldo Urban para ir a um evento na boate da Lyra. “Eu, na minha simplicidade, destoava daquele ambiente requintado. Mas tudo ganhou outra cor quando vi, ao piano, uma moça deslumbrante. Meu queixo não caiu porque estava preso. Foi paixão imediata. Como tudo na vida é persistência, me apresentei e decidi que ela seria a minha companheira. Algum tempo depois, fui convidar os pais dela para o baile dos médicos.” Maria de Lourdes Dória, a Lourdinha, neta do fundador da Farmácia Minâncora, Eduardo Gonçalves, anexou o Duarte ao seu sobrenome no dia 9 de fevereiro de 1957. Nas bodas de ouro, presenteou a mulher com um jardim greco-romano, idealizado por ele mesmo – “Mesmo escolhendo a medicina, estudei arquitetura e fiz algumas plantas”, revela. Além de manter sua clínica e trabalhar no Dona Helena, Udelson Rezende Duarte foi um dos fundadores da Unimed Joinville.

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