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O colégio que foi construído graças à doação de morador da zona Sul de Joinville

Escola Municipal João Costa tem nome em homenagem ao benfeitor

R. Szabunia, especial para o Notícias do Dia
Joinville
11/11/2016 às 20H43

Ao receber, quarta-feira passada, a visita do rapper Gabriel Pensador, a Escola Municipal João Costa praticava, fora da sala de aula, mas no ambiente escolar, aquilo que preconiza sua Missão: “Ensinar conhecimentos historicamente construídos, bem como habilidades, valores e atitudes aos jovens estudantes, possibilitando-lhes uma educação de qualidade". A ilustre visita era parte da recompensa – além de notebook e livros – ao esforço de uma de suas professoras, Marlete Teresa Rodrigues Cardoso, vencedora do concurso cultural Todos Juntos Transformando a Educação. “Não quero ensinar os alunos a ler, mas a gostar de ler”, enfatiza a professora, reforçando a Missão do colégio.

Diretora Margareth Terezinha Trentini Berri (direita) está desde 2015 no João Costa - Fabrício Porto/ND
Diretora Margareth Terezinha Trentini Berri (direita) está desde 2015 no João Costa - Fabrício Porto/ND



“Nossos alunos representam 629 famílias da região, a maioria de um perfil socioeconômico e cultural privilegiado, e procuramos oferecer um ensino moderno e adequado à realidade local”, diz a diretora Margareth Terezinha Trentini Berri. Com 35 anos de carreira, desde agosto de 2015 no João Costa, Margareth acumula a experiência vivida nos colégios Sadalla Amin Ghanem, Pauline Parucker e Júlio Machado da Luz, além de passagens pelas secretarias municipais de Assistência Social e de Educação.

 Mesa docente e familiar

No dia da reportagem, diversas ex-diretoras sentavam-se à mesa, no confortável auditório que compõe a invejável estrutura do colégio, o maior do bairro que tem o mesmo nome de um grande benfeitor da zona Sul. Junto com elas, cinco dos oito filhos vivos de João da Costa (ainda que o nome de batismo inclua a contração “da”, escola, rua e bairro foram batizados apenas como João Costa). Proprietário de amplas extensões na confluência dos atuais bairros Itaum, Jarivatuba e do que leva seu nome, João da Costa doou, entre muitos outros, o terreno onde se ergue o colégio.

“Várias gerações do patrono passaram por aqui, assim como de muitas famílias dos bairros João Costa, Itaum, Jarivatuba e imediações”, ressalta Else Sant’Anna Brum, 80. Else entrou no João Costa em 1976 para dar aulas, dois anos depois passou a auxiliar de direção e de 1979 a 89 foi diretora, aposentando-se em seguida, para se dedicar à literatura infantil.

“Quando entrei – relembra – havia só quatro salas para 390 alunos do 1º ao 4º ano. Ao sair, deixei 13 salas e mais de 1.300 alunos até o 8º.”

Sucedeu-a a colega Brígida Maria Erhardt, por sua vez substituída em 2013, ao se aposentar, por Mari Celma Matos Martins Alves (por sinal ex-aluna do mesmo colégio, onde lecionava desde 1994). De 2013 a agosto de 2015 foi a vez de Célia de Oliveira Tobis, que passou o bastão à atual diretora.

Entre as “ex” que compareceram ao chamado estavam as professoras Neusa Maria Hames Tavares e Tania Regina Corrêa. Enquanto Neusa lecionou de 1987 a 2014, Tania passou toda a carreira, de 1982 a 2013, no João Costa. “Comecei e me aposentei aqui, ensinando três gerações de alunos, entre eles meus dois filhos”, orgulha-se. Na hora da foto, no pátio, uma terceira personagem fez questão de sentar-se entre as duas mestras. “Devo à Tania muito do que sou hoje”, agradece Cristiane Daniela Trevizan, ex-aluna e professora no João Costa há sete anos.

 

O campo do Horizonte

Dos 12 filhos do casal João e Maria Júlia da Costa, oito ainda vivem, e cinco deles foram até o colégio. Todos estudaram na antiga Escola Bupeva, hoje a Escola Municipal Oswaldo Cabral, mas as gerações seguintes tiveram e ainda têm representantes na escola que leva o nome do avô, bisa e trisa.

“Aqui onde é o colégio – conta Octávio, 89 anos – antigamente era o campo de um clube de futebol chamado Horizonte, que depois virou o Almirante Tamandaré, hoje sediado na Colina.” Ministro da Eucaristia na paróquia do bairro, Octávio reforça o caráter altruísta do pai: “Ele e a mamãe eram humildes, dedicados à comunidade”.

Outro filho presente era Alexandre José, 88. Se não estudou naquela escola, deixou sua marca no terreno, jogando pelo Tamandaré, assim como o irmão Manoel, 80. “Chegamos a pedir na Prefeitura que mudassem o nome de bairro Bupeva para Itaum Costa”, ressalta Alexandre.

“Mamãe morreu com 100 anos, 11 meses e quatro dias”, fazem questão de acrescentar os irmãos. Completavam o lado familiar da mesa as manas Dulce, 76, e Terezinha, 73. Faltaram Maria, João e José, além dos já falecidos Bento, Abel, Bernardino e Júlia.

À cabeceira, como um símbolo de união entre colégio e família, sentava-se Carminda, filha de Bento da Costa e atualmente secretária no colégio.

No pátio, pouco depois, juntavam-se à família os alunos Marcos Abel, Filipe José, Gustavo Henrique e André Luis, todos bisnetos de João da Costa; e Isadora, trineta; e no período da tarde ainda são alunos o bisneto Samuel e o trineto Rian Davi. Todos orgulhosos por integrar duplamente a família Costa.

 

Bender atende à comunidade
“Nós fizemos um pedido ao então prefeito Nilson Bender para que construísse uma escola aqui, já que a mais próxima era a do Bupeva. Meu pai doou o terreno e o prefeito fez sua parte”, relembra Octávio da Costa, resumindo a gênese do estabelecimento. Bender decidiu batizar a escola com o nome do benfeitor, presente à cerimônia de inauguração em 1968.

Numa área de 5,5 mil metros quadrados foi edificada a primeira área coberta, com 469 m². As atividades escolares iniciaram-se com 13 funcionários e 238 alunos, nos turnos matutino e vespertino. A primeira diretora foi a irmã Olindina Santa da Silveira.

Em 1970, já com o turno intermediário, havia 365 alunos. Em 1976 foi feita a primeira ampliação, construindo-se gabinete da diretoria, secretaria e mais uma sala de aula, passando a área coberta para 623 m².

Em 1980, com 686 alunos, nova ampliação, para 1.259 m² de área coberta e 11 salas. No ano seguinte abriu-se a primeira série do antigo ginásio (hoje 6º ano). Mais dois anos e criou-se a 6ª série, aumentando o número de alunos para 900. Também em 82 o colégio ganhou a quadra de esportes.

Novas ampliações físicas e criações de turmas foram se sucedendo até que, em 1999, o prédio passou por uma reforma geral e ganhou o segundo pavimento, com auditório e sala de informática, e ampliou-se o pátio coberto. Em 2004 foi construída a quadra coberta.

 

Dados

O colégio hoje
Salas de aula: 16

Alunos: 834, do 1º ao 9º ano
Funcionários: 60, sendo 42 do corpo docente

Projetos: Sacola de Leitura, Horta Pedagógica, Jardim Sensorial, taekwondo, Dança na Escola, teatro, Jovens e Atitudes, Proerd e Mais Educação

Ideb: 7,1 nas séries iniciais e 5,4 nas finais

Endereço: rua Monsenhor Gercino, 3.900, bairro João Costa

Telefone: (47) 3466-0549

E-mail da escola: emjc@joinville.sc.gov.br

E-mail da sala informatizada pedagógica: emjoaocosta2010@gmail.com

 Pouco estudo, muita visão

Nascido no dia 3 de janeiro 1897 em Joinville, João era filho do português João José da Costa e de Júlia de Oliveira Borges. Seus estudos foram precários, tanto devido à falta de recursos financeiros da família, quanto aos dez quilômetros que o separavam da escola mais próxima. Desde criança, porém ajudava os pais no trabalho na agricultura.

Em 1921, casou-se com Maria Magdalena Fernandes, com quem teve um único filho, falecido com poucos meses de vida em 1922. No mesmo ano João perdia a esposa.

Em 1924, abriu uma pequena fábrica de cachaça, com a qual começou a formar um patrimônio, adquirindo terras na então inóspita região do que hoje forma a populosa zona Sul.

Casou-se novamente em 1925, com Maria Júlia Pereira. O primeiro filho, Miguel, faleceu logo após o parto. Seguiram-se 12 filhos, o mais novo nascido em 1946.

Católico fervoroso, João participava ativamente dos serviços religiosos, e foi um dos fundadores da “Igrejinha do Padre Augusto”, hoje Santuário Sagrado Coração de Jesus. Também ajudou a criar a Liga de São José, pertencente à mesma paróquia.

Em 1946, demonstrando visão além do horizonte, investiu numa ampla área de terras de João Ambrósio de Oliveira, ali construindo sua casa, hoje situada no coração da rua Monsenhor Gercino. Continuou investindo e amealhou um considerável patrimônio imobiliário.

Dedicado à comunidade, João da Costa começou a doar parte das terras, começando com uma área para a Capela Nossa Senhora de Fátima. Além de doador, foi um dos construtores da capela. As irmãs catequistas também foram beneficiadas, ganhando uma área de 10.000 m2, atual igreja Santa Izabel.

Para a municipalidade, João da Costa doou 18.000 m2, sendo 10.000 m2 para o Cemitério Nossa Senhora de Fátima e o restante para o grupo escolar que leva seu nome.

João faleceu aos 75 anos, fulminado por um “derrame”, como o AVC era chamado na época.

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