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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Karin Gilgen é referência no ensino da música em Pirabeiraba

Redação ND
Joinville
Fabrício Porto/ND
Lm das fronteiras de Pirabeiraba, onde nasceu, criou-se e vive até hoje, ainda ensinando, aos 75 anos. “Não tenho mais que cinco alunos hoje, o máximo que a idade e a condição física permitem. Mas já cheguei a ter sessenta de uma vez”, diz Karin Gilgen

 

Reprodução/ND
Imagem da casa, já demolida, onde Karin dava aulas. A janela transformada em porta fica bem à direita, com um pequeno toldo azul

 

Reprodução/ND
Passeio ciclístico organizado por Karin no fim dos anos 1970

 

Muitas histórias contadas nesta seção já mostraram a vida de pessoas que carregam no código genético a vocação para algum trabalho ou arte. Karin Gilgen é um bom exemplo. O dom para a música lhe permitiu unir o amor pela arte a uma carreira profissional, levando seu prestígio como professora além das fronteiras de Pirabeiraba, onde nasceu, criou-se e vive até hoje, ainda ensinando, aos 75 anos. “Não tenho mais que cinco alunos hoje, o máximo que a idade e a condição física permitem. Mas já cheguei a ter sessenta de uma vez”, diz a professora, às voltas com a falta de mobilidade causada por uma hérnia de disco.

“Meu avô materno, Gustavo Ohde, além de professor, era músico, tocava piano e violino e era regente do coral da paróquia luterana Cristo Conciliador”, conta Karin, referindo-se ao patrono da biblioteca pública de Pirabeiraba. Ela aprendeu, aos 12 anos, a tocar harmônio, um ancestral do atual teclado eletrônico. “O instrumento utilizava clave de fá, como o piano, outro instrumento que aprendi, assim como acordeon e flauta-doce”, detalha, acrescentando que também cantou no coral da igreja. “Mas não era nenhuma soprano, ficava na voz de fundo”, ressalta.

Segunda de quatro filhas (a mais velha e a mais nova já faleceram), Karin queria ser professora, o que a levou, junto com a irmã Úrsula, a estudar em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre. “Fiz o ensino básico, que naquele tempo ia até a sexta série, no colégio Olavo Bilac, e cheguei a trabalhar algum tempo no cartório Gilgen. Fiquei cinco anos em São Leopoldo, concluí o curso complementar, equivalente ao ensino médio, e trabalhei como enfermeira no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre”, resume.

Karin retornou em 1965 a Pirabeiraba, mas uma doença renal obrigava-a a retornar periodicamente à capital gaúcha, onde se tratava. “Veja só, hoje Joinville é referência nacional no tratamento renal”, compara. Em Porto Alegre, além da saudade, ficou a mana Úrsula, que se dedicou à carreira religiosa e tornou-se diaconisa luterana.

No favor às amigas, nova carreira

Corria o ano de 1975, Karin já se formara em Ciências Econômicas na Furj (atual Univille), e pensava em algum trabalho na área. Mas o rumo mudou devido à insistência de amigas: “Algumas me pediram para ensinar música aos filhos. Abri uma porta onde havia uma janela na nossa casa e comecei a dar aulas de flauta-doce. Como morava ao lado do colégio, outras crianças, ao ouvir o som da flauta, começaram a se interessar, e logo precisei dedicar mais tempo ao ensino musical”. E põe tempo nisso! Aos filhos de amigas logo se somaram mais e mais alunos, chegando aos sessenta que obrigavam Karin a se desdobrar em três turnos. “As aulas eram individuais, e às vezes havia alunos ocupando vários cômodos da casa”, detalha.

Karin Gilgen fez cursos, aperfeiçoou-se e chegou a montar um grupo musical de flautistas, denominado Conjunto Sol Lá Si. “Tinha alunos de outros bairros e até de Garuva. Além das apresentações, eu organizava passeios ciclísticos e excursões a lugares como Vila Velha e Paranaguá”, lembra a professora. Entre os ex-alunos está Dieter Andreas Pabst, hoje renomado instrumentista e arranjador.

Aficionada por música erudita, fã incondicional de Johan Sebastian Bach, hoje Karin Gilgen tem cinco alunos, dos 8 aos 76 anos. “Não faço propaganda, mas também não recuso pedidos de aulas”, conclui a professora.

Este perfil foi sugerido pela leitora Katherine Funke

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