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Intensas emoções dos torcedores do JEC marcam os 10 anos do ND

Tricolor conviveu com meses sem jogos por falta de calendário até voltar à elite do futebol brasileiro

Renan Silveira
Joinville
25/11/2016 às 13H20

Os 10 anos de história do ND se confundem com uma montanha russa de sentimentos vividos pelo torcedor do JEC na última década. Desde 2006, o Tricolor viveu momentos inesquecíveis como os maiores da história do time, mas também deu muitos motivos para o jequeano chorar e não de emoção. Cada lance, cada vitória, cada tropeço, cada gol, cada dia de Arena lotada, tudo foi contado com detalhes nas páginas do Notícias do Dia desde o seu surgimento.

Capitão do JEC Bruno Aguiar comemora título de campeão da Série B de 2014 - Carlos Junior/Arquivo/ND
Capitão do JEC Bruno Aguiar comemora título de campeão da Série B de 2014 - Carlos Junior/Arquivo/ND

Desde a segunda edição do jornal, quando anunciava que o JEC não tinha adversários para jogar amistoso, o ND passou a acompanhar de forma aproximada cada passo do Tricolor, quase que numa cobertura torcedora, tendo em vista a grandeza do clube e a importância que o Coelho tem no esporte local e catarinense e seu amplo apelo com o torcedor.

Depois disso vieram decepções com o time por muitos anos “sem série” até a conquista da Série B do Campeonato Brasileiro em 2014, depois de passar por Série D (2010) e ser campeão da Série C (2011) numa ascensão quase que meteórica, com a conquista da vaga na Série A em 2015. Tamanho crescimento também foi a decepção vivida pelo Joinville ao fazer uma das piores campanhas dos últimos anos entre os grandes do futebol brasileiro com a queda à Série B no mesmo ano em que subiu.

Jogo contra o América (AM) pela Série D 2010: eliminação no campo, mas acesso nos tribunais - Fabrício Porto/Arquivo/ND
Jogo contra o América (AM) pela Série D 2010: eliminação no campo, mas acesso nos tribunais - Fabrício Porto/Arquivo/ND

Os piores momentos da década

“Um momento difícil a cada ano.” Assim o estatístico do JEC Anderson Miranda definiu as piores situações vividas pelo Tricolor nesta última década. Para o empresário e consultor de sistemas, de 50 anos, os vice-campeonatos do Estadual e os dois anos sem disputar competições nacionais e até mesmo meses sem partidas oficiais foram momentos de lamentação entre os jequeanos. Miranda ainda cita a temporada atual como um período para esquecer na longa e vencedora história do Coelho.

Especialista em números, já que de forma voluntária possui todos os dados do JEC, jogo a jogo, jogador a jogador, Anderson Miranda destaca o alto número de contratações em algumas das temporadas se tornou uma rotina negativa no clube. As 60 contratações de 2006 ainda ficam atrás das 69 de 2008, quando o Tricolor disputava apenas competições estaduais.

Coincidência ou não, nos anos em que conseguiu acesso da Série D para C, da C para a B e desta para a Série A do Brasileirão, o departamento de futebol do JEC não superou 50 contratações na temporada.

Um dos momentos contados pelo ND que ilustra o ano de 2008 foi registrado em janeiro daquele ano, quando quatro jogadores chegaram a ser detidos por desacato à autoridade ao participarem de uma festa no bairro Fátima, na zona do Sul de Joinville.

Ricardinho, no alto, na comemoração do título da Série C 2011 - Carlos Junior
Ricardinho, no alto, na comemoração do título da Série C 2011 - Carlos Junior

O renascimento
Foi nos anos de 2010 e 2011 que o Tricolor passou a reescrever sua história. Ainda que timidamente, o Joinville precisou dos tribunais de justiça desportiva para conseguir o acesso da Série D para a Série C em 2010. Para isso, fez um ano de 2009 com título de Copa Santa Catarina e chegou a ser terceiro lugar do Catarinense daquele ano. Já em 2010, além do acesso no Campeonato Brasileiro, foi vice do Estadual, uma marca que se tornou rotina nos últimos dez anos.

“Alguns torcedores chegaram a queimar a camisa e a bandeira do time, frustrados com o empate em casa. poucos imaginavam que o acesso viria na sequência”, conta Fabrício Porto, repórter fotográfico do ND, que fez a cobertura do duelo do dia 17 de outubro, com uma Arena Joinville lotada no 1 a 1 entre Joinville e América do Amazonas. Na ocasião, o JEC precisava vencer o jogo por ter perdido a partida da volta por 2 a 1 no Norte. O acesso, porém, viria mais tarde, nos tribunais uma vez que o rival amazonense jogara com um atleta irregular.

Foi na Série C de 2011 que o Joinville voltou a figurar entre os grandes do futebol brasileiro. O ano ainda ficou marcado pela conquista do primeiro título nacional do Tricolor. No elenco, comandado pelo técnico Arturzinho, figuras marcantes como o goleiro Ivan, o lateral Eduardo, os meias Ricardinho e Ramon Menezes (hoje técnico do JEC), os atacantes Ronaldo Capixaba, artilheiro da competição, Bruno Rangel e Lima, o maior artilheiro da história do clube.

Depois de liderar a segunda fase, o JEC chegou ao título com duas vitórias sobre o CRB, de Alagoas: 3 a 1 fora e 4 a 0 em Joinville, para um público de mais de 19 mil torcedores na Arena.

Coincidência ou não, nas duas vitoriosas temporadas, “apenas” 44 jogadores foram utilizados em cada um dos anos, os dois anos em que o clube menos usou atletas desde 2006 até a atual temporada. 

Técnico Hemerson Maria, que comandou o Tricolor na conquista do título da Série B em 2014 - Carlos Junior/Arquivo/ND
Técnico Hemerson Maria, que comandou o Tricolor na conquista do título da Série B em 2014 - Carlos Junior/Arquivo/ND

O retorno à elite
Na Série B, 2012, 2013 foram os anos de aprendizado do JEC no Campeonato Brasileiro. Com campanhas irregulares, sobretudo com muitos pontos perdidos em casa em 2013, o Tricolor chegou a sonhar com acesso, mas terminou em 6º nas duas temporadas. A história ficou por conta do centroavante Lima, artilheiro do time nos dois torneios, se tornando o maior goleador a vestir a camisa do Coelho.

Tudo se desenhava para uma campanha de recomeço em 2014. Com um planejamento iniciado ainda durante a Copa SC, vencida pelo JEC em 2013, Hemerson Maria chegou para treinar um time que já sabia o que queria para a temporada seguinte: o acesso.

Ainda que tivesse muitas mudanças pela frente, a chegada na final do Catarinense daquele ano colaborou para a volta da Série A do Brasileirão, 28 anos depois.

A Série B de 2014 ainda está marcada na cabeça de cada torcedor, da comissão técnica, dirigentes e dos jogadores que fizeram parte da conquista, que foi sacramentada com vitória de 2 a 1 sobre o Sampaio Corrêa, no Maranhão, dia 4 de novembro, e que culminou com o segundo título nacional do JEC, mesmo que esse perdesse o jogo da última rodada diante do Oeste, em Itápolis (SP). “Tenho tudo gravado na memória. Começamos bem no jogo. No final tivemos a pressão. Era um time que só tinha perdido uma vez em casa. Lembro do gramado fofo, do calor. Não consegui conversar com os jogadores dentro do vestiário. Tudo está marcado, a alegria no aeroporto, no ônibus, a recepção da torcida”, relembra Hemerson Maria, técnico da equipe, que também treinou o JEC na Série A de 2015 e na B de 2016. No elenco, Jael, Edigar Junio e Marcelo Costa comandavam o setor ofensivo, que tinha o zagueiro Bruno Aguiar, o volante Naldo, o lateral-esquerdo Rogério e o goleiro Ivan como pilares defensivos.

Atacante Kempes no jogo com o Vasco, quando o JEC foi rebaixado na Série A em 2015 - Carlos Junior/Arquivo/ND
Atacante Kempes no jogo com o Vasco, quando o JEC foi rebaixado na Série A em 2015 - Carlos Junior/Arquivo/ND

Desempenho oposto à expectativa
Há quem diga que o ano de 2015 foi o da decepção do JEC. Tamanha era a expectativa do torcedor, a Série A se desenhou totalmente contrária a qualquer projeção, ainda que pessimista. A temporada, que começou com o Tricolor conquistando o catarinense, parece que se ruiu como o título do Estadual que foi perdido nos tribunais para o rival Figueirense. A frustração rompeu as barreiras locais e invadiu a Série A com o JEC utilizando três técnicos, 58 jogadores e pouco de resultado. Apenas 53,13% foi o aproveitamento em casa na elite do futebol brasileiro, o pior desempenho até então desde 2007 e bem longe dos 73,56% do aproveitamento obtido na Arena na conquista de 2014.

O ano começou com o discurso de que não haveria medalhão na equipe, mas passou com jogadores que rodaram muitos clubes de Série A como Marcelinho Paraíba, Fabrício (que chegou e saiu com Adílson Batista), Ricardo Bueno, além de Lucas Crispim e Marion, que chegaram e saíram sem deixar saudades de uma campanha de apenas sete vitórias e 26 gols marcados, o pior ataque do torneio, que teve o JEC como lanterna. De positivo dentro de campo, as afirmações de Kadu e William Popp e os destaques de Agenor, Naldo e Anselmo.

Ainda assim, para o torcedor e estatístico Anderson Miranda, uma possível queda para a Série C seria ainda mais decepcionante. “Acredito que não seja a maior decepção (2015), pois sabíamos da dificuldade da disputa na Série A. Penso que a possível queda para a Série B seja a maior decepção nestes dez anos, seja até mais decepcionante nos dois anos sem série de 2008 e 2009”, comentou.

Relação de jogadores utilizados pelo JEC e aproveitamento na Arena - Fonte: Anderson Miranda, estatístico do JEC
Relação de jogadores utilizados pelo JEC e aproveitamento na Arena - Fonte: Anderson Miranda, estatístico do JEC

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