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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Hoje aposentado, Chico da Farmácia foi uma referência na zona Sul de Joinville

Francisco Ritzmann recorda os bons tempos de farmacêutico

Redação ND
Joinville

O velho caderno de receitas e o “grau” já quebrado e colado são lembranças concretas do tempo em que Francisco Ritzmann era o “Chico da Farmácia”. Mas as principais recordações estão na ainda afiada memória. “Era uma época em que, por haver poucos médicos na cidade, os farmacêuticos faziam um pouco de tudo: aferir a pressão, examinar as pessoas, prescrever medicamentos e, claro, vendê-los”, conta Ritzmann, hoje aposentado e passando a maior parte do tempo, com a esposa e os cachorros, na bucólica chácara que construiu em Campo Alegre, fruto de quatro décadas de dedicação à profissão.

 

Fabrício Porto/ND
“Os homens sempre tiveram mais medo de injeção do que mulheres e crianças”, relembra Francisco Ritzmann, o Chico da Farmácia

 

Chico Ritzmann nasceu em agosto de 1941 e passou a vida toda no bairro Anita Garibaldi – onde ainda mora, ao lado de uma das filhas. O drama familiar o atingiu cedo: “Eu tinha 11 anos quando meu pai e um irmão morreram afogados em Barra do Sul. Então eu e minha irmã fomos morar com um tio, que assumiu nossa criação”. Aos 14, após concluir o ensino fundamental nos colégios Rui Barbosa e Conselheiro Mafra, Chico decidiu que sua vocação era ser marceneiro, como o avô, o pai e um tio. Mas a vida lhe ofereceu outro rumo: “Após fazer a Confirmação, precisava começar a trabalhar. Meu tio não tinha vaga na marcenaria, aí descobri que a Drogaria Catarinense estava precisando de um jovem para serviços gerais.”

Assim, no dia 17 de janeiro de 1956 Francisco Ritzmann começava a cunhar o futuro apelido de “Chico da Farmácia” ao lado do nome.

 

Aprendizado na prática

Durante o dia Chico dava duro na Drogaria, na unidade central da 9 de Março, enquanto à noite cursava o Contador no Bom Jesus. “Passei a morar com meu avô, na rua Copacabana, mas sempre no bairro Anita. Lembro-me bem dos então diretores da Drogaria, Helmuth Fallgater, Werner Manteufel, Edmundo Doubrawa e Harry Weege. Eu fazia um pouco de tudo, e comecei a me interessar pelo ambiente e pelo trabalho no setor de receituário.”

Aplicado, logo Chico passou justamente para o receituário, onde aprendeu os conceitos básicos de química com o chefe Harold Wunderlich. “Entre outras coisas – conta – aprendi a fazer revelador e fixador para radiografias, que eram fornecidos para a clínica de Pedro Lobo.” Em 1960, Ritzmann foi até Florianópolis, onde se submeteu a uma prova no Conselho Regional de Farmácia. “Fui muito bem e ganhei o título de prático de farmácia habilitado”, relata, mostrando com orgulho o diploma.

Entre 1960 e 61 trabalhou na filial Farmácia São João e em 62 assumiu a gerência da filial da rua Santa Catarina, esquina com a Farroupilha. “Ali tive a oportunidade de me aperfeiçoar ainda mais. Comecei a dar consultas, estudei doenças e receitei muito lombrigueiro e licor de ferro”, recorda.

Em setembro de 1969, enfim, surgia o Chico da Farmácia, quando Ritzmann comprou a Farmácia São Jorge, na rua Monsenhor Gercino, no Itaum. “Era da viúva Laura Porto de Souza, ficava perto do Bar do Luisinho e da Peixaria do Mira. Três anos depois construí sede própria no número 592 da Monsenhor, com o nome Farmácia do Chico. Cheguei a ter nove empregados, participei da fundação da associação de farmácias do município e me tornei referência no segmento, na zona Sul. Cheguei a ser autuado pelo Conselho Regional, por extrapolar as funções de farmacêutico, mas é que as pessoas procuravam atendimento, confiavam nos profissionais.”

Na época de inflação crescente, um dos macetes de Chico para fixar preços nos remédios era utilizar códigos, substituindo algarismos por letras. Assim, os números de 0 a 9 eram substituídos pelos códigos “wunderlich” (o chefe do receituário na Drogaria) e “columbinas”. Chico vendeu a farmácia em 1998 e se aposentou após 42 anos na profissão que substituiu o sonho adolescente de ser marceneiro. Restam o diploma, o caderno de receitas, o “grau” e muitas boas lembranças de uma vida dedicada à farmácia.

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