Publicidade
Sábado, 22 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 18º C

Há 64 anos dividindo a cuia

União. Com saúde e amor, casal comemora bodas de fabulita

Roberto Szabunia
Joinville
Rogério Souza Jr/ND
Ritual. Nas manhã, Alcides e Osmilda não dispensam o bom chimarrão

 

Legítimos gaúchos criados na região de Soledade, no planalto médio gaúcho, Alcides e Osmilda começaram a namorar numa bailanta, geraram uma penca de filhos e não dispensam o chimarrão de todos os dias. Hoje, 24 de julho, o ritual de preparar o mate tem um significado especial: o casal comemora bodas de fabulita, 64 anos de casados (fabulita, segundo os compêndios da terminologia mineral, é um “titanato de estrôncio, mais bonito e de maior brilho que o próprio brilhante, mas relativamente mole e de maior peso específico”). “Como é terça-feira, fica difícil reunir a família, mas todos estiveram aqui em casa domingo”, adianta dona Osmilda. “O nono e a nona costumam reunir a família todo domingo para o almoço”, reforça o neto Eloir. Na verdade, reúne-se a parte da família que mora em Joinville, já que a prole se espalhou pelos três Estados do Sul. E não são poucos: foram 13 filhos (dois já mortos), 37 netos, 35 bisnetos e um trineto.
A história começa em maio de 1925, quando Alcides Angelo Pechini nasceu, em Soledade. “Éramos – conta o nono – três irmãos, mas meu pai morreu quando eu tinha 6 anos. Mais tarde minha mãe casou-se de novo e nasceram mais cinco.” Sempre bem-humorado, o patriarca não perde a oportunidade de fazer piada com tudo. Forte para a idade, é o responsável pela horta de casa e, se vacilarem, pega a escada e sobe onde for necessário, do pé de jabuticaba ao telhado. “Antes de vocês chegarem, ele tava picando lenha”, conta o neto ao repórter. Seu primeiro trabalho foi num moinho de trigo, sonhando guardar dinheiro para comprar mais uma vaquinha de leite para a mãe. E conseguiu, seu Pechini? “Que nada, moí tudo!”, diverte-se. Foi ajudante de caminhão, puxou madeira e aprendeu um pouco de tudo, compensando a falta da escola. Tanto que ergueu sozinho a casa onde mora há 15 anos, numa tranquila rua do bairro Paranaguamirim.

 

Quando viemos para cá, quase não tinha nada, nem a avenida era asfaltada.”
Osnilda Pechini

 

Arquivo pessoal/Divulgação/ND
Tradicional. A foto no dia do casamento e, embaixo, sobre o retrato do casal

 

Deixe a baixinha comigo
Foi na festa de aniversário de um tio que Osmilda de Souza, oito anos mais nova, conquistou o coração de Alcides. Ela nasceu em Espumoso, na época distrito de Soledade, hoje município, em 1933. Caçula de sete irmãos, já conhecia toda a família Pechini. “Nossas mães eram comadres”, informa. Também órfã, a partir dos 11 anos foi criada por um tio. Pois foi na festa de um irmão deste tio que uma dupla de jovens – engravatados e bem penteados, como exigia a tradição – resolveram separar duas moças sentadas no banco. Alcides diz que falou para o amigo: “Deixe a baixinha comigo!”. Ali começou o namoro que terminou em casório, no dia 24 de julho de 1948.
Em Soledade nasceu o primeiro filho, seguido de outros cinco quando os Pechini arrendaram uma propriedade em Mondaí, no Oeste catarinense. “Era terra boa, tudo que se plantasse rendia”, lembra Alcides. Foi também a agricultura que levou a família, assim como muitos gaúchos, ao Sudoeste do Paraná. Em Pérola do Oeste ficaram mais alguns anos – e mais três filhos. A parada seguinte seria em Realeza, na mesma região, onde a prole se completou com os últimos quatro rebentos.
A família ainda passou um breve período em Novo Hamburgo, antes de se fixar em Joinville, onde já havia filho e netos trabalhando na indústria. Lá se vão 15 anos, sempre morando no Paranaguamirim. “Quando viemos para cá, quase não tinha nada, nem a avenida era asfaltada”, recorda-se dona Osmilda, se referindo à avenida Kurt Meinert, principal via do bairro. Ex-mesária em muitas eleições na juventude, ela garante que só a família elegeria um vereador. “Que nada – atalha o nono –; nós sempre votamos em candidatos diferentes.”

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade