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Entenda os nove quesitos que estarão em jogo neste sábado na passarela Nego Quirido

Bateria, samba-enredo, harmonia, enredo, comissão de frente, evolução, fantasias, mestre-sala e porta-bandeira e alegorias e adereços são julgados por 27 jurados

Felipe Alves
Florianópolis
25/02/2017 às 13H43

Nota: dez! Quando as seis escolas de samba do grupo especial entrarem na avenida a partir das 22h30 deste sábado não serão só os olhos dos torcedores e espectadores que estarão atentos a cada detalhe dos desfiles. Para levar para casa o troféu de campeã de 2017, cada décimo conta e o destino das escolas estará nas mãos dos 27 jurados divididos em três módulos pela passarela Nego Quirido. Cada um dos nove quesitos em jogo é avaliado por três jurados, que estarão atentos durante as quase sete horas de desfiles.

Além dos quesitos que valem 30 pontos cada – bateria, samba-enredo, harmonia, enredo, comissão de frente, evolução, fantasias, mestre-sala e porta-bandeira e alegorias e adereços – as escolas também precisam ficar atentas a outras regras gerais, que podem tirar pontos preciosos. Cada escola, por exemplo, não pode ultrapassar os 70 minutos na avenida, precisa ter 30 componentes na ala das baianas, 120 na bateria, de 10 a 15 integrantes na comissão de frente e no mínimo 900 componentes no total.

Para explicar cada um dos quesitos, o Notícias do Dia procurou representantes das escolas de samba e destacou algumas justificativas dos jurados no ano passado que levaram à perda de pontos das escolas.

BATERIA

Coração das escolas de samba, a bateria dá o ritmo dos desfiles na passarela. Queridas pelas comunidades, cada uma recebe um apelido: Irritada Dascuia, Batucada da Unidos (Coloninha), Bateria Furiosa (Os Protegidos da Princesa), Bateria Guerreira (Copa Lord), Bateria Ordinária (Consulado) e Bateria Nação Guarani. No quesito, os jurados levam em conta a manutenção e a sustentação da cadência do samba-enredo, a perfeita conjugação dos sons de todos os instrumentos, a criatividade e a versatilidade do grupo.

Mestres de bateria Biriba e Boqueira comandam os ritmistas da Bateria Guerreira - Marco Santiago/ND
Mestres de bateria Biriba e Boqueira comandam os ritmistas da Bateria Guerreira - Marco Santiago/ND



Os mestres de bateria da Copa Lord, Luiz Rodrigo Fermiano, o Biriba, e Livisson Leandro Cunha, o Boqueira, trabalham desde agosto do ano passado ensaiando os 150 ritmistas da Bateria Guerreira. “Para ser nota 10, a bateria tem que estar afinada, ter boa cadência e boa execução das bossas (as paradinhas)”, afirma Boqueira. Para Biriba, que está há 19 anos na escola, o conhecimento como músico é fundamental para tornar a musicalidade da bateria da escola única. “É preciso ter coerência no ritmo, afinação, criatividade, um bom andamento na avenida. Tudo isso o jurado vê e temos que estar atentos”, explica ele.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- Havia inconsistência rítmica dos chocalhos na passagem do refrão;

- Durante a apresentação da bateria no segmento recuo e ao se movimentar verificou-se desencontros rítmicos entre tamborins com chocalhos, causando uma “embolada”;

- Notou-se falta de precisão rítmica nas levadas de chocalhos e tamborins;

- Na respiração do samba, em várias ocasições, os surdos de segunda não tocavam com precisão;

- Os repiniques estavam inaudíveis e o volume dos surdos também abafavam, em alguns momentos, as caixas.

 

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O pavilhão (bandeira) é o símbolo máximo de cada escola. Ele representa a história, todo o trabalho envolvido e as próprias comunidades de cada agremiação. Não ouse tocar no pavilhão vestindo bermudas ou saias, usando bonés ou com bebida alcoólica na mão. Na hora de reverenciar o pavilhão, a regra é jamais beijar o pano diretamente, e sim a sua própria mão sobre a bandeira. Responsáveis por resguardar e carregar o pavilhão de cada escola, os casais de mestre-sala e porta-bandeira também são julgados pelos jurados.

Telminha Campos é porta-bandeira da Consulado e Carla Quadros coordena os casais da escola - Marco Santiago/ND
Telminha Campos é porta-bandeira da Consulado e Carla Quadros coordena os casais da escola - Marco Santiago/ND



A coreógrafa e coordenadora dos casais da Consulado, Carla Quadros, explica que existem alguns movimentos obrigatórios. A porta-bandeira, por exemplo, deve girar nos sentidos horário e anti-horário e o mestre-sala deve sempre cortejá-la, sem dar as costas para o pavilhão. “A porta-bandeira não pode enrolar o pavilhão no mastro e a dança deles têm que ter sincronia de movimentos”, explica. O casal de mestre-sala e porta-bandeira nunca samba, eles bailam na avenida. Por isso, os ensaios são importantes. “Cada um tem um estilo de dança, então precisamos ensaiar. Nós não estamos ali carregando um pedaço de tecido, mas a história de uma escola e de uma comunidade inteira”, afirma Telminha Campos, que é porta-bandeira há 19 anos.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- O casal desenvolveu movimentos sem terminações harmoniosas;

- A indumentária grandiosa do casal causou lentidão e desarmonia ao bailado;

- Na passagem rápida do casal, houve pouco cortejo do mestre-sala à porta-bandeira;

- O pavilhão (bandeira) não foi mantido desfraldado durante a exibição do casal;

- A porta-bandeira só girava para um lado.

 

ENREDO

O enredo é a história que a escola de samba decidiu levar para a avenida. Partem dali todos os elementos artísticos que transformarão uma ideia em um desfile de escola de samba. Da pesquisa à montagem do Carnaval da escola, o enredo é a base de tudo e é a partir  dele que saem a letra do samba-enredo, as fantasias, os carros alegóricos e todos os elementos cênicos dos desfiles. Neste quesito, o jurado analisa a capacidade de compreensão do tema proposto em todas as partes do desfile e também se a montagem da escola na avenida obedece ao book – material entregue pelo carnavalesco aos jurados e que apresenta detalhadamente como a escola estará na avenida.

O carnavalesco Duda foi responsável pela ideia do enredo da Coloninha deste ano - Daniel Queiroz/ND
O carnavalesco Duda foi responsável pela ideia do enredo da Coloninha deste ano - Daniel Queiroz/ND



Há mais de 30 anos no Carnaval, Otávio José de Oliveira, o Duda, trabalha há três anos com enredos. A partir de uma ideia que poderá ser levada para a avenida, ele parte para a pesquisa do tema. “Depois pensamos na plástica, que envolve os desenhos, alegorias e fantasias. Tudo tem que ser adaptável para colocar na prática. Tudo que você vê na escola de samba foi o carnavalesco que pensou”, afirma ele.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- Faltou criatividade na construção das alas 2, 7, 8 e 15, dificultando o entendimento do enredo na prática;

- A ala 10 se apresentou fora de sua ordem;

- Faltou clareza e criatividade na ala 18;

- O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira veio depois da ala 11, invertendo a ordem da sinopse do enredo;

- Faltou uma alegoria e três destaques desfilaram na frente da ala das baianas (não constava no cronograma.

 

SAMBA-ENREDO

A letra do samba-enredo parte sempre da sinopse do enredo apresentada por cada escola. Neste quesito, os jurados avaliam a letra e a melodia da canção e levam em conta a riqueza poética, a criatividade e a capacidade da harmonia musical em facilitar o canto e a dança dos componentes. No Carnaval da Grande Florianópolis, tem escolas que contratam músicos para compôr os sambas-enredos, mas a maioria realiza concursos para definir o samba campeão.

Juninho Zuação compôs as letras dos sambas da Nação Guarani e da Dascuia - Daniel Queiroz/ND
Juninho Zuação compôs as letras dos sambas da Nação Guarani e da Dascuia - Daniel Queiroz/ND



Paulo Sérgio Peixo Góes Júnior, o Juninho Zuação, é o compositor dos sambas da Nação Guarani e da Dascuia este ano. Ele e o compositor André Filosofia foram responsáveis pela criação da letra, que depois foi adaptada à harmonia. “A gente recebe a sinopse, começa a estudar, marca os pontos principais e começa a criar a letra. Aqui em Floripa os jurados gostam de um refrão pra cima, empolgante, e com riqueza poética”, afirma ele, que é filho de Paulinho Carioca, um dos maiores compositores da cidade.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- No primeiro refrão tem uma caída na linha melódica prejudicando a concepção harmônica do samba;

- Melodia com poucos contornos melódicos na primeira e na segunda parte do samba, sem momentos diferenciados;

- A melodia apresentou-se com poucas variações;

- O refrão poderia ser mais explorado melodicamente com mais expressão;

- Samba apresenta versos em desacordo com a proposta do enredo.

ALEGORIAS E ADEREÇOS

Criatividade, adequação ao tema e acabamento são alguns dos principais itens julgados neste quesito, que engloba desde os elementos cenográficos sobre rodas, como os carros alegóricos, até aqueles sem rodas, como alegorias de mão por exemplo. Os destaques e componentes dos carros, bem como as suas fantasias, também entram no julgamento deste quesito.

Carnavalesco de Os Protegidos da Princesa, Willian Tadeu é responsável pelos carros alegóricos e fantasias - Daniel Queiroz/ND
Carnavalesco de Os Protegidos da Princesa, Willian Tadeu é responsável pelos carros alegóricos e fantasias - Daniel Queiroz/ND



De acordo com o carnavalesco de Os Protegidos da Princesa, Willian Tadeu, o carro alegórico serve para destacar o que se considera o mais relevante no enredo. “Ele deve ser interessante cenicamente e também como conteúdo de enredo. A concepção deve ser criativa, harmônica e não pode ter peças quebradas, descolando e nada torto”, explica Willian. Por conta das dificuldades financeiras do Carnaval este ano, a Protegidos sairá com só um carro. “Nosso desafio foi conseguir criar um projeto que não fosse nem pequeno demais para ser medíocre nem grande demais que não pudesse ser executado”, afirma.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- Traseira do carro com chão muito sujo e com partes caídas;

- Holofote da frente do carro apagado;

- Equipamento eletrônico com fio enrolado no chão do carro;

- Destaque do carro usando sapatilha dourada e destoando das demais componentes do carro;

- Lado esquerdo do carro descascando a tinta na traseira.

 

FANTASIAS

Também de responsabilidade do carnavalesco, as fantasias devem estar de acordo com o enredo proposto de cada ala e os detalhes devem ser iguais em todos os componentes. Neste quesito, são avaliadas as fantasias das alas de enredo (que se vestem de acordo com o tema), das alas shows, dos destaques, da ala das baianas, da bateria e de outros componentes do desfile.

As roupas devem permitir a espontânea movimentação dos componentes, devem ser bem acabadas e os grupos ou conjuntos devem fazer uso dos mesmos adereços (como calçados, shorts, meias, chapéus, entre outros).

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- Alguns componentes estavam com tênis riscado de vermelho, outros com sapatilhas brancas e outros com sacos plásticos nos pés;

- Duas componentes desfilaram com bolsas atravessadas ao corpo;

- Um componente se abaixou em frente à comissão julgadora para amarrar a sandália;

- Dois componentes levavam o celular na mão;

- Fantasia rasgada, deixando exposto o arco de sustentação.

 

COMISSÃO DE FRENTE

A proposta e a capacidade de causar impacto são fundamentais para a concepção das comissões de frente, que abrem os desfiles. Coordenação, sincronismo e criatividade são palavras-chave para uma comissão de frente nota 10. A comissão é responsável por dar as boas-vindas ao público e aos jurados.

Além da dança apresentada pela comissão, os jurados também avaliam nesse quesito a indumentária e o que a comissão de frente representa na história proposta. Os componentes devem formar o primeiro contingente a pé a entrar na pista do desfile.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- Parte da fantasia de um componente caiu antes da apresentação no módulo 1;

- Na coreografia apresentada em frente ao módulo 2, por vários momentos os bailarinos corriam para entrar em suas posições, deixando a coreografia sem uniformidade;

- A segunda componente na fila dianteira escorregou e comprometeu o sincronismo da coreografia;

- Faltou sincronismo na coreografia feminina do grupo;

- Houve pouca criatividade e empolgação.

HARMONIA

O entrosamento entre o ritmo da bateria, o canto (melodia) e a dança (evolução) dos componentes são fundamentais no quesito harmonia. Para uma nota 10, as escola devem apresentar durante o desfile (ou pelo menos em frente aos jurados) uma harmonia perfeita, sem altos e baixos.

A escola deve manter a mesma cadência durante o desfile, cantar com igual vigor e evoluir com a mesma garra duranteos 70 minutos na avenida. Por isso, os ensaios prévios são essenciais para garantir uma boa harmonia. Problemas como pane no sistema de sonorização não são levados em conta pelos jurados.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- As alas 3 e 22, durante sua apresentação em frente ao módulo dos jurados, não foram capazes de manter o mesmo volume, vibração e intensidade no canto da escola, deixando clara uma quebra de harmonia;

- A ala 22 apresentou menor volume de intensidade no canto e falta de entrosamento com o ritmo apresentado;

- Ala 19 não apresentou o canto do samba, cantando apenas o refrão;

- Na ala 17, aproximadamente 70% de seus integrantes não cantava, apenas dançava, não havendo harmonia entre canto e dança;

- Na ala 11, além da falta de canto, observou-se a terceira fila conversando em frente à cabine de julgamento.

EVOLUÇÃO

A progressão da dança dos componentes de acordo com o ritmo do samba executado pela bateria é avaliada na evolução. Por isso, a movimentação dos integrantes na avenida e o andamento da dança e das coreografias são fundamentais para garantir uma boa nota, evitando a abertura de “clarões” (buracos) entre as alas.

Empolgação, vibração, agilidade, vigor e espontaneidade são fatores que balizam a análise da evolução das escolas na avenida. Em hipótese alguma, as alas ou destaques podem retroceder na avenida, característica que só alguns componentes podem realizar, como a bateria, os diretoes e os casais de mestre-sala e porta-bandeira.

Justificativas dos jurados para a perda de pontos:

- Destaque de chão se adiantou, fazendo a ala das baianas correr e acelerando a ala 5, que acabou abrindo um “clarão”;

- Corte de cidadões de samba acelerado;

- Componentes deixaram de acompanhar a ala, brincando de “selfie”, obrigando correria destes componentes na ala 14;

- As alas 14 e 15 passaram unidas;

- O destaque de chão e a rainha pararam suas danças para tirar foto com o público.

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