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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Em meio às máquinas de costura, estilista comanda ateliê cheio de charme em Joinville

Em 15 anos de profissão, Juli já atendeu mais de mil clientes

Raquel Schiavini Schwarz
Joinville
Luciano Moraes/ND
Juli e seu ateliê, na rua Aquidaban, onde atende uma vasta clientela

 

Juli. É assim que a estilista Claire Juliane Dias, 40 anos, gosta de ser chamada. É assim que ela é conhecida por todos e batizou seu ateliê. A simplicidade, aliás, é seu maior trunfo. Para ela, luxo é isto. Gosta de repetir a célebre frase de Leonardo da Vinci: “A simplicidade é o último grau da sofisticação.”

Juli nasceu em São Miguel do Iguaçu, no Paraná. Foi para o Rio Grande do Sul ainda bebê. Cresceu no meio das máquinas de costura vendo sua mãe consertar e confeccionar roupas. E dela veio a inspiração.

“Quando minha mãe (Inês Kistaiski) fazia vestidos de noiva, ela me pedia para ajudar a bordar. Eu deixava de sair à noite para ficar bordando.”

Quando tinha 16 anos, sua mãe veio a Joinville visitar conhecidos. A mãe voltou. Juli, nunca mais.

 “Me apaixonei pela cidade, pelo colorido, pelas flores, pelos jardins, pela arquitetura germânica”, conta parecendo lembrar das imagens que viu quando chegou aqui.

Ainda muito jovem, alugou um quartinho e arrumou um trabalho de babá. “Hoje, as bebês que eu cuidava são minhas clientes”, fala, orgulhosa.

Um ano depois, a família toda mudou-se para Joinville.

Como mormon, Juli participou de uma missão voluntária de um ano e meio. Passou um tempo em Gurupi, no Tocantins, onde teve contato direto com os indígenas. Ficou encantada com o rico artesanato e as roupas e calçados de palha que eles produziam. “Eram peças incríveis. Isto fazia meu coração bater”, descreve. Neste período, Juli também esteve em Brasília e Goiás.

Ao final da missão, lembra que um colega lhe perguntar o que iria estudar. “Passei uma semana meditando sobre os meus talentos, sobre o que eu realmente gostava”, recorda.

 

Com a moda nas veias

Como suas veias já pulsavam pelas artes, Juli decidiu cursar Moda, na Universidade do Tuiuti do Paraná. Com poucos recursos – a família não podia ajudar – tinha de estudar à noite e trabalhar durante o dia. Confessa que chegou a passar fome e muito frio, mas tudo isso ajudou no seu crescimento, acrescenta. “Apesar de ter sido um período difícil, não me arrependo. Faria tudo de novo.”

Aos 25 anos, logo depois da faculdade, Juli começou a fazer conserto de roupas porque precisava sobreviver. Lembra da primeira cliente: a empresária Luciana Areias, que continua sua cliente e amiga até hoje.

O primeiro ateliê que abriu foi na rua Padre Carlos, ao lado do Corpo dos Bombeiros, em Joinville. Ficou um ano ali, mas logo o espaço ficou pequeno. Neste período, Juli também casou.

Como gosta de casa antiga, mudou-se várias vezes até encontrar uma que não fosse tombada, mas que tinha todas as características que procurava. A casa, de 85 anos, na rua Aquidaban, foi revitalizada com elementos vintage e retro. “Queria um ambiente aconchegante. Não precisava ser perfeito”, comenta a estilista, que não se importa com um taco faltando, um assoalho velho ou alguma coisa fora do lugar. Para ela, isto faz parte da história da casa e não pode ser mudado.

Nestes 15 anos de profissão, Juli já atendeu mais de mil clientes. Entre eles, o artista plástico Juarez Machado e os grafiteiros Irmãos Feitosa.

“Juli sabe acolher, realmente se importa com o que o cliente quer, com que ele vem buscar. Ela dá a opinião sem se impor. A moda tem de servir a você sem necessariamente estar na moda. E Juli faz isto, mostra isto para as pessoas”, resume a empresária Ivanilde Fischer, cliente há 15 anos.

Em seu charmoso e singular ateliê, Juli conserta, faz roupas sob medida e cria suas próprias peças, que ficam expostas à venda. “Sou apaixonada pela minha profissão. Eu coloco amor no que faço.”

A estilista faz questão de dizer que conquistou duas coisas importantes que muita gente passa a vida inteira sem conseguir: o amor e a profissão.

Seu sonho é ter uma marca de roupas com grande demanda, mas sem esquecer da simplicidade que, para Juli, representa o verdadeiro luxo. “Não tem coisa melhor do que andar de havaianas, jeans e camiseta branca.”

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