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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Competição de tiro ao alvo: conheça a história de um dos clubes mais tradicionais de Joinville

Sociedade Esportiva e Recreativa Esmeralda completou 69 anos de atividades em agosto

Raquel Schiavini Schwarz
Joinville

A caminho do septuagésimo ano de vida, a Sociedade Esportiva e Recreativa Esmeralda guarda mais que conquistas gravadas em troféus, medalhas e escudos que ocupam uma parede inteira do clube. Guarda lembranças dos bailes, celebrações, amizades e competições amistosas que ocorreram e ainda acontecem em suas dependências. 

 

Fabrício Porto/ND
“Atualmente, todos os clubes de tiro têm equipes femininas”, comemora Norma Lindner, atual presidente da sociedade

 

Fundada por um grupo de amigos que praticavam tiro ao alvo, a história de um dos clubes mais tradicionais da cidade começou em 1947. Agosto é o mês de aniversário – acaba de completar 69 anos - e também da escolha do novo rei. Isso porque na Esmeralda quem conquista a coroa é quem tem a melhor mira.

No início, os encontros eram realizados em locais alugados, como no salão Jorge Will, na rua Colon. Depois, as atividades foram transferidas para o salão Petruski, na rua 15 de Novembro, até que no final da década de 60 foi comprado um terreno na rua José Bonifácio onde foi erguida uma meia-água para o estande de tiro. Com o tempo, a pequena construção deu lugar à sede, que em meados de 2009 passou por uma reforma geral.

Norma Lindner, atual presidente da Sociedade, lembra que antigamente a tradição era voltada mais para os homens. A competição de tiro começava à tarde e a noite acontecia o baile.

“A festa era deles, comemoravam entre si. As mulheres só participavam do baile. E quando havia torneio de tiro em outros clubes, só homens freqüentavam. Às vezes, quando faltava algum, as mulheres eram convidadas a atirar”, conta. Isto incomodava muito Norma, que, aos poucos, foi mobilizando a mulherada até formar uma equipe feminina de tiro. A primeira participação ocorreu na Fenatiro, em 1989, durante Festa das Flores, e desde então as mulheres deixaram de ser coadjuvantes. Das 23 equipes de tiro que havia, cinco eram de mulheres. Pouco, mas era o começo.

Hoje, toda a terça-feira tem treinamento na Sociedade Esmeralda e há um diretor de tiro. Norma já foi diretora e sempre buscou incentivar as mulheres a participar. “Atualmente, todos os clubes de tiro têm equipes femininas”, comemora.

 

Raquel Schiavini Schwarz/divulgação/ND
Local de exposição já está repleto de peças, e há muitas guardadas em caixas

 

Espaço para eventos como casamentos e aniversários

Além da prática esportiva, o clube está aberto para casamentos, bailes, festas de aniversários, formaturas entre outros. O restaurante Tempero Brasil Gastronomia,sob o comando do ecônomo Celso Brasil, fica responsável pelos eventos. Ao meio-dia, o restaurante é aberto de segunda a segunda e as celebrações sãomarcadas com antecedência. “Ser ecônomo de uma sociedade tão antiga é uma honra e nosso objetivo é manter as tradições do clube, inovar e atender as expectativas dos nossos clientes”, frisa Celso Brasil. O salão éclimatizado e tem capacidade para até 430 pessoas.

Para o ano que vem, quando o clube completa 70 anos, Norma está preparando uma grande festa, com direito a festival de tiro, festival de bocha e torneio citadino. A animação do baile já está acertada. Ficará por conta da banda “Os Fantásticos”, de Pomerode.

Norma Lindner, que iniciou seu mandato em 2008 e vem sendo reeleita, quer deixar um legado quando entregar a presidência, em 2018. Na época em que assumiu, lembra que havia apenas 25 sócios. Hoje, são 80. Neste período, conseguiu fazer a fachada da sociedade, cozinha nova e restaurou a cancha de bocha. “A fachada era feia, pequena e antiga.”

Com a abertura do restaurante e a nova frente da sociedade, o pessoal começou a marcar eventos, comenta a presidente.

Todo o dinheiro que entra, de aluguéis e mensalidades dos sócios, vai para investimentos na casa, em melhorias, como pintura, lavagem, para não deixar decair o patrimônio. “Sempre ouvimos dizer que a Esmeralda é uma das melhores sociedades da região pelo trabalho, seriedade e organização que temos aqui”, exalta Norma, que ainda tem vontade de construir uma galeria de vidro para os troféus conquistados em campeonatos de tiro. Tem tanta peça que uma parede foi pouco para exibi-las. Há dezenas guardadas dentro de caixas.

Sintonia para tocar o dia a dia

O presidente Norma Lindner precisa tomar frente de tudo para deixar a documentação em dia, sempre estar em contato com o ecônomo e comandar as reuniões com os associados a cada dois meses. Existe um conselho fiscal que verifica as contas e um tesoureiro que cuida das mensalidades.

Para a eleição, todos os associados são convidados a votar e o candidato deve ter cinco anos de associado e conhecer bem o clube. E ninguém conhecia melhor o clube quanto Rudolfo Simão, fundador e primeiro presidente da sociedade. Precursor da prática de tiro ao alvo na região Norte, Simão virou símbolo de inspiração deste esporte e conquistou tantas medalhas que mal cabiam em seu colete, guardado como relíquia pela entidade, assim como outras homenagens que recebeu ao longo da vida. Entre as décadas de 60 e 70, ganhou o título de Super Rei dos Reis, premiação que ninguém atingiu até agora.

O veterano atirador era convidado a participar de muitos eventos. Sempre que podia, Norma Lindner estava junto tamanha era sua admiração por Simão. Lembra com carinho de um evento que participaram na Tupy em que o fundador fora homenageado sem saber e ficou muito emocionado.  “Gostava de acompanhá-lo. Ele ficava feliz e eu também”, conta a atual presidente.

Simão faleceu no dia 1 de maio de 2014 e deixou para trás uma legião de seguidores no tiro ao alvo.

 

Como são escolhidos reis e rainhas

Os bailes anuais seguem as tradições da Sociedade Esmeralda. Em agosto, o novo rei é escolhido. No último sábado ( 20), Tiago Miller levou a coroa. Para conseguir o feito, precisou ser o melhor no campeonato de tiro realizado um dia antes do baile. Ficará no cargo até o ano que vem. Também são eleitos o primeiro príncipe, o segundo e o xerife (substitui alguma realeza que eventualmente faltar).

Em maio, é a vez das rainhas e princesas.  A eleição segue as mesmas regras. Há um fiscal de outro clube para julgar quem foi a melhor no tiro.

Agora, mais difícil do que ganhar o título em uma única tarde é somar a maior pontuação durante o ano e ser o melhor de todos os 11 clubes de tiro da cidade. Para estes exímios atiradores, a faixa é de rei dos reis, rainha das rainhas e princesa das princesas. A festa de coroação acontece em outubro.

Norma foi rainha nos anos de 2003 e 2008; princesa das princesas em 2001 e 2003; primeira princesa quatro vezes e duas vezes segunda princesa. “É uma responsabilidade muito grande. É difícil. A gente se cobra, quer ser a melhor. Acima de tudo, é uma honra, representamos o clube em todos os eventos relacionados ao tiro”, testemunha.

Hoje em dia, filhos e netos de Norma frequentam a sociedade e para ela isto é um orgulho.

Tradição no dia do baile

No dia do baile, há uma tradição seguida à risca. Associados e convidados se reúnem por volta das 18h em frente à sociedade e seguem até a casa do rei acompanhados pela banda. Lá, um coquetel é servido. Depois, todos retornam ao clube para o jantar seguido do baile. Só então é revelada a nova realeza e as faixas são entregues.

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