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Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
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Chegadas e partidas

Rodoviária. Ex-administrador da estação de Joinville exerceu várias funções dentro de companhia até chegar a motorista, um sonho de menino

Redação ND
Joinville
Fabrício Porto/ND
Vai e vem dos ônibus. Carlos Alberto deixou de ser motorista de linhas para Curitiba ao assumir a administração do terminal de Joinville, função que exerceu durante 16anos

 

 

Em qualquer cidade grande ou pequena, a estação rodoviária se constitui em ponto de referência conhecido pela maioria da população. É comum encontrar nesses espaços de chegadas e saídas de passageiros, pessoas que se identificam com o local. Na história da Estação Rodoviária Harold Nielson um bom representante dessa estirpe chama-se Carlos Alberto de Almeida, o Carlinhos. Depois de se aposentar ele vai pouco à rodoviária, mas mesmo assim continua sendo lembrado por velhos companheiros de trabalho.

Nascido há 55 anos em Blumenau, Carlinhos começou cedo a se envolver com passageiros de ônibus. Com 14 anos de idade arrumou emprego de cobrador na Auto Viação Catarinense em sua cidade natal. Posteriormente, já agenciador de passagens, trabalhou em Florianópolis e Curitiba. Ato seguinte, a pedido da diretoria da empresa, foi comissário de bordo da linha Florianópolis-Curitiba.

Mas o sonho de Carlinhos era outro: queria ser motorista de ônibus. Por isso, às escondidas, vivia manobrando pesados veículos na garagem da Catarinense, em Florianópolis. Ao ser flagrado na boléia pelo inspetor José Vilas Boas por pouco não perdeu o emprego. “Envergonhado ao ser pego fazendo arte, pedi mil desculpas e ao mesmo tempo confessei a Vilas Boas que meu grande sonho era ser motorista. Além de não me despedir, nem me dar um gancho, ele acabou me ensinando os macetes para virar um bom profissional ao volante de um ônibus”, conta sem segurar a risada.

Algum tempo depois ao ser efetivado motorista, Carlinhos fez então a linha Florianópolis-Curitiba por quatro anos. Corria o ano de 1977 quando ele se desligou da Catarinense para trabalhar no setor administrativo da rodoviária de Joinville.

Passados alguns anos, Carlinhos foi surpreendido pelo prefeito Luiz Gomes, o Lula, ao receber convite para ser administrador da rodoviária.  Após a gestão de Lula ele foi mantido no cargo por Wittich Freitag e Luiz Henrique da Silveira. “Foram 16 anos como administrador, função que só deixei ao me aposentar”, destaca com uma pontinha de orgulho.

Casado com dona Teresinha, que conheceu dentro da rodoviária, Carlinhos é pai de três moças e avô de uma menininha. Extrovertido, sempre que ele bota os pés na rodoviária é recebido com festa por velhos companheiros de trabalho, que sentem falta de suas tiradas espirituosas, especialmente quando a conversa envereda para os lados da política e do futebol, seus assuntos preferidos  

 

Boas lembranças

Do tempo como administrador, Carlinhos tem saudades dos papos nas áreas gastronômicas na rodoviária e no bar de Florzino Borba onde, entre outros, reunia-se constantemente com Gerson Hoffmann, gerente da Catarinense; Sílvio Piazza, do Deter; Luiz Antônio Vilas Boas, também do Deter; José Bittencourt, o Bita, funcionário de um restaurante e Sebastião Benedito, do DNER. “Deixei na rodoviária uma penca de amigos. Se fosse para citar todos por certo tantos nomes não caberiam na página”, assinala bem humorado.  

Carlinhos é um apaixonado por uma rodada de dominó regada a cerveja e muita conversa solta. Da rodoviária sente saudade dos amigos, mas não do movimento atual. “No meu tempo o comércio local, especialmente nas lanchonetes, era muito mais forte. Quando tiraram a área gastronômica do piso térreo, colocando-as na parte superior do prédio, as coisas ficaram mornas. Hoje, comparado ao meu tempo, a rodoviária de Joinville é um local tristonho”, enfatiza o popular Carlinhos. (Herculano Vicenzi, especial para o Notícias do Dia)

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