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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Ana Gern resgata conhecimentos do passado e dá a eles uma roupagem contemporânea

Seu projeto “Chão Amado”, inspirado nos “tipitis” usados nos engenhos de mandioca, ficou entre os três melhores do 3º Paraty Eco Fashion, mostra com designers do país todo

Maria Cristina Dias
Joinville
Fabrício Porto/ND
Mergulhada em formas, cores e texturas proporcionados pelo crochê, Ana faz uma releitura de peças antigas em seu trabalho

 

 

Houve um tempo em que as moças bordavam a mão seus enxovais, as senhoras faziam crochê com as amigas para enfeitar a casa, e os alimentos que chegavam à mesa, como a farinha, eram produzidos em engenhos familiares na área rural. Estes conhecimentos, aos poucos, foram sendo deixados de lado e substituídos por outros, no nosso dia a dia. Mas ainda há quem busque nessas antigas práticas uma inspiração.

A joinvilense Ana Gern resgata esses antigos saberes e os recria com uma roupagem contemporânea e colorida. Une o presente e o passado em peças únicas, artesanais, repletas de histórias e significados. Um trabalho que começou há seis anos e que já é reconhecido no País: no fim do ano passado seu projeto “Chão Amado”, inspirado nas formas dos “tipitis” usados nos engenhos de mandioca, ficou entre os três melhores do 3º Paraty Eco Fashion, uma mostra que reuniu designers do país todo.

Joinvilense, ela desde pequena cultivou o gosto pela arte e aprendeu a valorizar a história.

Filha da artista plástica Cláudia Gern e de Raul Gern, um engenheiro agrônomo fascinado por antiguidades e que ao longo da vida montou variadas coleções, Ana cresceu em uma casa onde conservar os objetos, reaproveitá-los ou dar uma nova utilidade era rotina.

Estes conceitos foram sendo interiorizados pela menina e hoje se traduzem em sua arte, que tem dois fortes pilares: a história e a sustentabilidade. “É mostrar que essas histórias ainda existem e precisam ser conhecidas, valorizadas e preservadas”, explica ela, que até se formou em psicologia e atuou na área durante 13 anos antes de decidir largar tudo e se dedicar às suas criações. “Fui para a psicologia, porque não via na arte uma possibilidade profissional, mas ela não me realizava”, conta.

Em 2005, decidiu que era hora de apostar no que realmente gostava. Incentivada pelo marido e com a parceria da mãe, que já “crochetava” e a introduziu no mundo das agulhas, Ana Gern montou tempos depois uma coleção com colares que mesclavam bordados e crochê.

Buscar aprimoramento foi uma consequência natural. Ana fez pós-graduação em criação e gestão de moda na Univali e descobriu que suas peças eram autorais e mereciam uma assinatura. Em 2009, surgia a primeira coleção com a marca Ana Gern – artesanal, sustentável, repleta de significados: “Jardim do Amor” era dedicada à mãe, falecida pouco tempo antes.

Depois dos colares vieram almofadas, pufes, cestos, objetos de decoração... O crochê ganhou cores novas, vibrantes, e passou a ser tecido com tiras de malha que sobram das indústrias têxteis. Reaproveitar é uma das palavras-chave e Ana hoje conta com o apoio da RVB Malhas, de Brusque, que doa as tiras de malha, e da Doehler, em Joinville, que doa as sobras de tecidos usados em testes para a base dos pufes. “É uma forma de fazer um trabalho sustentável”, explica.

 

Bordados e “tipitis” : novos ares para antigos saberes


Resgatar e preservar os antigos saberes são outras marcas do trabalho de Ana Gern. Nessa busca, ela já coordenou o livreto “Entrelaçando Histórias”, realizado pela Sociedade Cultural Alemã de Joinville, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura, ao Turismo e ao Esporte, de Santa Catarina, que procurava recuperar a expressão cultural do bordado, por meio de sua história e as suas técnicas. Depois dele, realizou o projeto “Retratando Joinville”, que teve a proposta de desenvolver uma coleção de panos de prato, tendo como referência os tradicionais “Wandschoner” e a Estação da Memória de Joinville.

E em 2012, abriu os “baús” do Museu da Imigração, com o projeto “Desvelando Histórias – pesquisa exploratória sobre o bordado em Joinville a partir do acervo do Museu Nacional de Imigração e Colonização”, viabilizado pelo Simdec, da Fundação Cultural de Joinville.

Atualmente, Ana Gern pesquisa os “tipitis”, antigos cestos feitos de taquara trançada e usados nos engenhos de mandioca da região. Recriados em crochê com fitas de malha, eles foram inspiração para a coleção premiada no 3º Paraty Eco Fashion e agora a designer-artesã pretende resgatar a técnica de traçagem, praticamente esquecida. “A proposta é resgatar isso, documentar e fazer uma releitura nas peças”, afirma, sempre mantendo o foco nos conceitos de conhecer, preservar e dar novos usos, novos olhares.

 

Para conhecer um pouco mais das criações de Ana Gern, é só entrar no Facebook e buscar “Ana Gern Acessórios”:

https://www.facebook.com/pages/Ana-Gern-Acess%C3%B3rios/178196288944965?ref=br_rs.

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