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A história do colégio que fica na Estrada do Oeste, na zona Norte de Joinville

Registros documentados da Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt começam a partir dos anos 60, mas início remonta a 1883

R. Szabunia, especial para o Notícias do Dia
Joinville
04/11/2016 às 20H09

A história documentada da Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt só começa a partir dos anos 60 do século passado, quando houve a inauguração oficial. Porém, a julgar pelos registros esparsos e por testemunhos de antigos moradores, o colégio pode ter sido criado em 1883, na localidade de Três Barras, hoje situada no município de Garuva, posteriormente sendo transferido para a Estrada do Oeste, no Rio Bonito. “O que temos nos registros vem a partir de 1960, data da inauguração oficial”, confirma a diretora Caroline Michele Brunken.

Alunos da escola em foto sem data, provavelmente dos anos 1960 - Fabrício Porto/reprodução/ND
Alunos da escola em foto sem data, provavelmente dos anos 1960 - Fabrício Porto/reprodução/ND

A origem remota é reafirmada por pessoas que viveram parte da história, como a ex-professora Wanda Piazera Jahn. Aos 93 anos, ela refez na quinta-feira passada o trajeto do bairro Floresta, onde mora, até o colégio. Só que, desta vez, no carro da filha Tânia. “No tempo em que dei aulas aqui – relembra dona Wanda –, eu vinha de bicicleta desde o Floresta.” Sem precisar as datas exatas, a professora se recorda de que no início dos anos 60 ainda trabalhou no antigo colégio, em Três Barras, até mudar para a Estrada do Oeste. Logo depois, ela e o marido, Marcos Jahn, mudaram-se para o bairro da zona Sul. “Durante dois anos continuei aqui, até ser aprovada em concurso e ser transferida para outro colégio lá no Floresta, mais perto de casa”, conta.

Tânia e a mãe, a ex-professora Wanda Piazera Jahn - Fabrício Porto/ND
Tânia e a mãe, a ex-professora Wanda Piazera Jahn - Fabrício Porto/ND




“O que temos nos registros vem a partir de 1960, data da inauguração oficial”, confirma a diretora Caroline Michele Brunken - Fabrício Porto/ND
“O que temos nos registros vem a partir de 1960, data da inauguração oficial”, confirma a diretora Caroline Michele Brunken - Fabrício Porto/ND

Para ela, o convite para participar da reportagem foi uma agradável surpresa: “Foi muito bom retornar a essa escola e ver como cresceu e ficou bonita”.

O encontro também reuniu ex-alunos de dona Wanda, como Leonardo Hardt, filho do patrono. “Eu e três irmãos estudamos aqui, quando havia só uma sala.”

Ex-aluno com a neta

Outro ex-aluno presente era Mário Catarina de Oliveira, 64 anos. “Dona Wanda foi a melhor professora que eu tive”, elogiou. “Ele também era ótimo aluno”, retribuiu dona Wanda, para orgulho da pequena Eduarda, 7 anos, neta de Mário e aluna do 1º ano. “Aqui, a gente aprende muito sobre a natureza”, afirmava Eduarda, mostrando no mural as fotos de mais uma atividade do Projeto Arca de Noé.

“Foi um grande desafio assumir a direção do colégio há três anos, tanto pela necessidade de mudanças que havia, quanto pelo fato de ser minha primeira experiência na gestão”, diz Caroline Brunken. Graduada em pedagogia pelo antigo Iesville, atual Anhanguera, Carol chegou a se formar auxiliar de enfermagem e trabalhou anos no Hospital Dona Helena, antes de optar pelo magistério. Começou a carreira no colégio José do Patrocínio, na estrada Timbé, fez pós-graduação, passou em concurso público e iniciou o trabalho na rede municipal na EM Otto Ristow. Em 2012, assumiu a educação infantil no Alfredo Hardt, sendo promovida para a direção no ano seguinte. “Superar os desafios foi mais fácil devido ao excelente nível da equipe aqui do colégio”, elogia e agradece a diretora.

História ancestral

A se confirmarem os relatos não documentados, a EM Alfredo Germano Henrique Hardt tem origem que remonta aos primeiros núcleos colonizadores. “Se a data de 1883 estiver correta, é o segundo colégio mais antigo de Joinville, criado após a Escola Anaburgo”, reforça Jutta Hagemann, memória viva da história joinvilense.

Por volta do ano mencionado, os imigrantes europeus teriam iniciado o povoamento do que hoje são as localidades de Três Barras, em Garuva, e Estrada do Oeste, em Joinville. Instalada na casa de algum morador, a escola também abrigava os serviços religiosos, pela falta de uma igreja.

Em 3 de março de 1960, primeiro registro documentado, era criada a Escola Estadual de Três Barras, depois Escola Isolada Estrada D’Oeste, em seguida Escola Reunida Estrada D’Oeste, sempre sob a tutela do Estado. Em 1998, ocorreu a municipalização, adotando-se a denominação Escola Municipal Estrada D’Oeste.

Em 2006, a APP da escola e a associação de moradores local elaboraram um documento, enviado à Câmara de Vereadores, no qual se pedia a mudança do nome para Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt, com o objetivo de prestar uma homenagem ao doador do terreno onde foi edificado o colégio.

Lavrador e carroceiro

 “Meu pai nasceu na Estrada da Ilha, mas depois veio pra esses lados e adquiriu amplas extensões de terra, onde plantava e criava gado”, conta Leonardo, filho do patrono Alfredo Hardt. O agricultor costumava levar sua produção de carroça, para vender no comércio de Joinville. “Ele – acrescenta o filho – também transportava saibro pra pavimentação da rua João Colin.”

O mesmo carroção subiu muitas vezes a serra, para buscar bois em Campo Alegre. De tanto utilizar o antigo picadão serra acima, Hardt acabou ajudando nos trabalhos de abertura da estrada Dona Francisca, atual SC-418

O próprio Leonardo se recorda da época em que frequentou a escola, quando a Estrada do Oeste era uma região tipicamente rural. “Isso aqui mudou muito, a escola onde tive aulas com a dona Wanda era só uma sala pra todas as turmas.”

Projetos em duas frentes

A EM Alfredo Hardt está desenvolvendo duas frentes de projetos institucionais. O projeto “Catando histórias, caraminholando ideias... Vida à água!” tem como escopo o incentivo a ações de recuperação e preservação de mananciais, promovendo atitudes que visam a melhoria da qualidade da bacia do rio Cubatão. Foi construído um sistema descentralizado de tratamento de esgoto utilizando a tecnologia de zona de raízes com fluxo vertical. A implantação desse sistema de tratamento inclui uma sequência de atividades, inserindo os temas "Recursos Hídricos", "Saneamento" e "Preservação e Recuperação de Mananciais". As atividades são planejadas e executadas com auxílio do COM-VIDA.

Já “É o bicho! A Arca de Noé” é, segundo a diretora Carol Brunken, “o projeto mais encantador que já construímos, e tem como objetivo trazer um tema de muito interesse para as crianças, os animais”. O projeto impulsiona produções textuais, que servem como meio de comunicação e curiosidade pela comunidade escolar. A equipe de professores organizou um cronograma de cuidados com o galinheiro, onde convivem galinhas e patos e até um hamster. Pelo pátio circula livremente o galinho garnisé Fábio Júnior, um verdadeiro mascote da escola.

O colégio hoje
Escola Municipal Alfredo Germano Henrique Hardt

Quadro: 11 professores e quatro funcionários

Alunos: 190, divididos em dez turmas do 1º ao 5º anos do ensino fundamental

Instalações: cinco salas, secretaria e direção, orquidário, pomar, horta e bosque

Estrada do Oeste, 5.319, Rio Bonito

Telefone 47/3464-1447, blog emalfredogermanohenriquehardt.blogspot.com.br/

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