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A história de 110 anos do Colégio dos Santos Anjos de Joinville é contada em etapas

A partir deste sábado, 15 de outubro, uma edição de fim de semana por mês será reservada para contar um capítulo da trajetória do estabelecimento

R. Szabunia, especial para o ND
Joinville
14/10/2016 às 21H26

“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro.” A célebre frase do pensador, geógrafo e historiador grego Heródoto serve perfeitamente para justificar o projeto Memória Escolas, iniciado há três anos pelo jornal Notícias do Dia. A partir desta edição, a série ganha nova visão, com o aprofundamento das memórias de um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino de Joinville, o Colégio dos Santos Anjos.

Colégio dos Santos Anjos fica localizado na avenida JK, Centro de Joinville - Arquivo/ND
Colégio dos Santos Anjos fica localizado na avenida JK, Centro de Joinville - Arquivo/ND

Nos próximos dez meses, uma edição de fim de semana por mês será reservada para contar um capítulo dos 110 anos de história da escola. Paralelamente, uma página trará ações do presente, sempre com o olhar no futuro.

“Contamos com a participação de toda a comunidade do Santos Anjos para ajudar a relatar essa história”, exortava a diretora Adelina Dalmônico, em encontro realizado no dia  19 de setembro, quando o auditório do colégio recebeu professores, alunos, pais e alguns “ex” que fizeram parte da história. Entre estes ex estava Rosely Michels, professora de matemática de 1980 a 2003. “Meus quatro filhos estudaram aqui, e esse colégio é parte da nossa família”, disse a ex-professora, após assinar o livro de presença.

Resgate histórico

“Através da parceria com o jornal Notícias do Dia, faremos um resgate histórico. Afinal, são quase 110 anos de muitas histórias para contar. Para isso, precisamos muito da contribuição de todos vocês, para coletar e selecionar várias formas de registros, como boletins, fotos, jornais antigos, enfim, um material que nos ajude a reviver muitas memórias. A partir desse resgate, o jornal e sua equipe organizarão os materiais e entrevistarão as pessoas citadas para traçar uma linha do tempo associada aos projetos que acontecem hoje no Colégio dos Santos Anjos”, acrescentou a coordenadora pedagógica, Viviane de Cassia dos Santos. “É muito movimento, muita vida em um colégio que preza, sobretudo, os valores!”, concluiu a coordenadora.

Se você, leitor, participou de alguma forma dessa história, entre em contato para dar seu depoimento e ajudar a enriquecer o relato. No colégio, procure a coordenação pedagógica, pessoalmente ou pelo e-mail coordenacaopedagogica@santosanjos.g12.br. No jornal, e-mails para redacaoj@noticiasdodia.com.br ou rszabunia@gmail.com.

 O início com dois padres

 Dois padres fazem parte do início da história do Colégio dos Santos Anjos. O primeiro foi Carlos Boegershausen. Vigário da primeira igreja católica de Joinville, inaugurada em 1867, foi também dele a iniciativa de criar uma escola orientada pelos princípios católicos. O colégio tornou-se público após a morte do padre Carlos, encerrando as atividades pouco depois.

O segundo clérigo foi o também vigário monsenhor José Sundrup, sucessor do padre Carlos. Foi no dia 1º de agosto de 1917 que se fundou o colégio, batizado São Vicente de Paulo, homenageando o sacerdote francês nascido Vincent Depaul (1581-1660), canonizado em 1737 e declarado patrono das obras de caridade da Igreja Católica em 1885.

Nos primeiros tempos, as turmas do novo colégio assistiam às aulas na sacristia da igreja (a atual Catedral do Bispado) e em salas alugadas, em condições precárias. Até o dia 18 de janeiro de 1908, segundo consta nos registros históricos, o próprio padre José Sundrup foi o diretor da escola e exerceu a função de mestre-escola. O primeiro professor contratado foi Klemens Schmidt.

 Pedido ao bispo

 Vendo os bons resultados e pensando na continuidade do colégio, em dezembro de 1908 o padre José Sundrup enviou correspondência à Diocese, descrevendo e pedindo: “A sociedade Deutscher Katolikenverein dá às freiras uma casa com duas salas grandes e uma pequena para instituir-se a escola alemã e brasileira, especialmente de meninas, ou talvez também meninos pequenos. A mesma casa é residência das freiras. ... As freiras recebem as mensalidades dos discípulos e um subsídio do vigário. Dois professores leigos ... dirigem a escola dos meninos e uma aula noturna para aprendizes grandes em outra casa. Um professor pode servir de sacristão. Outro professor será também organista, recebendo 100$000 (cem mil réis) por ano. Como professor ordinário e extraordinário das freiras na escola e no hospital pode-se nomear os dois padres aqui residentes”.

Naquele primeiro ano letivo, a escola teve apenas 32 alunos, passando para 85 no exercício seguinte. No dia 18 de janeiro de 1909, quatro irmãs da ordem da Divina Providência – Fidelis Holtforth, Leonilla Frey, Evangelista Holthaus e Lintrudis – assumiram a administração da escola, que viu o total de matrículas subir para 234 alunos, que aprendiam em português e em alemão. As quatro religiosas moravam numa pequena casa onde hoje é a esquina das ruas Padre Carlos e Juscelino Kubitschek, dando aulas na sacristia da igreja e nas saletas alugadas.

 Prédio próprio

 Como as condições eram precárias – “Em dias chuvosos era preciso, às vezes, trabalhar de guarda-chuva aberto”, relata a história –, fazia-se urgente providenciar novas e adequadas instalações para o colégio. Desafiando as dificuldades, a congregação, dirigida pelo padre Wienken, iniciou a construção de um prédio. Além das parcas finanças, o projeto enfrentava oposição na Câmara Municipal. Porém, com esforço e ajuda de cidadãos, como o prefeito Oscar Schneider, a obra prosseguiu. O novo colégio foi inaugurado no dia 5 de julho de 1914. No mesmo evento organizou-se um bazar, que rendeu um lucro de 1,5 milhão de réis.

Em 1916, o colégio anexou o jardim de infância da cidade, trazendo 50 crianças ao local. Em 1917, como consequência da 1ª Guerra Mundial, o padre José Sundrup precisou deixar a cidade e o colégio foi fechado. A reabertura, no entanto, deu-se já no ano seguinte, quando se inicia a segunda década da história, a ser contada no próximo capítulo.

 Feira de Ciências aborda a Terra e o homem

 “A Terra e o homem: nossa responsabilidade” é o tema da 18ª Feira de Ciências do Colégio dos Santos Anjos, que iniciou em setembro e terá a terceira etapa iniciada nesta segunda, estendendo-se até novembro, envolvendo os alunos da educação infantil. Mais de 1.500 pessoas, entre alunos, professores, colaboradores, equipe administrativa e pais são mobilizadas no evento.

A coordenadora pedagógica Viviane de Cassia Romão Lucio dos Santos detalha: “O tema ‘A Terra e o homem: nossa responsabilidade’ foi escolhido no início do ano letivo, em nossa semana pedagógica, antes do início das aulas, e desde o começo das atividades em sala de aula os professores já mobilizam os alunos”. Definido o tema, as equipes passam ao trabalho de pesquisa, experimentos e estudo dos conteúdos em sala de aula. Depois confeccionam cartazes, maquetes, diversos objetos e jogos, utilizando, de preferência, material reciclado.

 Boa expectativa

 “Como a feira mobiliza toda a comunidade escolar, nossas expectativas são muito positivas, pois há uma interação e uma movimentação pedagógica no colégio já antes de a feira começar. As apresentações são sempre muito ricas e aprofundam os conhecimentos teóricos debatidos em sala”, acrescenta Viviane dos Santos.

Além do conhecimento científico, há uma preocupação com a formação relacionada aos valores dos alunos. “Para a nossa instituição, que preza tanto a participação das famílias, é mais um momento de compartilhar e confraternizar, celebrando o conhecimento”, conclui a coordenadora pedagógica.

 Calendário

- 17 de outubro a 28 de novembro – Educação Infantil

Horário: das 8h às 12h e das 13h30in às 15h30

Local: Ginásio de Esportes e Educação Infantil

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