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A antiga Joinville vista pelas lentes do fotógrafo Fritz Hoffmann

Imigrante alemão se notabilizou pela dedicação à fotografia na cidade no início do século 20

R. Szabunia
Joinville
09/09/2016 às 20H01

“Já tenho seis álbuns, a maioria montados depois das primeiras reportagens. Muita gente entrou em contato após sair no jornal, e forneceu fotografias. Dona Cristina Schroeder foi uma que me ajudou muito. E ainda há centenas de fotos em álbuns com outras famílias, que preferem guardar. Com o tempo, vou digitalizar tudo, montando um grande acervo.” A declaração de Fátima Hofmann é seguida de um intenso manuseio de álbuns e fotografias avulsas, enchendo a mesa da sala do apartamento. Além dela, o acervo é conferido e comentado pelos primos Ingo Hofmann e Manfredo Trauer. Fátima e Ingo são bisnetos e Manfredo é neto de Fritz Hofmann, imigrante alemão que se notabilizou pela dedicação à fotografia.

As duas primeiras reportagens sobre o fotógrafo, escritas pela jornalista e agora integrante da AJL (Associação Joinvilense de Letras), Maria Cristina Dias, saíram em 2011 e 2014 nas páginas do ND. “Desde a primeira reportagem, tenho conseguido aumentar minha coleção de fotografias, tanto ganhando fotos originais, quanto copiando de quem prefere não se desfazer”, diz Fátima. “Não deixe de digitalizar tudo e salve não só no notebook, mas também em HD externo e onde der”, alertava o primo Ingo.

Empresário lojista, Manfredo conviveu com o avô, ao contrário dos primos Ingo e Fátima, uma geração mais novos. “Infelizmente, mesmo ele sendo fotógrafo, não tenho lembranças em imagens dos bons momentos, jogando baralho, por exemplo. Na época, não imaginávamos que aquele vínculo viria a se tornar algo tão valioso.” Mas a prima Fátima mostra fotografias que surpreendem o próprio Manfredo.

A enchente é um problema que Joinville enfrenta desde o início, como mostra este registro - Reprodução/ND
A enchente é um problema que Joinville enfrenta desde o início, como mostra este registro - Reprodução/ND



Na área próxima ao atual Mercado Municipal, Joinville já teve um movimentado porto - Reprodução/ND
Na área próxima ao atual Mercado Municipal, Joinville já teve um movimentado porto - Reprodução/ND



 

Encontros familiares

Ingo Hofmann, Fátima Hofmann e Manfredo Trauer, descendentes de Fritz Hofmann - Reprodução/ND
Ingo Hofmann, Fátima Hofmann e Manfredo Trauer, descendentes de Fritz Hofmann - Reprodução/ND



Analisando uma imagem de família, de 1950, Manfredo identifica cada pessoa na foto – inclusive a si próprio. “Essa era a casa do Max Hauffe, sempre íamos lá aos finais de semana. Era no Itaum, descendo a Monsenhor Gercino. Aqui está o casal Hauffe, meus avós, meus pais, eu e minha irmã, os caseiros, Adolfo e Erica Herkenhof, Amanda Schossland...”, vai apontando e relembrando as circunstancias do encontro. O mesmo se dá com outras fotografias, algumas que ele nem mesmo conhecia, hoje valiosas peças do acervo familiar.

Encontro em 1950, na residência de max Haufe, no Itaum. Fritz é o primeiro à direita na primeira fila; sua esposa, Gertrud, está na fila de trás; ao lado dela, Guido, irmão de Fritz; as crianças são Manfredo e a irmã Helga - Reprodução/ND
Encontro em 1950, na residência de Max Haufe, no bairro Itaum. Fritz é o primeiro à direita na primeira fila; sua esposa, Gertrud, está na fila de trás; ao lado dela, Guido, irmão de Fritz; as crianças são Manfredo e a irmã Helga - Reprodução/ND


“Meu avô veio da Alemanha com cinco filhos. Quando enviuvou da primeira esposa, casou-se com a mulher que era empregada dele. Desse segundo casamento nasceram mais três filhos, entre eles minha mãe”, detalha Manfredo Trauer.

Nascido em 1941, o empresário destaca algumas características de Fritz Hofmann: “Meu avô era muito habilidoso, agradava a criançada com carrinhos e outros brinquedos. Mas, mesmo sendo exímio na arte, nunca fazia nada em casa, todo o trabalho pesado era com a minha avó. Pode ver, em todas as fotos em que ele aparece, sempre tá assim, de chapéu, terno, gravata, todo posudo. E a velha no fogão. Então, ele sempre teve tempo pra construir carrinhos, armários etc.”.

Estrada Dona Francisca, em um registro feito em 1915 - Reprodução/ND
Estrada Dona Francisca, em um registro feito em 1915 - Reprodução/ND

A antiga Joinville vista de cima - Reprodução/ND
A antiga Joinville vista de cima - Reprodução/ND



História

 Refrescando a memória: Frederico – apelidado Fritz – Hofmann nasceu em 1872 na cidade de Chemnitz, na Alemanha. Imigrou para o Brasil em 1903, fixando-se inicialmente em São Francisco do Sul. Entre 1904 e 1907 morou em Hansa Humboldt (atual Corupá), trocada então por Joinville, onde faleceu, em 1960. Dedicou-se com afinco à fotografia, montando um estúdio e retratando especialmente as belezas da região. É de autoria dele, por exemplo, aquela que se considera a primeira fotografia panorâmica de Joinville, batida em 1912 do alto da chaminé da Wetzel. Esta foto, assim como muitas outras, é parte do acervo mantido pelo historiador José Carlos Cacá Fagundes, de Barra Velha.

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