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Empresário que foi prefeito batiza escola do coração do Costa e Silva

Arnaldo Moreira Douat é a quarta da segunda etapa da série Memória Escolas 2, que resgata a história das unidades de Joinville e de seus patronos

Redação ND Joinville

 

Luciano Moraes/ND
Há mais de 45 anos, escola é referência em educação no bairro Costa e Silva

 

A expressão “no coração do Costa e Silva”, título desta quarta reportagem da segunda etapa da série Memória Escolas, tem duplo sentido. Indica não só a localização, no centro do bairro, mas também a identificação da Escola de Ensino Básico Arnaldo Moreira Douat com o Costa e Silva.

“Antes da inauguração desse colégio, a comunidade precisava se deslocar até o Centro ou matricular os filhos no Plácido Olímpio de Oliveira, no Bom Retiro, ou no Giovani Faraco, no bairro Santo Antônio. Há 46 anos, nosso colégio começou a missão de educar e formar cidadãos”, diz Ruth Berger Prusse, diretora do “Arnaldo” nos anos 90. “Estou só há dois anos aqui, mas já me sinto membro da comunidade. É um prazer trabalhar com essa equipe”, reforça o atual diretor, Loreno Thiago Pereira da Costa.

 

O colégio hoje:

700 alunos

1º ao 9º anos do ensino fundamental e três anos do ensino médio

4 turmas no Ensino Médio Inovador, em turno integral

70 funcionários, sendo 60 professores

Notas no Ideb: 6,1 nas séries iniciais e 5,2 nas séries finais (as metas para o ano que vem são de 6,4 e 5,5, respectivamente)

Endereço: rua Geny Peixer, 153, Costa e Silva

Telefone: 3435-1802 – email eebarnaldomd@sed.sc.gov.br

 

Luciano Moraes/ND
Em pé, da esquerda, os assistentes técnico-pedagógicos Cecília Tomazia Nau Avila, Nilce Warmeling Policarpo, Ana Lúcia Faraco, Teresinha Helena Schmitz e Marlus Luiz Cecatti; sentados, a assessora de direção Mariceia Dacoregio Volpato Braz e o diretor Loreno Thiago Pereira da Costa

 

Do grupo escolar ao médio inovador

A primeira escola do bairro Costa e Silva nasceu no dia 5 de junho de 1968, com a denominação Grupo Escolar Prefeito Arnaldo Moreira Douat e aulas de 1ª a 4ª série. Pelo decreto nº 484, de 9 de maio de 1974, foi transformada em escola básica, começando a funcionar a 5ª série do 1º grau e, gradativamente, nos anos seguintes da 6ª à 8ª série do ensino fundamental.

A portaria 0149, de 23 de abril de 1981, criou o Colégio Estadual Arnaldo Moreira Douat, com o curso de 2º grau em habilitação básica em administração. Em 1985, foi autorizado o funcionamento do curso de 2º grau sem habilitação específica. Desde o ano 2000, a instituição se denomina Escola de Educação Básica Arnaldo Moreira Douat. O nome é homenagem ao empresário que foi prefeito de Joinville de 1940 a 1944.

Antes da criação da escola, inaugurada oficialmente em 9 de março de 1972, as crianças do bairro Costa e Silva estudavam em colégios nos bairros Bom Retiro e Santo Antônio, respectivamente, ou mesmo nas escolas do Centro.

Desde o pioneiro grupo escolar, em 1968, o colégio já passou por várias reformas e ampliações, ocupando hoje uma quadra inteira na rua Geny Peixer, praticamente no centro geográfico do Costa e Silva.

 

Iran Correia/Arquivo/ND
Em abril de 2011, um grande susto, com a queda da estrutura do ginásio poliesportivo que estava em obras

 

A história da escola também registra um incidente que, felizmente, não fez vítimas, quando desabou a parede da obra do ginásio esportivo. O ND publicava, no dia 6 de abril de 2011: “Um barulho seguido de tremor e muita poeira assustou os mais de 350 alunos e os moradores que vivem no entorno da Escola Estadual Arnaldo Moreira Douat, no bairro Costa e Silva. Foi na tarde desta quarta (5/4), quando parte da estrutura de um ginásio de esportes que está sendo construído na instituição cedeu e tudo desabou. Apesar do incidente, nenhum dos seis funcionários que atuavam na obra nem mesmo os estudantes ficaram feridos”. Retomada logo depois, a obra foi concluída e hoje alunos e a comunidade dispõe de um ginásio coberto, com quadra poliesportiva.

 

Histórias de gerações

No dia da reportagem na EEB Arnaldo Moreira Douat, a pessoa com menos tempo de trabalho na instituição era justamente o diretor Loreno Thiago Pereira da Costa. “Estou há pouco tempo, mas já me sinto componente da família”, garantia o diretor, recepcionando antecessoras e ex-professoras com um café na biblioteca do colégio, decorada com mensagens de boas-vindas e oferecendo viagens ao passado em álbuns de fotografias de várias épocas.

Nascido em Rio Negro, no Paraná, Loreno Pereira da Costa iniciou a carreira há 27 anos, como professor de educação física em colégios das vizinhas Rio Negro e Mafra. “Também jogava futsal, e cheguei a Joinville há dez anos, como gestor de lazer do Sesi”, recapitula o diretor, que passou pelos colégios Monsenhor Scarzello, Elpídio Barbosa e Paulo Medeiros, antes de assumir a direção do Arnaldo Moreira Douat, em 2012.

“Encontrei uma escola bem estruturada, uma ótima equipe e famílias participativas”, elogia, destacando o Núcleo de Educação Ambiental formado pelos alunos e já aproveitando para convidar a comunidade para a Feira de Ciências, que será no dia 6 de setembro.

 

Luciano Moraes/ND
Ruth Prusse, ex-diretora, se emociona ao retornar à escola

 

Uma das antecessoras na direção, Ruth Berg Prusse, 67 anos, fazia questão de destacar não apenas sua passagem pelo “Arnaldo”, como sua condição de moradora do Costa e Silva. “Mato a saudade do colégio a cada dois anos, pois aqui fica minha seção eleitoral”, destacava, enquanto folheava os álbuns e revia antigos colegas e alunos (“Olhe a professora Jordelina Anacleto sendo homenageada por 25 anos de serviço”, apontava para a foto).

Aposentada após 31 anos de magistério, Ruth começou a carreira no Plácido Olímpio de Oliveira. Chegou ao Arnaldo Douat em 1980, como professora de educação física. “Nosso colégio foi o terceiro informatizado de Joinville”, destaca. Ruth exerceu a direção de 1990 a 97, quando se aposentou.

 

Luciano Moraes/ND
Selisa da Silva Miranda reencontra na escola uma foto de  umas duas décadas atrás, em que ela se encontra

 

Outra moradora do Costa e Silva, onde chegou vinda de São Joaquim, é Selisa da Silva Miranda, 68, professora no “Arnaldo” desde que o colégio tinha só o ensino primário. “Eu era efetiva na rede estadual – conta – fazia cinco anos, e queria ir para um centro maior. Acabei transferida para cá e nunca mais saí. Quando entrei, éramos apenas dez professoras e precisávamos nos revezar entre a sala de aula e a manutenção do colégio. No início, recebemos muitos alunos do Giovani Faraco. Foi muito importante, sempre, o apoio de toda a equipe e da APP.” Os dois últimos anos de Selisa no colégio, 1991 e 92, quando se aposentou, foram passados na coordenação da biblioteca. Seus filhos, Anderson e Fabiane, foram alunos na escola.

 

Reprodução/Luciano Moraes/ND
Arnaldo Moreira Douat, empresário e prefeito, é o patrono

 

Lembranças do avô

Neto de Arnaldo Moreira Douat, o empresário Etienne Douat destaca que, mesmo tendo convivido pouco com o avô, tem na memória um homem determinado e influente. A seguir, seu depoimento.

“Tive muito pouco tempo de convívio com meu avô, já que, quando morreu, em 1963, eu tinha oito anos. Ele foi um homem muito marcante na sua presença e influência na família, e conseguia transmitir educação e caráter de uma forma, ao mesmo tempo, firme e carinhosa. Era especialmente presente com os netos nos momentos em que tinha tempo, já que era um empreendedor e vivia isso intensamente. Por ser o neto mais velho, tive o privilégio de ter alguns momentos especiais com ele. Vou descrever dois, que são claros como um filme. Quando ia à empresa, à tarde, inúmeras vezes me levava no carro para passar a tarde com ele e, lembro, íamos conversando sobre negócios, trânsito e os mais variados assuntos, coisas que pouco entendia, mas, as lembranças de hoje mostram, foram lições que ficaram para sempre. Um dia, quando chegamos a uma rua perto da empresa, atravessada pela ferrovia, ele parou o carro e eu lhe perguntei por que tinha parado. Ele me olhou e disse: ‘Você vê aquela placa? Ela diz, pare, olhe, escute e, então, siga. Lei é para ser cumprida’. Pode parecer algo banal, mas, anos depois, fiz a mesma coisa com meu filho, situação que me emocionou muito e toda vez que lembro dele, isso me vem à memória, inclusive o som da sua voz. Nas férias, íamos a Ubatuba. Ele chegava, geralmente, na sexta feira à tarde. Me pegava pela mão e íamos a um boteco onde encontrava-se com o dono, e ficavam conversando e bebendo pinga durante um bom tempo. Eu ouvia as conversas e perguntava coisas. Todas as perguntas eram sempre prontamente respondidas. Após um tempo, íamos para casa, geralmente depois de uma trovoada com chuva, chutando as poças d’água. Chegando em casa, cumpríamos uma obrigação, que era a de bombear água manualmente para a caixa. Só depois jantávamos e ficávamos muito tempo conversando.”

 

Reprodução/Luciano Moraes/ND
Direto do túnel do tempo, o desfile de 7 de setembro de 1995

 

A biblioteca pública, entre seus feitos

Arnaldo Moreira Douat nasceu em Joinville, em 1906, filho de Henrique Douat e Herundina Moreira. Deu continuidade aos negócios do pai, fundador da Douat & Cia., empresa comercial dedicada à venda de automóveis, erva-mate e outros produtos. Ampliou a área de atuação, criando a divisão industrial, com a instalação de uma pequena metalúrgica. A empresa se transformou numa unidade de fundição de peças, estamparia de aço inoxidável, indústria mecânica com produção de máquinas, ferramentas, compressores e tornos. Presidiu a Acij (Associação Comercial e Industrial de Joinville), hoje Associação Empresarial de Joinville – de 1936 a 38. Por ato do interventor estadual Nereu Ramos, foi nomeado prefeito de 1940 a 44. Entre suas principais realizações está a construção da biblioteca pública, inaugurada na gestão seguinte, do prefeito Rolf Colin. Arnaldo Douat foi também presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, em 1962. Faleceu em 1963.

 

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