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Terça-Feira, 23 de Outubro de 2018
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Todas as novidades do Carnaval de Floripa: as festas programadas, bastidores e o aquecimento dos tamborins até o grande dia da festa!

O amor do Morro do Céu pelo Carnaval fez surgir a escola de samba Dascuia

Homenageado pelos familiares, Altamiro José dos Anjos, o Seu Dascuia, foi presidente da Protegidos e da Copa Lord

Felipe Alves

O histórico de amor pelo Carnaval e pelo samba fez de Altamiro José dos Anjos, o Seu Dascuia, 82 anos, uma figura emblemática da folia da cidade. Ex-presidente de Os Protegidos da Princesa e vice-presidente da Copa Lord, ele é um apaixonado pelo Carnaval. Criada em 2004 como forma de bloco em homenagem a Dascuia, a escola de samba que leva o nome dele teve uma rápida ascensão no Carnaval da cidade. Seus filhos, sobrinhos, netos e a mulher, Dona Valdeonira Silva dos Anjos, 82, comandam a escola de samba de Florianópolis mais nova do Grupo Especial.

Toda família de seu Dascuia e dona Valdeonira é envolvida com o Carnaval - Marco Santiago/ND
Toda família de seu Dascuia e dona Valdeonira é envolvida com o Carnaval - Marco Santiago/ND

No primeiro ano em que o bloco de sujos saiu, em 2004, cerca de 300 pessoas desfilaram. O primeiro nome, Filhos do Dadá, foi trocado posteriormente para Dascuia. “No ano seguinte saímos com mais pessoas e depois foi aumentando muito rápido. Chegamos a sair com quase 2 mil pessoas como bloco, e aí as pessoas diziam pra gente formar uma escola. Fomos crescendo em estrutura, organização, cultura, componentes”, relembra dona Valdeonira. O quintal da casa dela e de Seu Dascuia virou local de preparação da folia e de comemoração. “O fortalecimento da escola foi graças ao apoio da comunidade do Morro do Céu”, afirma a ex-professora.  

Com o envolvimento de toda a família e da comunidade, a Dascuia estruturou-se com o passar dos anos e tornou-se escola em 2011. Seu Dascuia chegou a desfilar no bloco e também na escola, mas desde que ficou doente, não saiu mais. “Olhando pra ele parece que ele está doente, mas se disser que tem Carnaval ou tocar um instrumento, parece que não tem doença”, diz ela.

Entre as alegrias e dificuldades proporcionadas em tantos anos no Carnaval, dona Valdeonira afirma que o momento que ela mais gosta é, na verdade, quando terminam os desfiles. “Eu fico contente quando sai o resultado, seja positivo ou negativo, mas é o momento em que tudo fica em paz. Antigamente esse era um dia de reboliço, de tristeza, por que dava muita briga. Mas hoje é de muita paz. Eles entenderam que Carnaval é cultura, é diversão e que um tem que respeitar o outro e que a paz é a coisa mais importante na nossa vida. A vitória da escola de samba se obtém na passarela”, defende ela.

 

Inspiração na Mangueira

Músico e atleta na Base Aérea de Florianópolis, Dascuia vivia nas rodas de samba da cidade. Passou por vários segmentos da Protegidos e da Copa Lord até virar presidente na década de 1980. “Ele era muito dinâmico, militar da reserva, pratica muitos esportes, como futebol, vôlei, basquete, corrida e foi medalhista dos Jogos Abertos”, relembra Valdionira.

A criação do bloco Dascuia tomou emprestada as cores verde e rosa da escola Mangueira, do Rio de Janeiro, paixão de Seu Dascuia. Após sagrar-se campeã dos blocos de enredo em 2011, a agremiação foi convidada a participar do Grupo de Acesso em 2012. Dois anos depois, ficou em primeiro lugar no segundo grupo com um enredo que homenageou Xangô. Desde 2015, permanece na elite do Carnaval manezinho.

 

>> Confira a entrevista em vídeo com Valdeonira

>> Confira a área especial com todas as informações do Carnaval 2018 

Ficha técnica

Localidade: Morro do Céu, Florianópolis

Fundação: 22 de fevereiro de 2004

Cores: verde e rosa

Título: campeã do grupo de acesso em 2014

Ensaios: sextas e domingos, às 20h, na passarela Nego Quirido

Enredo 2018: “O samba e o reino da pequena África” – O fundador da escola, seu Dascuia (Altamiro José dos Anjos), irá narrar a origem do gênero musical que deu vida ao samba brasileiro: o semba. A história começa na Angola do século 19, passa pela escravidão, o desembarque dos navios negreiros ao Rio de Janeiro e a musicalidade que une África e Brasil e o Carnaval do país e de Florianópolis.

 

Samba-enredo

Compositores: Juninho Zuação, André Filosofia, Nando do Cavaco e Juliano Silva

 

O som do batuque vai ecoar

No rufar do meu tambor... Griot, Griot

Tem que respeitar, o Morro do Céu chegou

É Dascuia amor!

O meu nome é Altamiro José

Com muito orgulho eu sou

A luz dos meus ancestrais

Na força dos orixás, do "Semba" o divino protetor

Em Luanda ê... foi tão lindo ver

Dois jovens, uma só paixão

Bailando cheios de emoção

Ôôô...Ôôô...No lamento do negro ecoou

Um canto nagô no Tumbeiro

Escravizado pela tirania

Foi "mercadoria" no Rio de Janeiro

Reluz no olhar o sol da liberdade

Fez brotar em meu peito a felicidade

"Fraternité", nasce um reino de “Égalité"

Na Praça Mauá eu vi a Nova África

Da Pedra do Sal, o ritmo do jongo foi universal

Tia Ciata se pôs a avisar

“Pelo telefone”, o samba mandou me chamar

A bandeira da cultura com nobreza defendi e ostentei

Marcou na memória, o meu nome na história imortalizei

E hoje no "Olimpo" sou mais um bamba

Salve a majestade: o Samba!

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