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História da Consulado: projetos sociais, relação com o Rio de Janeiro e muita superação

A carioca Graça Carneiro, que faz parte da Consulado desde 1989, relembra histórias e momentos da escola da Caeira do Saco dos Limões

Felipe Alves
12/01/2018 15h34

Nascida no berço do Carnaval, no Rio de Janeiro, Graça Carneiro, 66 anos, encontrou na escola de samba Consulado um pedacinho do Rio quando chegou a Florianópolis. Torcedora do Salgueiro, ela desfilou e também trabalhou na escola carioca com o lendário carnavalesco Joãosinho Trinta, que é tema do enredo da Consulado este ano. Graça mudou-se para Florianópolis em 1989, quando a escola da Caeira do Saco dos Limões já havia se firmado como bloco e começava a desfilar como escola de samba. Desde então, dedicou boa parte de sua vida à agremiação e a projetos sociais na comunidade.

Graça Carneiro coordenou durante anos um projeto social na Caieira do Sacos dos Limões - Marco Santiago/ND
Graça Carneiro coordenou durante anos um projeto social na Caieira do Sacos dos Limões - Marco Santiago/ND

A origem da Consulado tem forte ligação com o Rio de Janeiro e o Salgueiro – incluindo as cores vermelho e branco. Em 1976, alguns trabalhadores cariocas da então recém-criada Eletrosul decidiram criar um grupo musical para animar confraternizações. No ano seguinte, eles se organizaram para sair no Carnaval como bloco na Avenida Paulo Fontes e faturaram o primeiro lugar. Os próximos dez anos foram de louvor, com a Consulado vencendo em todas as disputas. Em 1986, a categoria de bloco ficou pequena demais para a Consulado, que desde então passou a ser reconhecida como escola de samba.

Nessa mudança, Graça surgiu e integrou à agremiação seu trabalho como arte educadora. Com o projeto Caieira 21, criado por ela, centenas de jovens realizaram atividades no contraturno escolar e aprenderam habilidades que executam até hoje, seja na escola de samba ou fora dela. O projeto chamou a atenção de Joãosinho Trinta, amigo de longa data de Graça, que esteve na quadra da Caieira em 1991 visitando escolas de samba. A convite dele, um grupo de jovens da Consulado foi até o Rio de Janeiro participar da conferência Eco92.

Depois de anos de dedicação à Consulado, neste Carnaval Graça decidiu se aposentar da avenida e do trabalho como arte-educadora para se dedicar aos netos. “Este ano, a Consulado fazendo homenagem a toda transformação que ele (Joãosinho) fez no Carnaval, me emociona muito. Então esse ano eu decidi não desfilar, mas aplaudir e aplaudir também o rei João”, afirma ela.

 

Graça Carneiro foi amiga de longa data de Joãosinho Trinta e o carnavalesco chegou a visitar a Consulado em 1991 - Divulgação/ND
Graça Carneiro foi amiga de longa data de Joãosinho Trinta e o carnavalesco chegou a visitar a Consulado em 1991 - Divulgação/ND

Vida dedicada à Consulado

Graça sempre participou ativimente da vida cultural da escola – principalmente dedicada aos jovens. Ela já fez parte da pesquisa de enredos, era responsável pelos registros históricos da escola, coordenadora da ala mirim e integrante da Velha Guarda. “Eu não estou Velha Guarda, eu sou Velha Guarda. É muito bom você ter esse orgulho de participar de tantos momentos importantes da escola”, destaca ela.

Com as crianças, todos os anos ela realizava um trabalho de envolvê-las no enredo da escola. “É importante mostrar pra eles a história do samba, nossa ancestralidade, a contribuição afro e europeia”, afirma.

 

>> Confira a entrevista em vídeo com Graça Carneiro

>> Confira área especial com todas as informações do Carnaval 2018 

Localidade: Caeira do Saco dos Limões, Florianópolis

Fundação: 1976

Cores: vermelho e branco

Títulos: seis títulos no Grupo Especial e um título do Grupo de Acesso (2016)

Ensaios: terças, quintas e sábados, às 19h, na Arena Consulado (Rua Custódio Fermino Vieira, 20, Caeira do Saco dos Limões)

Enredo 2018: “Os sete reinados do rei João (Joãosinho Trinta)” – A escola vai contar a história do famoso carnavalesco Joãosinho Trinta em sete partes. Para isso, a avó do personagem, Nhá Vita, vai guiar a história do maranhense e visitar seis reis que deram nome a enredos carnavalescos feitos por João.

 

Samba-enredo

Compositores: Casinha, Guilherme Cecílio, Jacson do Cavaco, Mancha do Cavaco, Rafa Schrann e Ricardo Martins

 

No céu reluziu uma estrela

A saudade me faz recordar

Não chore não vovó...

Dizia o menino em seu afago

Feito beija-flor voou na história

Num sopro da imaginação

Se fez poema o cisne a bailar

Oh... São Luís, encantarias

No cortejo adorado

Alquimia de um segredo apontado

O tesouro do seu Carnaval

 

Lançada a sorte é jogo de azar

A majestade venceu pode apostar

Exala um cheiro de flor

É primavera...lembranças que tempo revela  (bis)

 

Do quilombo lamentos em chamas de dor

Suplício de libertação

Desabrocha a arte no horizonte

Cenário extasiante de espantos sem igual

O soar da sirene anuncia

No reino da folia sua consagração

Nesse bal masqué larguem minha fantasia

Traz nostalgia, do luxo e a pobreza

Valeu João, a tua luz resplandeceu

A voz do povo é a voz de Deus (bis)

 

Sonhei que o rei voltou pra brilhar

Na consulado nesse chão

Roda saia baiana, gira porta bandeira

Caeira... hoje é o reino da emoção (bis)

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