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Da ala das crianças à velha guarda, Dona Lica é a história viva da Protegidos da Princesa

Filha de Dona Didi e Antonio de Oliveira, Dona Lica viu desde pequena a casa onde morava virar a sede da escola

Felipe Alves
12/01/2018 15h30

Dos 70 anos que a escola de samba Os Protegidos da Princesa completa em 2018, Dona Lica lembra de desfilar há pelo menos 64 pela agremiação mais antiga da cidade. Seja na praça 15 de Novembro, na Avenida Paulo Fontes ou na passarela Nego Quirido, a história da Protegidos e do samba de Florianópolis é também a história de Eli de Souza Neves, de 67 anos. A partir desta edição, o Notícias do Dia vai apresentar histórias de pessoas ligadas às seis escolas do Grupo Especial do Carnaval de Florianópolis.

Dona Lica com a neta Lorena Ribeiro Neto, que acompanha a avó nos ensaios da Protegidos - Daniel Queiroz/ND
Dona Lica com a neta Lorena Ribeiro Neto, que acompanha a avó nos ensaios da Protegidos - Daniel Queiroz/ND

Filha de Dona Didi e Antonio de Oliveira, que ajudaram a fundar a Protegidos em 1948, Dona Lica viu desde pequena a casa onde morava virar a sede da Protegidos. O envolvimento dos pais e dos vizinhos do Centro da cidade com o Carnaval fez Dona Lica tomar gosto pelo samba e, desde que começou a desfilar na ala das crianças, não parou mais.

“Nesta época a escola não tinha sede, então tudo era feito na nossa casa: as reuniões, as fantasias. As costureiras iam todas pra lá. Quando fomos morar na Rua Álvaro de Carvalho, o presidente da escola, Hélio Cabrinha, fazia da nossa casa a sede da escola. A gente comemorava lá quando ganhava e chorava quando perdia”, relembra ela.

Na década de 1950, quando nasceu a Copa Lord, surgiu também uma acirrada disputa entre as duas agremiações mais antigas da cidade. “A Copa descia o morro, a gente descia pelo outro lado, e quando as duas se encontravam na Catedral começava uma a tocar mais alto que a outra. A coisa era feia, rolavam brigas, mas depois que o Carnaval acabava, tudo voltava à normalidade”, afirma Dona Lica.

Da ala das criança à Velha Guarda, Dona Lica passou por vários segmentos da escola. Foi passista, porta-bandeira, chefe de ala, saiu na harmonia, ajudou nos barracões e a confeccionar roupas para os desfiles. Desde 2001, ela faz parte da Velha Guarda da escola, resguardando a memória e incentivando os mais jovens a manterem a história da escola do Morro do Mocotó. “Não existe Velha Guarda sem escola e escola sem Velha Guarda. É um orgulho muito grande pra mim”, resume.

70 anos de história

A história do Carnaval da cidade está intimamente ligada com a história da escola Os Protegidos da Princesa. A agremiação mais antiga de Florianópolis e também a que conquistou mais títulos de campeã tem como berço o Morro do Mocotó. De um grupo de amigos marinheiros surgiu a ideia de criar uma escola de samba em Florianópolis. Em uma época em que a cultura negra não tinha visibilidade, surgiu em 1948 Os Protegidos da Princesa. O nome  foi escolhido como forma de homenagear a princesa que aboliu a escravatura no Brasil.

Este ano, a Protegidos completará 70 anos de história. Neste período, a escola já homenageou na avenida personagens locais como Anita Garibaldi, Cruz e Souza, Zumblick, Aldírio Simões, e Guga Kuerten, e também festas e momentos históricos importantes do Estado, como a Oktoberfest, o Contestado e a própria cidade de Florianópolis.

>> Confira a entrevista em vídeo com a Dona Lica

>> Confira a área especial com todas as informações do Carnaval 2018 

Ficha técnica

Localidade: Morro do Mocotó, Florianópolis

Fundação: 18 de outubro de 1948

Cores: vermelho, verde e branco

Títulos: 26 títulos no Grupo Especial

Ensaios: terças e quintas, das 20h às 22h, na Creche Celso Ramos - Prainha (próximo ao Sesc/Senac)

Enredo 2018: “Das terras kaingangs às terras do futuro” – O oeste catarinense será homenageado pela Protegidos em 2018. Em destaque estarão a origem do local há milhares de anos, os índios que habitaram o local, a ocupação do solo, o crescimento da agroindústria e a relação da região com o futebol.

 

Samba-enredo

Compositores: Jadson Fraga, Victor Alves, Christian Fonseca, Diego Bodão, Thiago Sucatinha, Marcel da Cohab, Rafael Tubino e Thiago Meiners

 

"Kaiangang", eu sou

A força que resistiu, a alma nativa

Quando há tempos o frio habitava

A terra guardava, a chama da vida

Descendo o rio, eu vou

A minha aldeia é a mãe natureza

Preservando as gerações

Flechas e cabaças, artes, expressões

Até que a missão veio trazer a exploração

Bandeirantes atrás de mercadorias

Um caminho cobiçado, "tratado da covardia"

 

ôôô verdes campos no horizonte

ôôô dão lugar ao apito e a fumaça

O sangue valente não sucumbiu

“Contestado" é aquele que não desistiu

 

Das riquezas da floresta

O braço forte da migração

O "mundo" de Maria Rosa

Forjado aos ideais de São Sebastião

A rebeldia imperou e o meu estado resistiu

Atraiu aventureiros desenvolvendo o sul do Brasil

Então, o oeste de Santa Catarina

Revela seu valor na economia

Orgulho refletido no olhar

Do índio Condá, o verde esperança

Que abraça e traz força pro povo

Fazendo a Princesa sonhar de novo

 

É meu amor maior, a tribo do mocotó

É a resistência do samba

Vem ver o morro cantar, impondo respeito

Sou Protegidos, sou raiz, bato no peito

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