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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Uma tarde perfeita para se guardar, por Katia Farret

O que aconteceu foi que, entre outras, uma das minhas crônicas apareceu na sala de aula da forma como é publicada, com minha foto lá no cantinho, e Beatriz anunciou que aquela da foto era sua avó

Saraga Schiestl

Nunca me senti bem em ser o centro das atenções, em estar “sob a luz dos refletores”, ainda que por breves momentos. Não sei se por timidez, insegurança ou medo de não saber o que falar, o fato é que essas situações me deixam meio sem jeito, desconfortável, envergonhada, mas não havia como recusar o convite da escola onde estuda minha neta Beatriz, já que era a Semana da Literatura e as crianças estavam a estudar crônicas.

Aparentemente o que aconteceu foi que, entre outras, uma das minhas crônicas apareceu no telão da sala de aula da forma como é publicada, ou seja, com minha foto lá no cantinho, e Beatriz anunciou orgulhosamente que aquela da foto era a sua avó. E foi pensando na alegria dela que me obriguei a deixar a timidez de lado para aceitar o convite, sem saber que no fim, seria minha a alegria.

Ainda meio sem saber o que fazer entrei na sala cheia de crianças, e fui recebida com uma alegria e uma expectativa surpreendentes, o que de imediato me cativou. Acalmados os ânimos, a professora fez uma breve apresentação, pediu que eu falasse sobre o que é uma crônica e depois abriu espaço para as perguntas. E que perguntas! Todas pertinentes, mostrando que de fato aqueles meninos e meninas de dez, onze anos, sabiam muito bem onde estavam pisando. Todas muito bem formuladas, até mesmo com o uso de palavras que muito adulto por aí desconhece ou, se conhece, não emprega corretamente, e não foi este o caso, certamente. O que só me provou que as crianças ainda leem, e muito, e principalmente, que gostam de ler. Também contribuiu para me mostrar que nem tudo é internet, nem tudo é redes sociais com seus erros crassos da linda Língua Portuguesa, e com suas tantas abreviaturas em uma única frase que chegamos a pensar que não temos ali uma simples frase, mas sim um exercício de criptografia, uma mensagem em código secreto.

Naquela tarde convivi com crianças inteligentes, educadas, criativas, interessadas e participativas, que dividiram comigo a sua alegria e sim, porque não?,também os seus conhecimentos. Foi com prazer que, quando vieram até mim ordeira e alegremente com suas folhas e canetas para que eu deixasse uma mensagem, procurei escrever a cada um uma mensagem particular, especial. Naturalmente, autografada, o que, no fundo, era o que eles mais queriam, mas que afinal virou uma brincadeira entre nós, especial e única, como foi cada mensagem, como é cada criança.

Não há como citar aqui cada um deles, mas eles estão comigo hoje enquanto escrevo, e estarão comigo sempre que eu for escrever outras crônicas, como um incentivo, um estímulo a mais. Guardados no meu coração, eles são inesquecíveis, e são com certeza o melhor daquela tarde.

Por Katia Farret

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