Publicidade
Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 16º C

Dizem que os catarinenses sabem votar, mas isso é falso. *Por Paulo Clóvis Schmitz

É só ver o nível da Câmara de Vereadores de Florianópolis para entender que estamos regredindo

Diogo Maçaneiro
12/09/2016 17h10

Poucas coisas têm me incomodado tanto, de uns tempos para cá, do que dizer que nós, catarinenses, sabemos votar. Esse atributo entra no pacote de bondades com que a mídia enche de lisonjas o Estado – porque Santa Catarina não sucumbe a qualquer turbulência, é o último lugar a entrar e o primeiro a sair das crises, criou um modelo econômico exemplar, tem o trabalho como mandamento e não enfrenta a violência e as desigualdades das grandes metrópoles.

Essa papagaiada pode fazer algum sentido, mas na questão do voto, por convicção, vou remar contra a maré. Na verdade, quando dizem que sabemos votar, os propagandistas dessa virtude duvidosa insinuam que elegemos os melhores, quando a realidade mostra o quanto nossos políticos são venais e incompetentes. Quem vem de outras regiões do país se assusta com a lentidão de nossas obras, com a irresolução de nossos administradores, com a nossa falta de iniciativa para solucionar questões básicas, elementares, por inapetência para tomar decisões relevantes.

É só ver o nível da Câmara de Vereadores de Florianópolis para entender que estamos regredindo, a cada legislatura, nos quesitos seriedade e eficiência. Ou um legislativo eivado de denúncias de corrupção pode ser tomado como modelo? Nem falo da Assembleia Legislativa, um bloco monocrático que prima por não ostentar em seus quadros um parlamentar brilhante, um grande orador, alguém que destoe da mediocridade geral. Ser mediano, nesse ambiente, parece um mérito e tanto...

Saber votar, para alguns analistas, é escolher o candidato mais conservador, aquele que não vai propor mudanças na ordem vigente, o que quer manter o status quo, o que não sabe avaliar os anseios que vêm de baixo. Os três senadores que nos representam em Brasília são um exemplo disso – fazem política como no século 19 e estão longe de refletir a diversidade de demandas e desejos da população.

Quando há uma votação como a que ocorreu na semana passada no Senado, e 100% dos representantes do Estado vão na mesma direção, é como se Santa Catarina pensasse como eles. As distorções do modelo eleitoral brasileiro permitem que três pessoas respondam por todos, aleatoriamente, quando pelo menos um terço não respalda os sufrágios dados naquela sessão.

Por Paulo Clóvis Schmitz

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade