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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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As mulheres com quem queria ter cruzado numa esquina qualquer

Na minha pouca modéstia, sonho em como seria um encontro acidental com essas divas, e delas extrair alguma atenção, quem sabe um abraço, por que não a suprema consideração de um beijo no rosto?

Paulo Clóvis Schmitz

Enquanto ouço Elis Regina no YouTube recriando Belchior ou cantando as águas de março, ou Ingrid implorando ao pianista para repetir “As time goes by”, ou a versão de Maysa para “Ne me quitte pas”, penso em quanto teria sido feliz se me fosse dada a ventura de ter cruzado, nas esquinas da vida, com essas mulheres que tenho como deusas. Recordo da inveja que tive de um amigo que viu Elis no antológico show “Trem Azul”. Se estivesse lá, será que a Pimentinha teria ao menos olhado para a minha cara, na desordem da plateia?

Na minha pouca modéstia, sonho em como seria um encontro acidental com essas divas, e delas extrair alguma atenção, quem sabe um abraço, por que não a suprema consideração de um beijo no rosto? Sei que amar os ídolos equivale a um salto no escuro, a um mergulho no abismo, porque na vida real eles, os ídolos, se desvanecem e tomam a forma humana, com suas imperfeições, manias, vícios, idiossincrasias. Mas sonhar não custa nada...

Também me imagino com Graziella na ilha napolitana, com Gilda, com Scarlett, com uma reunião fortuita em que sóror Mariana Alcoforado me distinguiria com uma de suas cartas de amor. E com outra portuguesa, Florbela Espanca, que também desafiou os cânones de sua época e cantou a paixão sem limites. E com Maria Callas, com Piaf, com Violeta Parra, com Anouk Aimée, com Marion Cotillard... Será que eu, do alto de meu 1,65 metro, teria alguma chance?

Ao ver essas beldades na tela ou no palco, sou tentado a medir suas formas, sopesar sua altura e imaginar o ambiente que comandaria o colóquio, um bar, um café, o Rick’s, um boteco no Mediterrâneo, uma taberna no Tejo. Sou também capaz de imaginar um diálogo com Emma Bovary, com Ana Karenina, com Julieta Capuleto, com Ana Terra nas coxilhas sem fim. E com nossa Anita Garibaldi, com as personagens de Lausimar Laus, com as alemãzinhas de Urda Krueger.

Sou muito sem jeito com todos, e ainda mais com as mulheres, por isso é muito provável que, sendo viáveis, esses encontros teriam sido uma grande calamidade. Mas, como disse, no sonho tudo é exequível, e me descubro, como por encanto, a um passo de Audrey Hepburn numa ruela de Roma ou num barco no Sena. Não sei o que dizer, as palavras fogem – mas a imaginação já deu conta de tudo, felizmente.

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