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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Vida e obra de Franklin Cascaes inspiram espetáculo teatral

Homenagem foi construída em uma parceria da Cia Aérea, de Florianópolis, e a Cia Periplo, da Argentina; Estreia será no vão central do Masc, nesta terça

Edinara Kley
Florianópolis

O universo mitológico de Franklin Cascaes e todos os seres fantásticos habitantes de uma “ilha mágica” onde bruxas e boitatás vivem a solta é o cenário do espetáculo “Cascaes - Memórias do Homem de Argila Crua”. Uma homenagem ao artista e pesquisador da cultura açoriana e do folclore ilhéu que deixou como legado uma fauna onírica presente no imaginário popular dos catarinenses e cujo patrimônio material permanece trancafiado em um museu de Florianópolis.

Divulgação/ND
Seres mitológicos extraídos da obra de Franklin Cascaes são os personagens do espetáculo

 

Com montagem inspirada em sua vida e obra, a peça passeia pelas criações de Cascaes e mostra seus desenhos, esculturas e outros elementos de seu acervo que se desprendem da obra de forma poética.  Idealizado pela da Cia Aérea, da Capital, e dirigida pela Cia Periplo, da Argentina, o espetáculo circula pela cidade em dez apresentações programadas para acontecer fora dos palcos. A primeira, nesta quarta-feira, será no vão central do Masc (Museu de Arte de Santa Catarina).

“Não é um trabalho de rua, mas também não é de palco. É para acontecer no mesmo plano do público, no fim das contas é didático, e o museu é o melhor ligar para isso. Ele queria ver sua obra fosse conhecida e exposta, mas hoje todo seu acervo está longe do olhar da população, guardado em uma sala do Marque [Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufsc]. E isso é trágico, porque o conjunto da obra fica escondido, exposto em raras oportunidades”, define a atriz Luiza Lorenz, da Cia Aérea.

A ideia do espetáculo, segundo ela, surgiu da sua paixão pelos autores catarinenses e da necessidade não deixar a memória de Franklin Cascaes, que nasceu em 1908 e morreu em 1983, apagar-se.  “Não podemos deixar que a voz dele se cale. As pessoas que nasceram ou que chegaram depois aqui, precisam entender que não somos um povo sem passado. A montagem é uma forma de não perdermos contato com essas raízes. Mostra o folclore, os costumes e os protestos que ele fazia para chamar atenção a exploração da terra e das mudanças culturais ”, observa a atriz.

Surpresas em caixas

Na exibição, o cenário conta com caixas que têm seu conteúdo revelado aos poucos. Ilustrações, textos e esculturas são apresentados pelas mãos dos personagens cascaseanos, seres poéticos, interpretados por Luiza, Margô Ferreira e Egon Seidler. As réplicas das  esculturas são assinadas por Valdo Santeiro, tradicional escultor da Grande Florianópolis que também fez o trabalho de pátina em objetos similares aos que Cascaes fazia com barro.

A direção de dramaturgia é da argentina Andrea Ojeda, da Cia Periplo, de Buenos Aires. O olhar estrangeiro, segundo Luiza, serviu para que Argentina. A ideia, segundo Luiza Lorenz, serviu para que fossem revelados aspectos que passaram despercebidos pela equipe catarinense.

“Cascaes - Memórias do Homem de Argila Crua” é vencedor do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2013. O artista tem 925 trabalhos bidimensionais, sendo 504 esboços, 421 composições, desenhos a bico de pena e a lápis; e 2.700 peças confeccionadas em argila crua e gesso calcinado. “Apresentar essa peça é uma forma de executar o que ele tanto queria, e por isso encerramos com a frase dele: ‘Eu ainda vou ver minha obra exposta em algum museu dentro dessa Ilha”, conclui.

Serviço 

O quê: Espetáculo “Cascaes - Memórias do Homem de Argila Crua”
Quando: 10 e 11/09, 16h e 20h, (vão central do Masc) e 12,13 e 14, 20h (Sala Lindolf Bell)
Onde: CIC, av. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis, tel.:  3953-2380
Quanto: Gratuito

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