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Versáteis, ciclistas urbanos não perdem o estilo ao usar a bike em Florianópolis

Adeptos do cycle chic aliam a moda à mobilidade e impulsionam o movimento que promove que não é necessário alterar a maneira de vestir para pedalar

Marciano Diogo
Florianópolis

Não é novidade que a bicicleta está na moda. Por razões de mobilidade e sustentabilidade, o ciclismo é uma tendência mundial e o meio de transporte é cada vez mais habitual nas grandes cidades. E quando se trata de vestuário, muitos ciclistas comprovam que não é preciso necessariamente usar roupas esportivas – muitos aliam conforto e se vestem com estilo nos trajetos urbanos. Seja para ir para ao trabalho ou lazer, os adeptos do cycle chic, movimento internacional que promove o uso de roupas normais para andar de bike, também estão presentes em Florianópolis.

Flávio Tin/ND
Naiara Lima criou o site Pedal Glamour, que compartilha dicas de moda e comportamento


O conceito do cycle chic surgiu em 2006 em Copenhague, na Dinamarca, quando o fotógrafo Mikael Colville-Andersen criou um blog de mesmo nome para compartilhar fotos de ciclistas estilosos que transitavam pela cidade. O site ficou conhecido internacionalmente, e a ideia de que não é preciso necessariamente mudar o modo de se vestir para pedalar conquistou o mundo. Entre os adeptos do movimento que moram na Capital está a designer carioca Naiara Lima, 29, que em 2014 criou o Pedal Glamour, site que, entre outras informações, compartilha dicas para mulheres de como adaptar roupas para andar de bicicleta nos centros urbanos.

“Existem várias maneiras de usar a bicicleta sem renunciar ao seu estilo próprio. O ciclismo não é sempre esporte. Eu uso a bike para ir para todos os lugares e acredito que a mobilidade não pode atrapalhar o estilo que a pessoa se veste, mas também que a moda pode encontrar maneiras práticas de resolver isso”, afirma Naiara, que trabalha com design gráfico em uma loja de bicicletas e garante que é possível usar praticamente qualquer look para pedalar: “É uma questão de costume e comportamento. Eu, por exemplo, uso frequentemente os shorts-saia, que dão autonomia e não expõem demais. Também é bacana usar um bagageiro para carregar um lenço ou um sapato diferente caso necessário”, observa.

Flávio Tin/ND
É possível usar a bicicleta sem renunciar ao estilo próprio


Para Naiara, que apelidou sua bike de Yolanda e a customizou com adesivos, fitas e outros adereços estéticos, adaptar a roupa e os acessórios ao meio de transporte acaba se tornando inevitável ao andar de bicicleta. “Quando se pedala para transporte, o ciclista está indo cumprir alguma tarefa, está a trabalho ou a passeio, então não se veste como um atleta. Além disso, acho que o mercado de fabricação ainda não entendeu o uso urbano da bike, a maioria delas tem uma estética muito agressiva e esportiva, que afasta os usuários. Uma das maneiras de aproximar a bike da sua identidade é personalizá-la com a customização”, opina Naiara Lima.

Estética do guidão

A florianopolitana Aline Maria Mafra, 38, também criou em 2014 um site para mostrar para as ciclistas que é possível pedalar com estilo e elegância. O Bela na Bike surgiu da paixão da administradora pela moda e pelas bicicletas. No site, Aline compartilha dicas de roupas, viagens e beleza. “Sempre gostei de me vestir bem, já trabalhei com moda, e uso a bicicleta diariamente para ir aos meus compromissos, para trabalhar e ir às compras. E nunca usei necessariamente tênis ou lycra para fazer isso. Até que descobri o manifesto do movimento cycle chic e quis difundir o conceito por aqui, então criei o blog”, conta a administradora.

Flávio Tin/ND
Aline Mafra compartilha no site Bela na Bike dicas de moda, viagens e beleza

 

Aline, que tem carro e só usa o veículo esporadicamente, é dona de uma bike vintage estilizada original da década de 1930, apelidada de Brigite. “Com ela não preciso me preocupar em lugar para estacionar ou combustível. É minha maior companheira. E a ‘Brigite’ acabou se tornando parte da minha identidade também, gosto que ela seja assim, elegante”, pontua.

O ciclista e social media Lúcio César Martins, 29, observou nesse comportamento que torna a bike uma extensão do estilo pessoal das pessoas uma oportunidade de negócio. Em 2013, criou a marca Porventura, que produz ganchos e suportes estilizados para pendurar bicicletas e as transforma em peças decorativas na casa.

“O suporte é um pequeno móvel conceitual de madeira fixado na parede que expõe a bike com a elegância que ela merece. Optar por andar de bike acaba se tornando um estilo de vida, que passa pela maneira de como você decora sua casa e se veste”, afirma o gaúcho radicado na Capital, que acrescenta: “ao mesmo tempo, acho que para ser ciclista não é necessário também seguir uma moda. O que está na moda é ser autêntico, sem seguir padrões”. Dono de uma bike personalizada e apelidada por ele de Katerine, Lúcio optou por produzir artesanalmente o guidão e os alforjes de sua bicicleta. Ele também procura se vestir de maneira prática no seu cotidiano.

Flávio Tin/ND
Lúcio César Martins observou uma oportunidade de negócio e criou a marca Porventura


Cultura da bicicleta

De acordo com dados do Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), pesquisa do Governo do Estado finalizada em dezembro 2015, cerca de 100.000 pessoas usam bicicleta de modo alternado na Grande Florianópolis. “Os dados indicam que 3,4% das viagens diárias na região são feitas em bicicleta. Ainda assim, o uso proporcionalmente maior acontece nas regiões periféricas e afastadas do centro, com também maior intensidade de uso por mulheres e crianças”, afirma Fabiano Faga Pacheco, um dos colaboradores do livro “A Bicicleta no Brasil 2015” e coordenador de pesquisa da Via Ciclo (Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis).  

Segundo a UCB (União Brasileira de Ciclistas), o número de usuários de bicicleta cresceu na última década a nível nacional. “Apesar de não haver nenhuma pesquisa específica sobre esse aumento, podemos constatá-lo somente pelo número de organizações e pessoas físicas associados à nossa entidade. Em 2007, eram 46, hoje são 1.096”, afirma o presidente da UCB, André Geraldo Soares, 45. Conforme dados da UCB, se for considerada a relação de número por 100 mil habitantes, Santa Catarina é o segundo Estado brasileiro com mais número de ciclistas associados, ficando atrás apenas do Distrito Federal. “Tem mais bicicleta na rua. É uma tendência nacional. E o crescimento tem sido constatado em cidades como Florianópolis, onde o modelo de transporte motorizado individual alcança seu limite. O uso da bicicleta cresce justamente nos maiores centros urbanos”, observa o presidente da UCB.

Para o mecânico Giovani Poletto, 38, dono da bicicletaria Garupa, que existe desde 2014 na Capital, a cultura da bicicleta está cada vez mais difundida na região. “Nossos clientes só aumentam. E são perfis interessados, que não procuram somente consertos. Por isso buscamos propagar conhecimentos e compartilhar experiências nessa área com encontros e palestras”, conta o proprietário da Garupa, estabelecimento que além de ser oficina e loja de bicicletas também tem espaço para confraternização e exposições de arte.

Flávio Tin/ND
Para Giovani Poletto, a cultura da bike está cada vez mais difundida na região


Quando se trata de vestuário para pedalar na cidade, Giovani observa que o clima influencia diretamente na escolha da roupa para os ciclistas urbanos. “Diferente da Europa, nós moramos em um país tropical úmido e quente. E esse clima é desafiador para aqueles que usam a bike como meio de transporte. Por isso é importante usar algo adaptável”, afirma Giovani, que acrescenta: “quando tenho que usar calça, normalmente dobro a barra para pedalar, ou vou de bermuda e a carrego no alforje. Mas não abro mão de usar o que eu queira vestir”.

Os ciclistas urbanos que têm que lidar com o calor de Florianópolis também têm alternativa: o estacionamento de bikes Eu Vou! Floripa, que existe desde 2015 no Centro da cidade, oferece chuveiros para os clientes tomarem banho – e se o cliente não tiver toalha, o espaço também fornece. “A temperatura varia muito na nossa cidade e sabemos que depois de pedalar, o corpo esquenta e vem o suor. Queremos impulsionar esse conceito de vida urbana para aqueles que usam a bike no cotidiano”, conclui João Felipe Frandolozzo, 33, dono do estacionamento que já tem mais de 40 mensalistas.

 

Com que roupa eu vou? – confira dicas para andar de bike na cidade com estilo

* Use alforjes na bicicleta. Essas bolsas de bagageiro facilitam para o transporte de algum casaco ou sapato extra, além do lenço para secar o suor.É a solução para as mulheres que têm dificuldade de pedalar com salto alto – dessa maneira, os sapatos com saltos podem ser levados na bolsa de bagageiro

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Prefira as roupas de fibras sintéticas às naturais. Apesar de as fibras naturais como algodão deixarem a pele respirar melhor, as fibras artificiais ou sintéticas secam mais rápido. Se puder, opte por roupas com tecidos feitos de poliamida ou poliéster, que tem ótima resistência, conforto térmico e não amassam. Use roupas leves com sobre camadas

* As saias são mais que permitidas. Dependendo do comprimento, elas tendem a ser ainda mais fáceis que as calças para fazer o movimento do corpo nas pedaladas. Porém para evitar desconfortos ou constrangimentos, se preferir use um short ou meia calça por baixo da saia. Caso não queira, também é possível colocar uma pregadeira juntando a parte da frente à parte de traz da peça, entre as pernas, transformando assim a saia em um short temporário, somente para facilitar nas pedaladas

* Opte pelas maquiagens à prova d’água, assim não há risco de borrar com o suor

* Use óculos escuro, além de trazer estilo ao look, ele também protege os olhos contra o vento, sol e poluição

*Dobre a barra da calça. Além de dar estilo, impede de qualquer risco de prender a veste no pedal da bicicleta

Flávio Tin/ND
Santa Catarina é segundo Estado do país com mais ciclistas associados
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