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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Usados há milhares de anos, chapéus causam curiosidade e são vistos como sinônimo de elegância

Confira o editorial de moda que o caderno Plural fez com a blogueira Amanda Sasso, do Fofochic

Karin Barros
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
Modelo Fedora é democrático e vai bem com vestidos soltos e saias longas


Desde a Grécia clássica, a humanidade viu vantagem em cobrir a cabeça, seja com um tecido, palha ou um pedaço de pele animal. Para as mulheres o chapéu começou mais como adereço, como no antigo Egito, nas tiaras e coroas usadas. Alguns modelos ficaram conhecidos pelas imagens icônicas que os vestiam, como a rainha egípcia Nefertari, o ator Charlie Chaplin, o detetive Hercule Poirot (da escritora Agatha Christie) e Cornélio Fudge, do filme “Harry Potter”. 

>> Confira o editorial com a blogueira Amanda Sasso no final da página

O acessório vem se desenvolvendo ao longo da história da moda. “O chapéu foi de extrema importância no final do século 19, onde era inadmissível uma mulher sair de casa sem. Tanto que no teatro, mesmo eles sendo grandes e volumosos muitas vezes, ainda assim eram usados. Era de bom tom”, explica José Alfredo Beirão Filho, professor de Criatividade e Desenvolvimento de coleção na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Florianópolis.

Bruno Ropelato/ND
Os modelos de aba larga são geralmente usados com biquínis


O professor ressalta também que no século 20, os homens usavam cartolas e palhetas para proteção. O chapéu Coco é um deles. Segundo relatos do Museu da Chapelaria, localizado em  Portugal, o Coco é do século 19, e foi criado pelos chapeleiros James e George Lock e produzido pelos fabricantes de chapéus Thomas e William Bowler. Ele nasceu do pedido de um aristocrata inglês chamado Coke, que buscava um chapéu forte para suas patrulhas em busca de terras, e segue até hoje como forma, sendo personalizado por diversas marcas. 

Na década de 1950, José Alfredo também pontua que o chapéu foi de extremo uso, mas que nos 30 anos seguintes caiu em desuso no país. Atualmente, eles continuam, mas voltados muitas vezes a trajes folclóricos e típicos.

Em Florianópolis, o uso ainda causa estranheza em algumas pessoas, já que a tradição vem da Europa. De acordo com a chapeleira Carolina Correia, 32, no Brasil, Estados Unidos e Austrália, por exemplo, as pessoas usam quando há preocupação com a pele, e agora, passaram a se permitir mais pela tendência da moda Boho, mesmo sendo difícil de combinar. “Não vendo para quem não vai conseguir usar o chapéu. Analiso muito a personalidade de cada um antes da compra. O chapéu compõe um look e mostra o que a pessoa está querendo aparentar no dia, algo mais do espírito mesmo, se está se sentindo mais sexy, por exemplo”, afirma Carolina.

Bruno Ropelato/ND
As viseiras são ideias para os dias de praia


Amor que vem do berço 

A chapeleira do Campeche começou no ofício há quatro anos, mas há um ano abriu a própria marca, a Carô Chapelaria. Formada em moda na Unisul e em chapelaria na Universidade de Londres, foi na Europa, há dez anos, que descobriu o amor pela moda que inicia pelos adereços. “Meu pai sempre usou, e tem até um chapéu que foi do meu tataravô, que agora ele me deu. Eu gostava de chapéu antes de ir a Londres, mas não imaginava que era tanto”, diz.

Carolina Correia afirma que pessoas que usam chapéu tendem a ser mais seguras. “Tenho estabelecido quem é o meu cliente. Várias pessoas usam, mas o meu cliente é especifico. Eu penso que a gente é obrigada a usar sapato para proteger os pés, e quem compra um chapéu não é por obrigação, mas escolha. Essa pessoa tem personalidade”, ressalta. 

A chapeleira trabalha com criação de modelos e personalização de formatos pré-estabelecidos, mudando a aba, e usando tecidos para customizar. Recentemente, Carolina fez formatos diferentes que terão moldes vindos de Londres para serem fabricados na Capital. Ela usa como base o feltro, a palha e o sinamy. Dependendo do clima, eles levam cerca de 48 horas para ficarem prontos. Sobre cuidados com o chapéu, Carolina informa que o ideal é guarda-lo com a coroa sempre baixo, para não deformar a aba, e sempre dentro de uma caixa. 

Bruno Ropelato/ND
Modelo Coco pode ser usado em passeios e shows ao ar livre


Uso sem vergonha

Duas apaixonadas por chapéus são Samira Campos, jornalista de moda, e Amanda Sasso, dona do blog Fofochic, jornalista e publicitária. “Tenho mais de 20 panamás, de várias cores. Eles não esquentam a cabeça e deixam as mulheres super sofisticadas. Uso há mais de 15 anos, no inverno e no verão”, diz Samira.

O modelo Panamá, um dos mais populares e de fácil reconhecimento, na realidade, apesar do nome, ele é produzido exclusivamente no Equador há mais de mil anos, por índios Incas. Feitos manualmente, eles podem levar de dois dias a seis meses para serem fabricados. Porém, Samira lembra que o modelo ficou realmente famoso após ter sido usado por Theodore Roosevelt, quando fez uma visita às obras do Canal no século 20, e apareceu nas capas dos jornais americanos com o chapéu. 

Amanda também usa panamás e chapéus de aba longa. “Acho que aba longa fica mais chique e charmoso, e no inverno uso mais com feltro”, explica ela, pontuando ainda que a Grande Florianópolis tem diversidade no clima e nos eventos, dando oportunidade do uso em diversas ocasiões. Para os homens, Amanda acredita que chapéu e viseira também podem fazer sucesso. “Eles ficam estilosos de chapéu, mas geralmente optam por boné, o que não está errado. Mas quem sabe uma viseira esportiva fique mais despojada”, acrescenta.

Nem sempre o chapéu precisa ser no tom de palha, ou nos já conhecidos, branco e preto. Cores também são bem vindas para completar um look de praia ou festa, porém é preciso cuidado. “Quando ele é muito colorido, com corrente ou faixa, chama muita atenção, ai é legal deixar o look mais neutro para não brigar com o chapéu. Mas é importante também a pessoa segurar o look”, lembra a blogueira. 

O uso do chapéu ainda é cercado de mitos – ou vergonha. Samira explica que o adereço está super em alta, como foi no inverno europeu com o feltro, mas que a mulher brasileira tem dificuldade no uso. “Uma vez, há muito tempo, entrevistei o Giorgio Armani, e pedi para ele resumir a mulher brasileira, e ele disse: cabelo. É uma relação muito passional da mulher brasileira com o cabelo, né? Ele faz parte do charme dela solto, mas quando preso, elas ficam inseguras. Quando a mulher consegue, é porque ela já tem uma identidade, sabe se colocar e é elegante”, explica a especialista que trabalha no ramo da moda há mais de 30 anos. 

Bruno Ropelato/ND
Modelo Panamá pode ser usado na praia ou em um sunset


:: Dicas da blogueira Amanda Sas
so ::

Chapéu Panamá: perfeito pra usar na praia, e ainda pode se estender para um sunset em um beach club. Combina com bodies, jeans e batas

Chapéu Fedora: democrático, combina com muitos estilos. Cai bem em vestidos soltinhos, saias longas e até em um look mais sofisticado

Chapéu Coco: pode ser usado em passeios e shows ao ar livre

Chapéu aba larga: geralmente usados com biquínis. É perfeito para pegar sol ou caminhar a beira mar

Viseira: pode ser usada na praia, num passeio de barco, no clube ou até em um sunset

:: Onde não usar ::

Na mesa na hora das refeições

Locais fechados como jantares, teatro, cinema, shows;

Na igreja e outros templos religiosos.

Confira o editoral de chapéus feito com a blogueira Amanda Sasso




Créditos

Fotos: Bruno Ropelato/ND
Produção: Karin Barros
Modelo: Amanda Sasso
Locação espaço: Casa Conceito Cacupé
Locação Chapéus e roupas: Santalina Jurerê Internacional

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