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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Tercília dos Santos abre exposição individual de arte naïf, em Florianópolis

Mostra dos novos trabalhos abre nesta quinta, dia 19, na Casa Açoriana, em Santo Anônio de Lisboa

Edinara Kley
Florianópolis

As cores quentes e traços primitivos de Tercília dos Santos voltam a ser evidência em Florianópolis. Sem abandonar a linguagem simples e detalhista de mostrar cenas rurais por meio da arte naïf, a artista apresenta trabalhos em uma fase mais geométrica. As novas criações podem ser vistas durante a mostra individual da artista na Casa Açoriana, em Santo Antônio de Lisboa.

 

Débora Klempous/ND
Plantações, aves, vilarejos e casarios são temas pintados pela artista

 

Sem a pretensão de impressionar, a considerada a maior artista naïf de Santa Catarina, Tercília mantém a simplicidade de seu viver no pintar. O resultado desse estilo imutável de vida é traduzido em suas obras: composições harmônicas e alegres de plantações, agricultores, animais, vilarejos e qualquer outro elemento que protagonize em sua imaginação, ainda mais coloridos e sempre próximos das raízes simplistas.

Carregando o pincel no vermelho, a artista traz novas situações do cenário agrícola e natural. “A característica do primitivismo são os tons fortes e a figura geométrica tem a necessidade de mais cores. Eu não saí da vegetação e do verde, mas agora o fundo tem mais cor”, define. A falta de preocupação com o entorno continua sendo um diferencial. “Pinto ambientes totalmente criados sem nenhuma influência do meio. São minhas árvores, meus girassóis. Elementos que só existem nas minhas obras”, completa.

Duas vezes premiada na Bienal de Arte Naïf de Piracicaba, Tercília é um dos destaques do livro “Arte Naïf no Brasil”, editado pela Galeria Jacques Ardies de São Paulo, que reúne os mais relevantes pintores nacionais desta vertente expressiva. A preciosidade de suas obras, também fora reconhecida no cenário internacional. Em 2013 expôs na Galleria Tartaglia, em Roma, sendo a única artista naïf do mundo a mostrar os trabalhos na Feira Mundial de Galerias, em Arezzo. “A galeria que me escolheu nunca havia aceitado nenhum artista desse gênero”, detalhou.

As novas criações de Tercília, na visão do crítico e curador de arte Janga Neves, estruturam-se a partir de dinâmicas composições geometrizantes, riqueza cromática e síntese formal. “Transformando pássaros, animais, crianças, plantas e casarios em signos plásticos puros, Tercília organiza espacialmente esses elementos compositivos com um extraordinário senso de cor e composição”, afirma.

Do sonho à consagração

“Comecei a pintar para enfeitar as paredes da minha casa e continuo pintando dessa forma. Fico feliz quando alguém compra minha obra, mas minha intenção é puramente pintar. Acho que é isso que faz meu trabalho diferente dos demais”, ilustra sobre o destaque que alcançou fazendo uma arte por vezes desprestigiada no meio artístico.

A artista, hoje com 60, começou pintar aos 37 anos. Sem influências ou formação acadêmica, conta que foi inspirada por um sonho incomum. “Jesus Cristo veio no meu sonho, ainda criança, e me mostrava pinturas. Quando acordei, sabia pintar e faço isso desde então”, revela. Para aprimorar o “dom”, frequentou por seis meses um curso de artes. Inspirada pela infância no interior do Estado, desde então pinta cenas poéticas da agricultura, do trabalho com a terra e da alegria de viver.

Servciço

O que: Mostra individual Tercília dos Santos

Quando: Hoje (abertura), 19h. Visitação: de quinta a domingo das 10h às 20h, sexta e sábado das 10h às 22h

Onde: Casa Açoriana, rua Cônego Serpa, 30, Centrinho de Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis, tel.: 3235-1262

Quanto: Gratuito

 

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