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Tendência em Florianópolis, chefs "invadem" a cozinha dos clientes para grandes eventos

Valter Herzmann e Thaise Spolti conseguem atender até 80 pessoas

Karin Barros
Florianópolis
24/02/2018 às 10H43

De maneira tímida, mas há algum tempo, chefs de cozinha têm feito o movimento contrário e saído de seus restaurantes para propor novas experiências aos clientes. A tendência agora é receber o profissional da gastronomia no conforto do seu próprio lar. Sim, em casa. Abrir a cozinha, a geladeira, dispor de suas próprias louças para receber em casa uma comida de alto padrão.  

Trabalhando junto, o casal Valter e Thaise chega a cozinhar para até 80 pessoas - Daniel Queiroz/ND
Trabalhando junto, o casal Valter e Thaise chega a cozinhar para até 80 pessoas - Daniel Queiroz/ND


Essa é uma das vertentes que o casal Valter Herzmann, 42, de Florianópolis, e a gaúcha Thaise Spolti, 28, tem apostado. Ambos cozinheiros, eles saíram de um reality nacional de competição na gastronomia e passaram a atender eventos particulares e corporativos com até 80 pessoas. Valter cozinha desde pequeno em família, queria sair da área de produção de eventos e abraçar o mundo da cozinha. Com a terceira colocação no reality, o sonho começou a tomar forma. Junto disso, um aumento significativo no interesse da população em contratar chefs para fazer comida em casa. Valter explica que a tendência vem de fora do país, que em São Paulo ocorre com mais facilidade, mas que atualmente os chefs locais têm procurado atender a demanda. Thaise também coloca a questão da saúde, da atenção maior que as pessoas têm dado para a qualidade da comida que consomem.

“Acaba sendo uma mão de obra mais cara, pois nos preocupamos em comprar pessoalmente os insumos, buscar produtos selecionados. Coisas que às vezes, em um restaurante, podem passar batido pelo encarregado. Procuramos saber o que o cliente gosta e fazemos um menu totalmente autoral”, explica Valter.

Gilberto Quint, o Chef Quint, 43, largou a carreira militar e há 24 anos se dedica a gastronomia, dom que descobriu ainda na cozinha do quartel. Com o passar dos anos cursou hotelaria e gastronomia, já foi chef de cozinha de alguns lugares, mas atualmente vê o mercado muito competitivo, e atender as pessoas como personal chef lhe pareceu mais interessante. “Meus clientes me procuravam onde eu trabalhava porque gostavam da minha comida, ai resolvi arriscar, e com os comentários positivos nas redes sociais, foi dando certo. Vivo disso há dez anos”, conta Quint.

Ele explica que optar por esse formato de trabalho é uma batalha diária, pois “a cozinha não é nada fácil, não tem glamour”. Passando do sushi a feijoada e até pelas sobremesas refinadas, para o chef Quint, entre as vantagens de cozinhar na casa dos clientes está o fato de não ter rotina e de sempre conhecer novas pessoas.

Adaptar é preciso

Do bistrô Muito Além do Jardim vem André Vasconcelos, mais um autodidata quando o assunto é cozinhar. Antes de assumir a profissão, todo evento que organizava em casa virava um grande jantar, o que fez o publicitário e cenógrafo apostar na área desde 1996.

Contudo, Vasconcelos precisou se adaptar para qualquer tipo de cozinhar. “Raramente encontramos espaço e equipamentos próprios para desenvolver um trabalho profissional dentro de uma residência. Além do que, temos que respeitar o andamento da casa e sua estrutura”, diz. Segundo ele, alguns clientes não gostam das “consequências” de um dia de restaurante na cozinha de casa, por isso, ele chega à casa do cliente com tudo acondicionado.

“Desenvolvi pratos usando técnicas clássicas que facilitam o transporte e a finalização na casa do cliente causando o menor impacto possível na rotina do lar. Hoje, com o sous vide [a vácuo, em francês], e refere-se a um método de cozinhar em sacolas plásticas seladas a vácuo em baixas temperaturas por um tempo maior que o tradicional, facilitando seu transporte e garantindo sabor, textura e durabilidade de quase todos tipos de alimentos”, salienta Vasconcelos.

Tanto Valter como Quint e Vasconcelos, todos ressaltaram o cuidado com a escolha do profissional que vai levar até sua casa, pois um grande evento pode virar um grande pesadelo e ainda manchar um serviço que vem se profissionalizando e ganhando cada vez mais adeptos na cidade.

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