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Quarta-Feira, 17 de Outubro de 2018
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Skrotes finaliza novo álbum com parte do financiamento feito pelo crowdfunding

Trio instrumental mostra no próprio trabalho abertura musical a vários estilos e agora lança “Nessum Dorma”, com 14 faixas

Carol Macário
Florianópolis

 Enquanto todo mundo estava indo por aqui, eles foram por ali. Enquanto muitas bandas se preocupam com estilo, rótulo, encaixe em algum gênero, os Skrotes fazem o que estiverem a fim de fazer. Tem uma pegada anarquista, no sentido mais ideológico possível, porque a real é que Gui­lherme Ledoux (bateria), Chico Abreu (baixo) e Igor de Patta (teclados) gostam de tudo, de jazz, de rock, de funk, de salsa, de punk, de erudito. Eles gostam de ser plurais, indo por “ali” e ocu­pando novos espaços.

Débora Klempous/ND
Fãs e amigos compraram cotas no Todos Por para cobrir os custos de prensagem e mixagem do CD, que será lançado em 8 de novembro, no Célula


O trio de Florianópolis trabalha atualmente na finalização do segundo disco, “Nessum dor­ma”, viabilizado através de financiamento coleti­vo pelo site Todos Por. Fãs e amigos compraram cotas que custaram entre R$ 30 e R$ 120 para cobrir os custos de prensagem e mixagem do CD, EP virtual e LP, cujo lançamento será no dia 8 de novembro na Célula Showcase.

O primeiro disco dos Skrotes estava pronto desde 2010, mas o lançamento só ocorreu em 2012. Às vésperas do lançamento do segundo, o trio se esbalda no som experimental feito com se­riedade ao mesmo tempo que com um descom­prometimento com a lógica, tudo isso amparado em quatro anos de estrada (e de sucesso) e de maturidade musical. “Tem músicas que a gente compôs desde o primeiro álbum. Estamos ago­niados há algum tempo para mostrar ”, diz Chico Abreu, embora das dez canções autorais do disco (que tem 14 faixas no total), apenas uma é ainda inédita para o público que acompanha os shows.

Ninguém dorme

O período de gravação de “Nessum Dorma” foi intenso para os Skrotes, principalmente para Igor de Patta. Seu pai, o dr. Ítalo, médico, pianista e quem o incentivou a tocar piano, morreu no mesmo ano que seu filho, batizado com o mesmo nome do avó, nasceu. “E o grupo, claro, vivenciou todo esse processo”, diz o músico. Uma canção é em homenagem a ele.

O nome do álbum, “Nessum Dorma”, quer dizer ninguém dorme em italiano. É também o nome de uma famosa ária de Giacomo Puccini (1858 – 1924). “Mas faz uma analogia com a vida de músico. Ninguém dorme”, diz Igor. “Tem a ver também com as insônias do Ledoux e a minha nova vida de pai.”

E se os ritmos são antagônicos e anarquistas, a dinâmica de ensaios da banda não é diferente. “Tem vezes que ensaiamos todo dia, noutras ficamos dois meses sem ensaiar”, comenta Chico Abreu. Os ensaios atualmente têm sido na casa de Igor, no Campeche, onde os músicos intercalam papos sobre música, acordes e conversas sobre bebês.

Grande tela coletiva

Guilherme Ledoux define a música dos Skrotes como uma grande tela coletiva.”Vamos pintando juntos. Tem muito dos três.” Ele e Igor de Patta se conhecem há anos, e o Chico Abreu ele já conhecia dos sambas e maracatus, além de Chico e Igor terem tocado juntos na banda John Bala Jones.

Como se cultivassem um terreno comunitário, cada integrante planta seu próprio ritmo, cor e vibração. Ledoux, por exemplo, já integrou orquestras como a Camerata Florianópolis e a Ossca (Orquestra Sinfônica de Santa Catarina). Já Igor de Patta estudou piano desde criança. “Na época eu não suportava”, conta. Aprendeu a gostar aos 14. “O erudito é uma música diferente, ela te deixa à vontade para qualquer outro ritmo.”

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