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Site permite fazer intercâmbio de casa em viagens e cortar gastos com hospedagem

Conversamos com três membros em Florianópolis do Troca Casa, site californiano, que tiveram ótimas experiências ao redor do mundo

Karin Barros
Florianópolis
16/02/2018 às 10H37

Viajar sem reservar hotel é possível? Com certo desprendimento, sim. Trocar de casa passa a ser uma solução econômica e até mesmo prática de viajar. A proposta vem do site californiano Home Exchange, criado em 1992, e que chegou à versão em português como Troca Casa em 2006. Com ela, segundo Antônio Batista, representante do site nos países de língua portuguesa, o número de participantes brasileiros saltou de 54 para 592. Em Santa Catarina são 80 ofertas com mais de 120 trocas até hoje, e em Florianópolis o número de casas para trocar chega a 45 com 74 trocas.

O casal Nívea e José Roberto ficou hospedado em três casas na Nova Zelândia - Daniel Queiroz/ND
O casal Nívea e José Roberto ficou hospedado em três casas na Nova Zelândia - Daniel Queiroz/ND


O sistema não é tão estranho assim para a maioria das pessoas e pode até ser lembrado pelos filmes “O amor não tira férias” (2006) e “Tara Road - Aprendendo a viver". Mas longe do cinema, no Troca Casa é preciso apenas que o anfitrião descreva bem a sua casa, o perfil da família, o bairro, a cidade e abasteça com fotos do espaço. É possível ainda deixar discriminado os países em que têm interesse em conhecer e até o mesmo o período que deseja viajar para facilitar a busca de quem tem interesse em trocar. O intercâmbio não envolve dinheiro.

O casal Nivea, 58, e José Roberto Vaz Guimarães, 62, que mora há 14 anos em Florianópolis, teve uma experiência com data marcada. Eles queriam ir para a Nova Zelândia visitar a filha entre dezembro e janeiro, porém, tiveram dificuldade em encontrar alguém que trocasse com Florianópolis. “O país é muito pequeno. Cutucamos 76 casas disponíveis lá e fizemos contato com duas pessoas, sendo que uma delas tinha duas casas justamente onde precisávamos ir, e deu certo”, diz o economista e empresário José Roberto.

Na mesma viagem, o casal também conseguiu uma troca em Auckland. “Em seis semanas que ficamos lá, não pagamos um dia de hotel. Negociamos com duas pessoas e ficamos em três casas, agora eles estão com crédito com a gente”, explicou ele, que recebe parte dos visitantes em setembro deste ano.


Uma relação de confiança

O crédito que o casal que mora no bairro Bom Abrigo, na parte continental da Capital, se refere é quando existe a troca, mas ela não é simultânea, gerando um bônus para quem não viajou ir em outra data para o país da troca. Nivea e José Roberto conheceram o site há oito anos e também já foram para a Itália em 2016. A troca aconteceu também por meio de crédito, já que eles haviam recebido a família italiana no verão 2014/2015. “Ficamos em contato com eles por meio do site, depois os conhecemos pessoalmente. Durante a visita deles até jantamos com eles na nossa própria casa e fomos embora. Tudo funciona na base da confiança, da transparência, a pessoa vem na sua casa e vai cuidar de tudo porque você vai depois para a dela”, diz Nivea.

Quando a casa é a única da família, na troca, todos os pertences ficam no lar. Nivea explica que é necessário apenas abrir um espaço no guarda-roupa para os hóspedes. Também é preciso se adaptar à rotina da casa e até mesmo do bairro. José Roberto salientou que na casa em Auckland eles precisavam, por exemplo, molhar o jardim todo final de tarde e também organizar o lixo para a coleta. “Das três experiências que tivemos, ela [Nivea] ficou amiga das famílias. O brasileiro que é muito desconfiado, porque a gente vive achando que vão nos roubar”, diz ele.

Eliane Furlan cedeu seu apartamento para uma canadense e parte esse ano  para estadia em Montreal - Daniel Queiroz/ND
Eliane Furlan cedeu seu apartamento para uma canadense e parte esse ano para estadia em Montreal - Daniel Queiroz/ND


A servidora pública Eliane Furlan, 50, natural de Lages e moradora do bairro João Paulo, recebeu em novembro do ano passado uma canadense no apartamento de praia, em Jurerê. Agora Eliane se planeja para ir em julho para Montreal com estadia garantida por 20 dias.

Ela explica que como seu apartamento é de veraneio, não tem muitas coisas pessoais. Mesmo assim, quando comenta com amigos que participa do site, as pessoas têm receio. “Quando viajei a primeira vez em 2015 fui para uma casa em Nova York onde as pessoas moravam mesmo, e eu fiquei meio acuada com isso no começo, mas essa coisa da insegurança é do brasileiro, acho. Lá fora eles depositam mais confiança nas pessoas”, diz Eliane, que também pegou uma casa emprestada em Amsterdam em 2017.

Vantagens valiosas
Essas viagens feitas com troca de casas acabam proporcionando experiências diferentes a quem se arrisca. É possível se sentir como um morador de verdade, conhecendo feiras, artesanato, fábricas e a programação cultural da cidade. Normalmente, os anfitriões dão uma lista de locais legais para os visitantes que vão muito além do que um pacote de viagem caríssimo ofereceria.

No caso do empresário José Roberto, ele diz que o mais interessante foi ir para uma cidade ou bairro que normalmente eles não teriam ido se não fosse pela troca. Na Itália, eles ficaram em Vicenza, uma vila italiana com produção de vinhos, próximo de Veneza e Verona, por exemplo. “É uma região linda, e fizemos pequenas incursões. Fazíamos nosso café e jantar a hora que queríamos, e isso acaba sendo econômico, porque não foge muito do que você gastaria se estivesse em casa”, coloca.

Em relação à economia com hotel, José Roberto acredita que dificilmente o casal teria recursos para alugar uma casa como a que ficaram na Itália – com três quartos, dois banheiros e uma belíssima decoração. “Um lugar como aquele você não deixaria de gastar menos de cinco mil euros em três semanas como ficamos”, salienta.

A dentista  gaúcha Neiva Bampi em Ushuaia em uma de suas ‘casas’ emprestadas - Divulgação/ND
A dentista gaúcha Neiva Bampi em Ushuaia em uma de suas ‘casas’ emprestadas - Divulgação/ND


A dentista Neiva Leonardi Bampi é de Caxias do Sul (RS), mas mantém um apartamento em Jurerê Internacional que está disponível no site Troca Casa. Para ela, que já tem a experiência de sete trocas, entre elas casas em Barcelona (Espanha), Keystone (EUA) e Ushuaia (Argentina), o que mais lhe agrada é se sentir parte da rotina local.
“Você vive as mesmas sensações daqueles que moram naquela casa e muitas coisas são realmente surpreendentes. Além de você economizar com as diárias de hotel, você pode fazer suas refeições em casa com calma. Quando viajamos com filhos isso faz a diferença, pois realmente chegam em "casa" depois de um dia agitado de passeios e podem descansar numa casa confortável”, diz ela.


Um bom pós-visita

Assim como a maioria dos sites e aplicativos que envolve relacionamento entre duas pessoas, o feedback sobre como foi a vivência é de suma importância, tanto para quem visita à casa, como para quem é visitado. A política do bom anfitrião também conta. Agradar quem se hospeda com alguma surpresa, ou até mesmo com um vinho por dia na porta, como ocorreu com o casal José Roberto e a mulher na Itália, conta ainda mais pontos.

O quê parece incomodar é a relação de insegurança dos brasileiros, que têm mais receio em abrir a própria casa para estranhos sem estar na presença dos mesmos, coisa que no exterior não é uma dificuldade.

No mundo todo já são mais de 65 mil membros do site em 151 países, fator que deve aumentar ainda mais com as boas recomendações que só crescem pelo método. Para participar do sistema, é preciso pagar o valor de R$ 230 na hora do cadastro, referente à 12 meses de uso. “O Troca Casa vê no Brasil um mercado com potencial para crescer, apesar de muitas pessoas ainda pensarem que emprestar a casa a um ‘estranho’ é apenas coisa de filme. Apesar das dificuldades atuais do Brasil, não deixa de ser um país que atrai a atenção de muitos dos nossos membros espalhados por todo o mundo. A beleza natural do Brasil é inconfundível”, finaliza o representante do site, Antônio Batista.  

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