Publicidade
Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 18º C

Show "Tecnomacumba" é um manifesto de brasilidade

Rita Ribeiro agora é Rita Benneditta e apresenta em Florianópolis no sábado o espetáculo que está uma década em turnê

Carol Macário
Florianópolis

Alexandre Moreira / Divulgação / ND
Cantora se apresenta amanhã na Célula ShowCase, na Capital

Desde que Clara Nunes (1943 – 1983) se foi, parece que a reverência à cultura, ao folclore e aos ritmos na música popular brasileira ficou num vácuo. Foi a maranhense Rita Ribeiro, que agora é Rita Benneditto (uma mudança não só de ordem numerológica), quem se propôs a abraçar as tradições e crenças populares e dar a elas uma roupagem pop eletrônica e bem contemporânea. A ousadia deu certo: há dez anos ela vem desatando nós de preconceito com “Tecnomacumba”, show que está já há uma década em turnê e é um grande manifesto de brasilidade. No sábado, a cantora apresenta o projeto em Florianópolis, na Célula ShowCase.

Sobre a longevidade de “Tecnomacumba”, a cantora credita o sucesso à qualidade, verdade e autenticidade. “Esse projeto vai além de mim, já tem vida própria. As pessoas têm cada vez mais afinidade, porque faz um resgate profundo da cultura afro-brasileira”, diz ela. 

O projeto começou há dez anos com a fusão dos tambores e da música eletrônica – que em 2003 não era tão tendência. “Música eletrônica é processamento de som, de bits, de ritmos”, explica Rita. “Uni a isso os cânticos sagrados dos terreiros. É uma forma de reverência à cultura dos negros africanos – cultura erroneamente vinculada a algo do mal. Mas essa cultura está inserida em tudo. As pessoas vivem uma hipocrisia de não admitir a importância dela.”

O repertório consagrado do show inclui canções de Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, mas também cantigas conhecidas dos terreiros de umbanda e de candomblé. “Não tenho preocupação em ser uma cantora eletrônica ou tradicional ou de macumba. Proponho-me a ser contemporânea. Na verdade tudo bebe na fonte do tradicional, dos terreiros e do eletrônico”, diz ela, para em seguida enfatizar: “É um manifesto de brasilidade, condensação de tudo o que se pode fazer.”

Pesquisa e novo disco

Aos 46 anos, Rita Benneditto continua ousando nas performances do show que apresenta há tantos anos pelo Brasil. Ela conta que há muita pesquisa antes, a respeito dos rituais afro-brasileiros. “Cada orixá, por exemplo, tem sua cor, seu gestual. Só que tudo isso é mostrado num contexto musical, com uma pegada rock’n roll”, afirma. É um espetáculo cultural, não religioso.

Atualmente Rita está em fase de produção de um próximo disco, “Encanta”, segundo ela, uma consequência de “Tecnomacumba”. “O álbum fala do encantamento de cantar. É mais amplo, não se prende tanto como o anterior”, adianta. E já tem composições inéditas de Zeca Baleiro e Jaime Alem.

Sobre a mudança de nome, ela conta que foi surpreendida com o registro do nome artístico por outra pessoa. “Tinha possibilidade de reivindicar, entrar na justiça. Mas seria muito moroso e caro. Mas estou feliz, quero que as pessoas saibam que eu quis mudar.” Com mais de 20 anos de carreira, Rita diz que a escolha de Benneditta não foi por acaso: é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao seu pai, que se chamava Fausto Benedito Ribeiro, e à sua cidade natal, São Benedito do Rio Preto, no interior do Maranhão.

Serviço

O quê: Show “Tecnomacumba”, com Rita Ribeiro e banda
Quando: Sábado, 23h
Onde: Célula ShowCase, rod. João Paulo, 75, João Paulo, Florianópolis, tel.
Quanto: R$ 80 / R$ 40 (meia)

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade