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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Show homenageia o poeta Zininho na Capital e relembra suas canções da era de ouro do rádio

Apresentação revive tempos do extinto "Bar da Noite", programa de rádio apresentado pelo autor de "Rancho de Amor à Ilha" nos anos 50 e 60

Carol Macário
Florianópolis

Arquivo pessoal / Cláudia Barbosa / Divulgação / ND
Zininho inovou ao criar um programa de rádio que se passava em um bar imaginário

Nas noites de sexta-feira, diante de seu bar imaginário, um piano e a voz de Neide Mariarrosa, Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho, abria com inconfundível timbre de locutor-poeta os trabalhos do dia: “deixemos que a ilusão mais cara tome forma nas asas da música [...]”, dizia. Era o Bar da Noite, programa que foi ao ar entre 1958 e 1966 na extinta rádio Diário da Manhã. O repertório, de samba-canção e composições do próprio Zininho, será relembrado numa homenagem ao autor de “Rancho de Amor à Ilha” que ocorre quinta (10), no show “Revivendo Zininho”, no espaço Coisas de Maria João, na Capital. Se fosse vivo, Zininho teria completado 83 anos na última terça.

O projeto Revivendo Zininho é realizado há mais de dez anos e surgiu de uma parceria entre as cantoras Cláudia Barbosa, filha do poeta, e Denise de Castro com músicos da cidade. “Interpretamos canções que ele gostava e executava em seu programa de rádio, além de composições dele que foram sucesso na voz de Neide Mariarrosa”, afirma a musicista Denise de Castro. “Não vão faltar Noel Rosa, Ari Barroso e as canções compostas por ele”, diz Denise.

Filha caçula do compositor, Cláudia Barbosa, 43, assumiu a música como profissão somente depois da morte do pai, em 1998, embora já soubesse que havia herdado dele verve, música, poesia e até o apelido de Zininha. “A única forma de mantê-lo vivo é por meio de sua obra”, afirma. Ela lembra que a primeira vez que pisou no palco foi com o pai. “Nunca tive pretensão de ser cantora, mas sempre trocávamos figurinhas musicais, isso era a vida dele”, conta. Suas memórias remontam a um pai amoroso e que adorava celebrar a vida. “Era muito manhoso, um grude. Ele era aquele tipo ‘eu te amo’ pra caramba.”

Nas ondas do rádio

Criado por Zininho, o Bar da Noite era estrelado pela cantora Neide Mariarrosa (1936 – 1994) num formato original. Em vez de um programa tradicional de rádio, Zininho teve a ideia de criar um bar imaginário em que a voz grave de Neide dava início à apresentação cantando um trecho da canção “Bar da Noite”, de autoria de Bidú Reis e Haroldo Barbosa. Gravado em auditório, o programa apresentava um time de estrelas da música da época tocando um repertório que ia de Ary Barroso, Noel Rosa, Cartola, Lupcínio Rodrigues, Caymmi, Dolores Duran, Tom, Vinícius e, claro, composições do próprio Zininho.

Nascido em Biguaçu, Zininho passou a infância nos arredores do Largo 13 de Maio (hoje praça Tancredo Neves) e desde jovem se envolveu com a música e  o rádio. Trabalhou nas rádios Diário da Manhã e Guarujá, onde atuou como cantor, rádio-ator, sonoplasta, técnico de som e produtor. Entre 1940 e 1960, a dita “Era de Ouro do Rádio”, o poeta compôs mais de cem músicas, de marchinha a samba-canção. Algumas inesquecíveis, como "A Rosa e o Jasmim", "Quem é que não chora", "Princesinha da Ilha" e o “Rancho de Amor à Ilha”, escolhido em 1965 como hino oficial de Florianópolis. Zininho morreu em 1998 devido à complicações de um enfisema.

Serviço

O quê: Show Revivendo Zininho
Quando: 10/5, 21h
Onde: Coisas de Maria e João, rua Cônego Serpa, 57, Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis, tel. 3338 1937
Quanto: R$ 10

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