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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Sétima edição do Baila Costão começa nesta quinta-feira em Florianópolis

Para os participantes do evento, dança é muito mais que arte ou atividade física; é atitude, paz de espírito, da mente e do corpo

Carol Macário
Florianópolis
Rosane Lima / ND
Alunos do Ateliê da Dança afinam os passos para o 7º Baila Costão

Ao executar movimentos sensuais do Zouk, gênero musical e de dança caribenho, Vânia Santos Ribeiro não sente as mais de seis décadas de maturidade que lhe caem nas costas. Nada de sentir peso dos anos no corpo. Aos 63, ela aprendeu com a dança a derrubar certas barreiras e a celebrar a diversidade. “Não me vejo como alguém de 60 dançando com alguém de 21”, diz ela. É uma mulher e um homem. Juan Pablo Borges, esse alguém de 21, também deixou para trás certos machismos. Além das aulas másculas de Kung Fu, há dois meses frequenta aulas de dança de salão, seis vezes por semana. “Não se pode soltar a mente se não soltar o corpo”, ensina. Esse é o estado de espírito dos participantes do Baila Costão, evento de dança de salão de Florianópolis que chega hoje à sétima edição e cuja proposta é dançar, dançar e dançar, com muita diversão.

O Baila Costão começa hoje e segue até domingo, no Costão do Santinho, onde são esperadas mais de 1.600 pessoas, vindas de todo o Brasil – no ano passado, o evento tinha uma média de 1.300 por noite. Franciele Furtado Pereira, 24, é uma das dançarinas que participam hoje da abertura. Com seu grupo de dança, a professora e secretária apresenta um espetáculo inspirado na obra “O Alienista”, de Machado de Assis.

Ela voltou aos palcos somente este ano, e sua história mostra como a dança é transformadora. Ela aprendeu a dançar aos 13 anos. Aos 17 participava de grupos de dança, mas descobriu um tumor no fêmur. Depois de longo tratamento, três cirurgias – das quais duas não deram certo –, imobilização, muletas, finalmente está curada e hoje tem uma elasticidade de dar inveja a ginasta olímpico. “Foi a dança que me ajudou a descobrir o problema”, conta. E é a dança que a está ajudando no processo de ressocialização e até mesmo recuperação da saúde do corpo.

A dança também ajudou Fernanda Dutra, 18, a vencer a timidez. Ela começou a fazer aulas em janeiro, e há algumas semanas não só deixou a vergonha de lado como também se dispôs a competir e ganhou o primeiro lugar na Copa Brasil Sul de Forró, realizada em Joinville. “Comecei a fazer como hobby, mas quero ser profissional, quero começar a competir”, afirma. “A dança é também como uma terapia. O estresse e a tensão se dissolvem.”

A dança e a economia da cidade

“Florianópolis tem um polo grande de dança de salão, mas muito limitado às academias”, afirma Roger Berriel da Silva, 37, idealizador, coordenador e produtor geral do Baila Costão. “Mas a cidade é lembrada pela qualidade dos eventos de dança”, complementa. Não fosse isso não atrairia, em pleno inverno, tantos turistas. Mais de mil pessoas de outros estados desembarcam na cidade a partir de hoje, que movimentam toda a cadeia do turismo – vans, rede hoteleira, restaurantes.

A programação do evento inclui mostras de danças não competitivas, aulões de diferentes estilos de dança ministrados por 61 professores diferentes, um deles o bailarino e coreógrafo Jaime Arôcha, aclamado no meio – a companhia dela encerra o Baila Costão no domingo.

“Além das mostras, tem ainda os bailes temáticos e a bacana gincana dançante, quando professores e alunos interagem. Dançarinos iniciantes podem tirar ícones como o próprio Arôxa pra dançar”, comenta Silva. E para que servem eventos como esse? O idealizador responde logo: “as histórias se repetem: ‘eu estava em casa, engordando; eu era tímido, eu era aquilo’. A dança tem esse poder de transformação. E a proposta do evento é levar para o lado da diversão. Por isso as mostras não são competitivas. Porque a dança é para todos. O intuito é sair mais feliz.”

Saiba mais: Pacotes para hospedagem ou participação nos aulões já estão esgotados, mas é possível participar dos bailes e das mostras.

Serviço

O quê: 7º Baila Costão
Quando: Hoje a domingo, diversos horários. Os bailes e mostras começam às 22h
Onde: Costão do Santinho, estrada Vereador Onildo Lemos, 2.505, Santinho, Florianópolis, tel. 8401-5494 / 7811-6716
Quanto: R$ 30 (baile de hoje e amanhã) / R$ 40 (baile de sábado). Desconto de R$ 10 para os sócios da Acads (Associação Catarinense de Dança de Salão)

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