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Sensível, filme de diretora baiana, "Quarto camarim", é lançado em Florianópolis

O longa apresentado nesta terça-feira traz a história de reencontro de tio e sobrinha após quase 30 anos

Karin Barros
Florianópolis
06/03/2018 às 10H32

Após passar por festivais internacionais no Canadá, Venezuela e República Dominicana, o filme brasileiro “Quarto camarim” começa a ser exibido no Brasil. Florianópolis é a terceira capital brasileira a receber o trabalho, que foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, um dos principais programas de fomento à cultura e às artes do país. A exibição ocorre gratuitamente nesta terça-feira, no Cinema do CIC (Centro Integrado de Cultura). 

Longa mostra o reencontro, depois de 27 anos, da própria diretora com o seu tio, que hoje se chama Luma - Divulgação/ND
Longa mostra o reencontro, depois de 27 anos, da própria diretora com o seu tio, que hoje se chama Luma - Divulgação/ND



Dirigido por Camele Queiroz e Fabricio Ramos, ele mostra o reencontro da diretora baiana com o seu tio Roniel – hoje com o nome de Luma e, até então, residente da cidade de São Paulo. A última lembrança dela em relação ao tio era aos seis anos de idade, sendo que hoje ela está com 36 e Roniel com 51.

Camele explica que primeiro veio a vontade de reencontrar o tio, e em seguida, vendo em quem ele se transformara, caminhou junto a ideia de documentar o momento. “Pensávamos em fazer o filme sobre ela, mas depois vimos que a razão seria o reencontro”, explica a diretora. Com isso, o filme trouxe também a primeira experiência de Camele do outro lado das câmeras, já que o filme traz o reencontro com os personagens reais. “Foi bem difícil. A sensação de estar sendo gravado com a história ali acontecendo foi um pouco agoniante”, confessa. 

Como o filme aconteceria junto ao desenrolar do reencontro familiar, não foi possível estabelecer um roteiro de cenas. “Tivemos um roteiro indicativo de ideias, sobre situações que seria interessante provocar nas conversas, como o fato de saber que Luma trabalha como maquiadora. Eu quis propor que ela me maquiasse, por exemplo. Era uma coisa que visualmente me chamava atenção”, conta Camele. 

O longa-metragem é classificado também pela diretora como documentário livre, pois leva uma abordagem documental e mostra a vida de pessoas reais diante das câmeras. “Não tivemos recalque de utilizar cenas com algo mais dirigido, não temos esse dogma”, acrescenta.

Sem causas políticas 

Em “Quarto Camarim”, o próprio cinema media a relação entre Camele e sua tia Luma, que na infância era sabida sua opção sexual, mas ela havia se revelado como travesti, cabelereira e performer. O afeto entre ambas vai se manifestando aos poucos, tensionado pelas conversas sinceras. 

Narrativamente, as próprias tensões da relação entre sobrinha e tia constituem a estrutura da obra, tendo em vista que Luma, por diversas vezes, desistiu de gravar. “Foi um processo muito tortuoso, de muitas idas e vindas, e eu tentava me colocar no lugar dela. Via que ela podia pensar o porque que depois de tanto tempo uma sobrinha iria procurá-la. Sabia que isso podia rolar, mas resolvi isso em mim primeiro para poder propor isso para ela. Luma é muito inconstante e inquieta. No final do filme ainda me avisou que estava se mudando para Juiz de Fora (MG), e tive que argumentar que ainda precisava de uns cinco dias para gravar”, diz Camele. 

Apesar das diversas questões que surgem com o enredo do filme, Camele e Fabricio não optaram por abraçar nenhuma causa política em específico. “Temos a dimensão das questões do momento que estamos vivendo, de tudo que implica nisso, mas nossa abordagem foi mais em deixar as coisas latentes e não entrar de fato nisso. Nem ela [Luma] trazia isso. A nossa abordagem foi mais no nível da sensibilidade”, finaliza a diretora. 

Após a sessão, o público participa de um debate mediado pelo crítico de cinema, editor do blog 7 Marte e membro da Abraccine, Daniel Medeiros, e com a cineasta Cintia Domit Bittar.   

SERVIÇO

O quê: “Quarto Camarim”
Quando: 6/3, 20h
Onde: Cinema do CIC, av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Fpolis
Quanto: entrada gratuita por ordem de chegada

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