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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Sem recursos, Orquestra Escola de Florianópolis perde alunos e professores

Secretaria municipal propõe novo método de ensino

Edinara Kley
Florianópolis

A Orquestra Escola da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes desafina pela primeira vez desde que foi criada, há sete anos. Sem recursos desde janeiro de 2013, o projeto focado na inclusão social de crianças e adolescentes carentes por meio da música, perdeu mestres e aprendizes. Agora, funciona em ritmo lento e em condições precárias.

O grupo de trabalho que no ano passado contava com oito professores e atendia mais de 100 alunos, hoje é 40% menor. A falta de pagamento dos salários motivou o afastamento temporário de cinco profissionais e, com apenas três educadores musicais trabalhando em regime de voluntariado, a evasão de interessados foi inevitável. 

 

Marco Santiago/ND
Orquestra perdeu 40% dos alunos em 2013

 

O professor de música André Luiz Vieira, filho do regente do projeto, o maestro Carlos Alberto Vieira, aponta que o pagamento previsto em contrato deixou de ser feito depois que atual administração assumiu a prefeitura. O valor – usado para pagamento dos profissionais, custeio de viagens e material de divulgação das apresentações – é proveniente da Lei de Incentivo à Cultura do MinC (Ministério da Cultura) e os recursos são repassados pelo município à Associação Cultural Vieira, proponente do projeto.

De acordo com o secretário de Cultura de Florianópolis, Luiz Ekke Moukarzel, a quantia (não revelada) deixou de ser paga porque a fundação negocia um novo modelo de gestão para os projetos musicais. Chamado de Escola Livre de Música, o programa pretende unificar a metodologia de ensino nos diversos núcleos.  Ele defende ainda, que o convênio não foi interrompido, apenas deixou de ser renovado no começo do ano, quando o prazo de 12 meses da última assinatura teria expirado.

A renovação deve acontecer ainda neste mês, tão logo a Orquestra Escola apresente a nova documentação requisitada pela pasta. Uma reunião entre representantes da orquestra e da secretaria está marcada para acontecer dentro de 15 dias e o encontro deve esclarecer o novo momento cultural pelo qual passa o município, mas não garante um acordo.

Novo modelo de gestão

A Escola Livre de Música, segundo o secretário de Cultura, pretende ampliar a capacitação e qualificar a gestão cultural de projetos por meio de núcleos culturais. No primeiro momento, cinco espaços serão contemplados. Além da orquestra regida pelo maestro Carlos Alberto Vieira na Escola Básica Silveira de Souza, no Centro, haverá um núcleo nos Açores, Campeche, Ribeirão da Ilha e Pântano do Sul, todos no Sul da Ilha. Cerca de 400 crianças serão atendidas.

A aplacação do novo modelo prevê ainda a reestruturação de todos os planos de trabalho e sistemas de ensino aplicado hoje. “É um processo de ampliação e de melhoria pensado a partir do resultado da análise dos projetos que estão em andamento e são subsidiados pelos órgãos públicos”, ponderou Moukarzel.

Por se diferenciar da proposta educacional existente, a novidade não agradou a Orquestra Escola, que utiliza o método Suzuki. O mecanismo de educação japonês visa, entre outras abordagens, envolver o estudante com a música da mesma forma que acontece com a linguagem, quando se está aprendendo a falar. “Queremos funcionar com nossa gestão e metodologia, acreditamos que mudar nossa forma de trabalho neste momento em que nossas práticas estão consolidadas coloca em risco a eficácia do programa”, defendeu André Luiz.

Mesmo diante da resistência, Moukarzel acredita que será possível um acordo. “Não existe um só método, existe um conjunto de métodos que podem ser trabalhados em harmonia. Vamos ter um modelo inclusivo, que englobar erudito e popular dentro de espaços físicos adequados, mas para tudo isso há um tempo”, comentou. Se tudo correr conforme os planos do secretário, em setembro os recursos poderão ser liberados e, caso haja acordo, a Orquestra Escola poderá afinar seus acordes.

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