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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Sem consumir nenhum produto de origem animal, veganos mostram um guarda-roupas sustentável

Além de não explorar os animais, opção é mais sustentável para o planeta

Carolina Moura
Florianópolis
Rosane Lima
Amante dos animais, Roberta é vegetariana há seis anos e desde então não entra lã ou couro em seu guarda-roupas


Mesmo sendo amante dos animais, alguns anos atrás Roberta Minussi não conseguia imaginar uma vida sem comer carne.  Hoje, aos 29 anos, a escolha de vida vegetariana não se reflete só no seu prato, mas também no guarda-roupas. Apesar de não se considerar completamente vegana, um conceito que envolve eliminar o consumo de qualquer produto proveniente de exploração animal, ela tenta viver com esse objetivo em mente. Há seis anos lã, couro e peles passam longe de sua sacola de compras.

Para Neide Schulte, 42 anos, essa escolha é essencial. Professora do curso de moda da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), ela coordena o projeto de extensão Eco Moda, que trabalha com tecidos reciclados, orgânicos e reaproveitamento de materiais. Vegetariana há 11 anos, Neide aderiu ao veganismo quando realizou seu projeto de doutorado, no qual investigou o consumo de roupas dos veganos. Em sua pesquisa, ela levanta argumentos de que a criação animal para consumo humano é insustentável para o planeta, e a saída é o veganismo.

Karla Pinto, uma das fundadoras da Sociedade Vegetariana Brasileira e hoje diretora do instituto É o Bicho, explica que ideia desse modo de vida é contra qualquer tipo de exploração, animal ou humana. “Usar um tênis de uma marca que usa trabalho escravo, não é vegano”, exemplifica. Nesse contexto, Karla acredita que ninguém é completamente vegano, pois vivemos em uma sociedade que ainda se baseia nessa lógica de exploração.

Na contramão desse processo, a estilista Isabel Possidonio produz suas peças quase exclusivamente de material reaproveitado.  “Durante um período da minha infância os meus pais viviam da reciclagem de materiais. Acho que isso de forma meio inconsciente me fez ver que aquilo que as pessoas descartam pode ser aproveitado”, conta ela. Formada pela Udesc, ela passou pelo Eco Moda e também não utiliza matérias-primas animais.

Couro autêntico, mas ecológico

Ao se falar em peles exóticas, veganos e defensores dos direitos dos animais se levantam em uníssono para criticar a prática. Foi isso que aconteceu ano passado quando milhares de pessoas se revoltaram nas redes sociais contra a coleção de inverno da Arezzo, que usava peles de coelho e raposa, resultando na retirada da linha das lojas. Mas outros tipos de pele, bastante exóticos, podem ser sustentáveis: pele de peixe, bucho de vaca e rã são alguns dos materiais testados por Jarbas Simão, que busca a matéria prima em casas de sushi e peixarias, por exemplo, onde as peles geralmente são descartadas.

 “Sempre trabalhei com artesanato, desde os 15 anos, e gosto muito de sustentabilidade”, conta Simão. Formado em Biologia, ele desenvolveu seu próprio método de curtimento das peles, que utiliza produtos naturais e corantes sem metais pesados. Vindo do Guarujá, no Litoral de São Paulo, no início do ano, ele já montou uma parceria com o professor Lucas da Rosa, da Udesc, para iniciar um projeto de extensão na comunidade pesqueira da Barra da Lagoa, ensinando os moradores a aproveitar todas as partes do peixe.

“A ideia é criar uma cooperativa para ajudar a aproveitar tudo e agregar valor ao produto”, explica o professor. Hoje o peixe é vendido inteiro, mas é possível vendê-lo em filés e utilizar a pele curtida para produzir produtos de couro ecológico. Neide Schutel, apesar de vegana, considera o projeto importante. “Enquanto as pessoas comerem carne e matarem bichos, tem que aproveitar tudo. Isso não é o ideal, mas a mudança é gradativa”, acredita ela.

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