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Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2018
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Scott Macleay faz curadoria para exposições no CIC e na Galeria Helena Freta

Fotógrafo canadense reúne trabalhos de sua autoria, de seu mestre americano, Ted Scott, e de 20 artistas brasileiros que passaram por seus cursos e workshops

Edinara Kley
Florianópolis

Imagens representantes não exatamente daquilo que se vê, mas de sentimentos, pensamentos e sensações.  Cenas captadas por lentes de câmeras digitais que passam por um processo multimídia e, quando conclusas, falam mais do autor da captura do que a respeito do sujeito exibido no registro fotográfico.  Em síntese, este é o trabalho do canadense Scott Macleay, artista em novas mídias, compositor e escritor. O canadense, que morou 30 anos na França, e há quatro vive em Florianópolis, é o curador de duas exposições que trazem outras possibilidades para a fotografia convencional através da exploração de novos processos criativos. 

 

Daniel Queiroz/ND
Scott Macleay e uma das obras da série "Código de Barras Provocativos"

 

 “Interferências: Scott Macleay e convidados” abre hoje no CIC (Centro Integrado de Cultura). Nela, o artista reúne três gerações que modificaram ou aprimoraram suas técnicas e conceitos artísticos por intervenção de alguém. A primeira é representada por seu único professor de fotografia, Ted Scott. O contato com o arquiteto e designer gráfico que conheceu em um curso semanal de fotografia, em 1975, foi crucial para que o artista abandonasse o doutorado e se tornasse um fotógrafo. 

Scott Macleay é o integrante da segunda leva desta trindade artística, e leva às paredes do espaço Lindolf Bell, no CIC, uma pequena mostra dos trabalhos realizados ao longo das últimas três décadas de criação artemídia. Da terceira, e para ele, mais importante geração, trabalhos de 20 artistas brasileiros, pensados e criados durante residências, aulas e workshops com o canadense em Florianópolis.

“O conteúdo não é o mesmo, mas a qualidade é igual. Esses jovens chegam para mudar a concepção de que só é possível fazer um trabalho de qualidade mundial nos Estados Unidos ou em Paris”, defende o artista, que além de um expressivo trabalho autoral, fundou na década de 1970 o Departamento de Fotografia do American Center for Artists in Paris, onde dirigiu o Centro de Mídia, Arte e Fotografia.  “Eu sou muito exigente e as produções que temos aqui podem, sem nenhuma dúvida, estar em grandes galerias internacionais”, classifica o curador que já tem planos internacionais de circulação.

Apesar de cobrar resultados de si e dos alunos Macleay demonstra grande tolerância às falhas, e as considera parte importante do processo de criação. “A falta de confiança e de apoio prático acabam limitando os jovens artistas. Tento mostrar que nesse processo falhar é coisa boa. Que só não falha, quem não se arrisca. A arte é processo de pensamento e eu, enquanto fotógrafo, não sou aquilo que vejo, sou o quê eu sinto e penso, e vou fazer meu trabalho a partir disso”, relata.

Fotógrafo de emoções

Além de cores abundantes, porque na sua opinião fotografia em PB é artigo de museu, as obras de Macleay são marcadas por personagens picotados, multiplicados, sobrepostos ou em  movimento, aos quais são agregados símbolos, códigos ou elementos gráficos. Raiva, dúvida, confusão, angústia, entre outros sentimentos  são suas “inspirações”. Controlar a essência da emoção e a partir dela criar uma obra de arte faz parte de um processo longo e profundo. Não há uma explicação pronta para tal fenômeno.

Nas suas últimas produções da série “Código de Barras Provocativos”, na qual ele corta a fotografia milhares de vezes, com linhas finas de diferente espaçamento, conta que para chegar ao resultado de cor, textura e perspectiva de cada elementos foram necessários quase três anos de investigação. O resultado fica a critério da análise do público. “Eu não sou um pastor, eu não tenho que passar uma mensagem. Eu quero que a pessoa olhe e possa tirar suas próprias conclusões”, diz.

Revolução digital

As limitações impostas pela fotografia analógica colorida fizeram com que Scott Macleay caminhasse por outros gêneros da arte contemporânea. No final da década de 1980, não fazia mais fotos e se dedicava em tempo integral à composição de música para vídeo-arte, dança contemporânea e para a pesquisa de seu grupo musical. Reencontrou-se com a fotografia, agora em formato digital, por volta de 2004, em Paris e seguiu com ela até chegar a Florianópolis, em 2010.

Na capital catarinense, fundou o movimento informal “Processo Criativo”, dedicado ao desenvolvimento de novas mídias e pesquisa transmídia para jovens interessados em desenvolver perspectivas na fotografia, vídeo e artemídia baseada na internet. O movimento se ampliou e artistas de todo Brasil se deslocavam a Florianópolis para workshops e residências.

Novas perspectivas

A exposição “Interferências: Scott Macleay e convidados” e a mostra “Perspectiva(s)”, que abre amanhã na Galeria Helena Freta, com outros trabalhos dos estreantes na exposição do CIC, são resultados desse processo. Na galeria os artistas apresentam outras plataformas que usam a fotografia como elemento principal, mas em outros contextos.

Entre as obras do CIC, Macleay cita a de autoria da catarinense Ana Carolina von Hertwig, que leva o título de “Ghostly Confusion”. O quadro, em multicamadas condensa múltiplos espaços ao mesmo tempo, faz parte do trabalho de conclusão de curso da artista, formada em cinema pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em 2013. O projeto chamado de “Unifinished Busines”, é um documentário auto-analítico, e sua versão em transmídia estará em exposição na galeria. “É uma outra proposta e outra maneira de ver o objeto, com outros recursos”, comenta a catarinense. O trabalho digital está disponível no anacarolinavonhertwig.com

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