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São José é a cidade que mais mantém viva a tradição das bandas e fanfarras

Biguaçu e Palhoça têm uma banda e fanfarra, e Florianópolis, apenas uma escola é atendida por um projeto musical, mas não inclui fanfarra

Karin Barros
Florianópolis
02/09/2016 às 02H53
Daniel Queiroz/ND
Encanto. João Luiz Nicolas Rodrigues, 12, rouba a cena na banda marcial do Maria Luiza de Melo

 

Os festejos do 7 de setembro chegam e com eles, apesar da crise, todo o patriotismo brasileiro. Além de um feriado comemorado pela sua importância histórica, data da Independência do Brasil, oficializada em 1822 com o rompimento do vínculo que o país tinha com relação a Portugal, o desfile cívico traz para a sociedade representantes de órgãos da segurança pública e as bandas e fanfarras das escolas públicas do Estado.

Nesta segunda-feira, às 8h30, na Passarela Nego Quirido, no Centro de Florianópolis, Marinha, Polícia Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Aeronáutica, Polícia Federal e Rodoviárias estarão presentes para a comemoração que acontece desde o Primeiro Império, e espera reunir 2.400 pessoas. O mais famoso dos desfiles ocorre em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, com a presença da presidente da República e é transmitido ao vivo pela televisão.

 

 

Bandas e fanfarras de todo o Estado, que eram conhecidas e lembradas para a data da Independência, preparam-se o ano inteiro para apresentações. A partir de projetos de música desenvolvidos pelas prefeituras e Estado, a tradição das fanfarras ultrapassa as datas cívicas e ganha palcos de campeonatos estaduais e nacionais. A profissionalização do ramo é tanta que existe uma Federação Catarinense de Bandas e Fanfarras e uma confederação brasileira, com regulamentos e cronograma de apresentações. Destaque no quesito são as bandas das escolas Maria Luiza de Melo, no bairro Kobrasol, e o Centro de Educação Municipal Luar, na Serraria, ambos de São José.

De acordo com Gilson José Fernandes, coordenador do projeto Bandas e Fanfarras Terra Firme há dez anos, em São José, o município tem mais de R$ 45 mil em instrumentos de percussão e sopro nas sete escolas participantes, e envolve 1.300 crianças na iniciativa.

Em Palhoça, também existe uma banda musical que participa de eventos como o 7 de Setembro com crianças de 8 a 14 anos. A Bamep (Banda Musical da Rede de Ensino de Palhoça) está presente nas escolas Prefeito Reinaldo Weingartner e Nossa Senhora de Fátima, e existe desde 2008. Atende 92 crianças e é composta por sete professores de música. Nas comemorações de Independência, a banda traz canções como “O trenzinho caipira”, de Vila Lobos, e “9ª Sinfonia”, de Beethoven. Em Biguaçu não existe um projeto de banda oficializado pela Secretaria de Educação, porém, na Escola Municipal Fernando Bruggemann Viegas de Amorim, um professor dá aulas de música voluntariamente. 


Tradição que perdura

Com o encerramento da banda e fanfarra da Escola Básica Municipal Vereadora Albertina Krummel Maciel, que comemorou recentemente 50 anos de sua fundação, o Colégio Maria Luiza de Melo é o detentor do título de banda mais antiga do município de São José, na Grande Florianópolis, com 13 anos de existência, segundo a diretora geral da unidade, Rosângela Silva Hames.

Com palavras de ordem, como “descansar” e “sentido”, adaptadas do militarismo, o regente Zeriky de Souza, 33, graduando em música, coordena um grupo de quase 60 crianças e jovens de 8 a 15 anos há pelo menos dois anos. Músicas como “Asa branca”, a trilha do filme “Titanic” e “Tema da Vitória” são tocados por eufônios, tubas, percussão, trompa, trompete, flugel e trombone. Para aprender, as crianças têm cinco horas de ensaio por semana com cinco professores de música da rede. “Nós passamos nas salas três vezes ao ano para convidar, e são os educandos que optam pelo instrumento que mais o encantou”, explica Zeriky.

A melhora no desempenho do aluno dentro de sala de aula é nítida para os professores. “Nós sabemos o quanto a música traz atenção e foco, e mesmo alunos com problemas familiares melhoram num todo”, diz o regente, acrescentando também a importância hoje no projeto do professor de música - antes a organização das bandas era feita por professores de educação física.

Completam a fanfarra ainda o corpo coreográfico, organizado pelas professoras Jaqueline Zucco, Bruna Sell e Mariane Althoff com o projeto Onix. Além das músicas, eles trabalham um tema no ano, que neste é “Divas do pop”. Para o 7 de Setembro, o grupo de dança se apresentará com standard, bandeiras, guardas, balizas, bola, corda e movimentos da ginástica rítmica. Todos os equipamentos são confeccionados pelas professoras.

No Centro de Educação Municipal Luar, em São José, a proposta da banda é diferenciada dos outros anos, segundo o regente Cleyton Medeiros, 33. “Optamos por trabalhar mais a música brasileira, não tanto na linha de banda marcial. Foi outra linguagem de percussão, mas surtiu efeito”, diz Cleyton, sobre os 38 alunos que integram a banda.

Com quatro professores, a escola integra ainda o corpo coreográfico aos ensaios da banda, passando teoria musical para quem dança independente de instrumento. A banda do Luar não conta com instrumentos de sopro, e apresenta músicas como “Tambores de Itajaí” e um cup song, hit que faz sucesso na internet. Na passarela, eles apresentam cadência de marchas.

O espírito de equipe da banda de percussão do Luar é visível nas conversas e na relação que Cleyton criou com os alunos e familiares. Daweling Antônio, 17, faz parte da banda há cinco anos e diz que o grupo lhe dá muita disciplina. “Se todos soubessem absorver isso, poderíamos tornar as pessoas melhores”, diz o jovem, que toca tenor.

Incentivo em São José

O projeto Bandas e Fanfarras Terra Firme de São José nasceu há 14 anos e mudou a configuração das bandas do município. No início, havia 18 fanfarras simples, que utilizavam cornetas e cornetões lisos, e a partir de 2005 as bandas tiveram a passagem de fanfarra para marcial. “Sentimos a necessidade de instituir a música também como um elemento pedagógico, e partir daí começamos um projeto. Hoje somos cinco bandas marciais, que possuem tubas, trombones, trompetes, trompas e eufônios, e duas bandas de percussão”, explicou o coordenador Gilson José Fernandes.

Em média, as corporações musicais josefenses têm 70 crianças. As categorias das bandas são seguidas a partir das normas da Federação Brasileira de Bandas e Fanfarras. Recentemente, elas receberam instrumentos novos para se apresentaram na avenida Nego Quirido, como conta a secretária Municipal de Educação, Meri Hang, que abraçou o projeto desde que entrou no cargo, em 2013. “Através do projeto a gente consegue resgatar a vontade do aluno de estar na escola, e ainda envolver a família”, diz.

Para participar dos campeonatos estaduais e nacionais, a prefeitura paga uma anuidade para a federação e uma inscrição por aluno. “São José tem prêmios em todos os quesitos. Já chegamos a ir para campeonato em comboio de dez corporações, e todas voltarem com troféu”, conta Gilson, orgulhoso do trabalho. 


Capital tem apenas uma banda

O projeto Banda na Escola, de Florianópolis, existe há seis anos e é composto por 30 crianças e jovens de 11 a 14 anos, da Escola de Educação Básica Maria Conceição Nunes, do bairro Rio Vermelho. De acordo com Paulo Vinícius Heusi Rampinelli, coordenador da ação há três anos e professor de música, há a intenção de aumentar o projeto para mais três escolas, duas do Sul da Ilha e uma no Norte. “O projeto visa dar às crianças a oportunidade de ter acesso a instrumentos de sopro e percussão no contraturno escolar”, explica Paulo, ressaltando que esses alunos participam de workshops e oficinas com músicos de reconhecimento nacional.

A única banda musical da Capital já fez apresentações pelo Estado, como em Corupá, e nos teatros do CIC (Centro Integrado de Cultura) e TAC (Teatro Álvaro de Carvalho). O projeto passa por dificuldades, mas pela procura: o número de estudantes que querem entrar no projeto é maior que o número de vagas, e há apenas uma pessoa para o ensino. No entanto, a iniciativa já colhe alguns resultados: dois alunos que participaram seguiram na carreira musical e fazem faculdade de música na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Paulo também é presidente da Sociedade Musical Filarmônica Comercial, orquestra da Capital, e dá oportunidade aos alunos que se destacam de participarem de uma ação profissional da música catarinense.

Jéssica Francisco Bastos, 14, toca trompete há cinco anos. “Desde que entrei na escola participo do projeto, e gosto quando tem música nova na banda”, contou ela. Em suas apresentações, a banda traz canções, como “Viva la Vida”, do Coldplay, “Stand by me”, de Ben E. King, e “Rancho de amor a Ilha”, de Zininho. Com aulas técnicas e de prática de conjunto, os alunos do Maria Conceição Nunes desenvolvem o aprendizado de instrumentos como flauta transversa, saxofone, clarinete, eufonio, trompete, trombone, tuba e percussão, que são cedidos pelo município enquanto o aluno participa do projeto.


Serviço:

• O quê: desfile de 7 de Setembro

• Quando: 7/9, 8h30

• Onde: Passarela Nego Quirido, avenida Gustavo Richard, Centro, Fpolis

• Quanto: Gratuito

 

• Quando: 7/9, 9h

• Onde: Avenida Beira-Rio (em frente ao Centreventos Cau Hansen), Centro, Joinville

• Quanto: Gratuito

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